O que é ética? Qual sua importância na presença digital?

Os resultados comerciais e todo tipo de resultado que uma empresa apresenta – ou deveria apresentar – passam invariavelmente por pessoas. E pessoas comportam-se de acordo com um conjunto de princípios e valores individuais e coletivos.

São as pessoas que são os realizadores em algum grau das ações que envolvem atendimento, contato, apresentação de informações e tudo que é aparente e que compõem uma imagem, um conceito de marca, de produto, de serviço.

Para que não existam dúvidas e, sobretudo, que os interesses pessoais e individuais não se sobreponham ao senso e ao bem comum ou coletivo, que o que é determinado consensualmente ou majoritariamente como certo, prevaleça sobre o que é errado, que é importante que a conduta das pessoas seja sempre baseada em ética.

Mas você sabe exatamente o que é ética?

O que é ética?

Ao longo de nossas vidas somos bombardeados com centenas, as vezes milhares de definições de muitas coisas. Boa parte delas esquecemos ou não compreendemos em sua total amplitude.

Sendo assim, mais do que definir o que é ética, é importante compreender e ter muito claro em nossas mentes o sentido que há por trás da palavra.

Ética é o conjunto princípios, de regras, de normas, que vão orientar o nosso comportamento perante as outras pessoas e as situações do nosso dia a dia e em cada ato ou decisão que temos que nos posicionar.

A ética nos diz o que é correto fazer e o que não é. O que é de bom tom e o que não é. O que é honesto fazer e o que não é.

É aquele embate que existe dentro das nossas mentes, quando nos deparamos com uma situação polêmica, controvertida envolvendo a moral e os valores humanos e nos perguntamos, o que fazer? Mais do que isso, o que é certo fazer?

Qual a importância da ética em uma empresa?

Já deve estar claro, mas supor é perigoso. É preciso termos certeza dos porquês das coisas.

É vital que se tenha ciência dos objetivos ou a finalidade de um código de ética. Ao estabelecer tais objetivos, fica mais evidente a sua importância.

O primeiro ponto de importância, é que TODOS dentro de uma empresa devam saber que há um código de ética e o conheçam suficientemente bem. Se a sua empresa ainda não tem um, é momento de criá-lo.

Ao produzir e instituir um código de ética, ele passa a ser uma referência formal e institucional que orienta a conduta pessoal e profissional de todas as pessoas que integram a empresa, independentemente do cargo que ocupem, de forma a orientar o comportamento e o relacionamento entre clientes internos e externos.

Mais do que isso, uma empresa nunca é uma ilha. Há diversas esferas de relacionamento e por isso, vários públicos de interesse. Quais são esses públicos?

  • Clientes constituídos e em potencial (clientes externos);

  • Colaboradores, pares e gestores;

  • Os concorrentes;

  • Parceiros comerciais;

  • Fornecedores;

  • Prestadores de serviços;

  • Parceiros;

  • Governos em todas as esferas – municipal, estadual e federal

Enfim, a sociedade como um todo.

Outro objetivo ao criar, implantar e fazer saber sobre o código de ética, é viabilizar um comportamento pautado em valores compartilhados por todos, por serem justos e pertinentes. O coletivo prevalece sobre o individual.

Reduz-se também a subjetividade das interpretações que cada pessoa pode ter das situações, como objetivo de sua implantação.

Também deve-se objetivar que a ética esteja presente em todos os públicos de interesses com os quais há relacionamentos, não importando o seu nível. Assim, promover, multiplicar e cobrar comportamento ético de fornecedores, parceiros, concorrentes, clientes, sociedade e órgãos governamentais em todas as suas esferas.

E por fim, mas não menos importante, produzir uma melhor imagem da empresa perante todos os seus públicos de interesse, mais do que um desejável objetivo, é uma consequência de uma postura ampla e verdadeiramente pautada em ética.

Como produzir um código de ética?

Há diferentes tipos de negócios, formas de atuação, tamanhos e características que diferenciam as empresas, seus públicos e como se relacionam mutuamente. No entanto, há também muitos aspectos que as aproximam, mas acima de tudo, há valores que são universais e, portanto, que devem existir em qualquer código de ética criado e estabelecido.

Podem haver várias as palavras que compõem cada um, mas os conceitos e ideias, serão sempre os mesmos:

  • Honestidade;

  • Respeito ao próximo;

  • Dignidade do indivíduo;

  • Decoro da função;

  • Segurança;

  • Transparência dos atos;

  • Justiça social;

  • Direitos e deveres fundamentais;

  • Solidariedade;

  • Igualdade;

  • Liberdade de pensamento e expressão;

  • Humanidade

A despeito desse conjunto de princípios fundamentais e outros não menos importantes e valiosos para a condição humana, deve-se ter em mente que um código de ética não é estático.

Ao contrário, ele deve estar em constante evolução, sendo inclusas todas as situações eventualmente não imaginadas em sua elaboração.

Devem participar desse processo de construção e aprimoramento do código de ética, todas as pessoas da organização.

O que é um código de ética?

Em termos práticos é um documento.

É um documento que pode e deve ser consultado por cada pessoa dentro de uma organização. Mais ainda, deve também estar ao alcance dos clientes, dos parceiros e de qualquer um que tenha algum nível de relacionamento com a empresa.

Nele estão contidos os objetivos da empresa, os papéis dos envolvidos (colaboradores, pares e gestores) e naturalmente o conjunto de regras de conduta que balizam o comportamento de cada um que o código atinge.

Ele deve ainda conter informações sobre as possíveis sanções aplicáveis ao seu não cumprimento, bem como os canais de contato para comunicação de infrações, assim como de melhorias e adendos.

A ética e a presença digital

O momento em que vivemos é de pura e intensa participação dos mais variados segmentos de negócios, de empresas de todos os portes, comercializando produtos e/ou serviços nos meios digitais, mais notadamente na Internet.

A transformação digital e a necessidade de manter a competitividade e até mesmo de sobrevivência de praticamente qualquer tipo de negócio, faz com que raríssimas empresas não tenham marcada presença digital, por meio de sites institucionais, e-commerces, fóruns, blogs, redes sociais, ou seja lá o que se imaginar.

E qualquer que seja o meio escolhido, ele é a representação da empresa digitalmente. Por essa razão, não há como dissociar ou separar a atuação digital do que é feito presencialmente pelas pessoas que atuam nas empresas em que um código de ética esteja presente.

Como exemplo, toda vez que uma notícia falsa consta (fake news) de um site ou mesmo de um e-mail enviado ou retransmitido, faltou ética. Mesmo a origem não tenha ocorrido dentro da sua empresa, mas se de alguma forma serviu como forma de sua propagação, há responsabilidade envolvida e faltou ética.

Mas não para por aí. A preocupação com a garantia da ética, deve estar presente em questões como:

  • Se a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados) não for plenamente cumprida em todos os seus tópicos e princípios, além de uma infração legal, também estará havendo falta de ética;

  • A ética deve estar presente na originalidade e autenticidade de todo tipo de conteúdo (texto, imagens, vídeos, áudios, etc) presente em qualquer tipo de site que se crie e mantenha;

  • A menção – quando necessária – a um ou mais concorrentes, deve ser respeitosa e nunca colocar em dúvida quaisquer aspectos que possam lhe trazer algum prejuízo financeiro ou a sua imagem e ao fazê-lo, estar faltando com a ética;

  • As informações fornecidas devem ser fidedignas e não podem produzir qualquer nível de prejuízo moral, financeiro ou de qualquer ordem a quem dela usufruir;

  • Manter relações comerciais com empresas ou profissionais, seja um fornecedor ou um parceiro, que não tenham compromisso ético, é em algum grau também faltar com ela;

  • Não garantir que qualquer pessoa que faça uso de algum meio digital (site, e-mail, rede social, etc) tem assegurados os mesmos princípios e valores das relações presenciais (honestidade, respeito ao próximo, dignidade do indivíduo, decoro da função, etc), está se faltando com a ética;

  • Prover transparência quanto ao que é feito e dito, é comportar-se eticamente;

Os tópicos acima, da mesma forma que os conceitos e ideias fundamentais que devem nortear qualquer código de ética por mais básico que seja, são os mais elementares que devem existir em qualquer presença digital de uma empresa.

Da mesma forma, a experiência, o quotidiano e todos os participantes (colaboradores, pares e gestores) devem ser parte ativa na construção e constante melhoria de um código de ética amplo e que visa relações justas e pertinentes a todas as partes.

Sobretudo, pela falta de uma legislação específica e que contemple todas as particularidades das relações que podem ocorrer nos meios digitais e na Internet, assegurar uma conduta ética, é também um meio de tapar os buracos que a ausência de um conjunto de leis específicas acarreta.

Conclusão

A ética é um conceito cada vez mais fundamental, que garante equidade, justiça, respeito e uma série de direitos e responsabilidades a todos envolvidos. Nos meios digitais, mais do que nunca, devido ao momento em que a sociedade atravessa e pela quase inexistência de regulação e legislação, é fundamental que todos os players adotem consistentes e amplos códigos de ética.

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