Conteúdo do site usando IA: 9 motivos para não criar
Com a rápida popularização e o lançamento de incontáveis IAs generativas, muito tem se falado de como elas podem ser úteis e do que são capazes de fazer em substituição às pessoas como, por exemplo, no processo de criação de conteúdo de sites.
Basta uma rápida pesquisa para encontrar uma lista enorme de posts, artigos e até tutoriais sobre o assunto.
Mas será mesmo que é possível entregar a responsabilidade de criação de conteúdo de todo e qualquer site às IAs e obter os mesmos resultados que um bom redator humano?
Se você é mais um que se faz esse tipo de pergunta e não vê motivos para não aderir ao movimento, acompanhe-nos nesse bate-papo!
Inteligência Artificial é uma realidade
Antes de considerarmos os fatores envolvidos, é importante ressaltarmos que:
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A inteligência artificial como parte integrante das mais diferentes situações do nosso quotidiano, é uma realidade, é um caminho sem volta e, portanto, promoverá inevitáveis mudanças na forma de se fazer as coisas;
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Nosso propósito aqui não é repudiar sua adoção em diferentes cenários, o que seria inútil e sem sentido. Constitui sim uma nova importante ferramenta da qual se pode tirar importante proveito;
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Nossa intenção não é demonizar o avanço das IAs sobre as muitas áreas de trabalho. É só mais um capítulo da História no qual o avanço da tecnologia rouba empregos das pessoas. Isso sempre aconteceu e não será agora que esse tipo de justificativa impedirá ou mesmo freará o seu avanço, por mais pertinentes que sejam as preocupações a esse respeito.
Ainda que o uso de IA exija cuidado, responsabilidade e gere desdobramentos importantes, os quais são indiscutíveis e, portanto, precisam ser considerados, é preciso encará-la como mais uma tecnologia a serviço do homem, que precisa de ajustes e evolução, como foi com todas que a precederam.
Intrinsecamente a IA não é boa nem ruim. Conforme abordamos no blog post intitulado “Os perigos e ameaças das inteligências artificiais ao nosso futuro”, assim como uma faca, ela é apenas e tão somente um instrumento, que tanto pode ser extremamente útil em uma série de situações, como também pode servir para finalidades ruins.
Em outras palavras, tudo depende de quem a usa, quando usa, como usa e para que fins usa.
As implicações negativas devem ser consideradas e resolvidas por meio de debate de toda a sociedade e a proposição de medidas corretivas e preventivas, com a devida regulação e controle e o que mais se julgar necessário.
9 razões para não usar IA na produção de conteúdo
Como deve ter ficado claro anteriormente, esse post não tem por intuito condenar o uso de toda e qualquer inteligência artificial, tampouco afirmar que não pode servir em nenhuma situação para a produção de conteúdo Web.
Pode sim contribuir, porém essa é outra abordagem, que inclusive tratamos no post “8 dicas práticas para usar IA como assistente de conteúdo Web”.
Ou seja, a ideia dessa discussão é não entregar por completo a elaboração dos conteúdos a uma IA generativa, mas considerar as circunstâncias envolvendo o site em questão e a partir das razões apresentadas, tomar a decisão que parecer mais acertada.
Vamos ao que interessa?
1. Ética
Não nos referimos aqui aos limites éticos que devem existir e dos eventuais – e necessários – mecanismos de controle e regulação que precisa haver.
Trata-se do compromisso ético com quem consome o conteúdo do seu blog ou outro tipo de site.
Muitos dos mais populares blogs e com maior audiência, alcançaram tal condição porque por trás deles costuma haver uma pessoa. Aliás, muitos desses blogueiros foram os primeiros influenciadores digitais, justamente porque seus seguidores consideram como valiosas as suas ideias e suas opiniões, as avaliações e as informações fornecidas, enfim, as experiências e conhecimento que compartilham com os internautas.
Mas e se esse conteúdo em vez de ser elaborado pelo influencer, passa a vir de uma IA generativa? É respeitosa, é correta, é transparente essa atitude? Ou seja, o leitor fiel acredita que consome conteúdo elaborado por uma pessoa como ele, mas que na verdade, é apenas um robô, ainda que bastante “sofisticado”.
Essas pessoas “pagam” pelo conteúdo, dedicando o seu tempo e a sua atenção, confiando e acreditando nos conteúdos, gerando engajamento na forma de curtidas, comentários e compartilhamentos, por causa da autoridade de alguém que estudou, que se formou, ou que adquiriu experiência em diferentes situações da vida real.
Se quem consome seu conteúdo é esse tipo de público, retribua com as “velhas” formas de criação de conteúdo em vez de trair a confiança que foi depositada com um material “falsificado” e sintetizado por uma máquina.
2. Ranqueamento nos motores de busca
Se o ranqueamento nos motores de busca é uma preocupação real, saiba que entregar conteúdo feito por máquinas pode comprometer o posicionamento do seu site.
Note que objetivamente o Google adota uma posição razoavelmente neutra sobre a questão.
Embora as orientações acima sejam de 2023, bem antes disso nós aqui no blog já havíamos abordado o assunto no artigo “Para quem você cria conteúdo? Robôs ou pessoas?” e que basicamente questiona qual é o seu foco. O motivo do seu site existir é o visitante e, portanto, ele precisa atender às necessidades, desejos e expectativas dele.
Além disso, o líder global das buscas vem refinando sucessivamente o seu algoritmo, de modo que simplesmente entregar a elaboração de conteúdo a uma IA generativa qualquer, pode comprometer a relevância e, portanto, o posicionamento orgânico dos respectivos conteúdos, conforme já comentamos nos posts “Entenda o Core Update de mar/24 e conteúdo feito por IA” e “Core Update de Agosto/2024 e os conteúdos úteis pra valer!”.
Bem resumidamente, se alguém considera usar IA para gerar conteúdo, levando em conta apenas o fato de que algumas dessas ferramentas são capazes de ranquear bem, então é bom reconsiderar. A utilidade do conteúdo, demonstrando qualidades do E-E-A-T e que é a sigla para Experience, Expertise, Authoritativeness e Trust, que em português significa Experiência, Perícia, Autoridade e Confiança, respectivamente, tem cada vez mais peso.
3. Estilo
Nesse porquê, de certa maneira voltamos ao primeiro.
Quando vemos os youtubers mais bem-sucedidos e que muitas vezes foram antes blogueiros, cada um tem sua própria distinção e individualidade e que se caracteriza pela forma como se comunica, como coloca as ideias e sentimentos em palavras, por sua expressão facial e corporal, pelo ritmo e entonação ao falar, enfim, um conjunto de aspectos únicos e que também são essenciais para o reconhecimento e afinidade para com sua audiência, bem como para a eficiência da sua comunicação.
Até mesmo os veículos jornalísticos, para citar um exemplo bem diferente, têm também suas próprias características comunicativas e que alguns chamam de linha editorial.
Em ambos os casos – e em outros também – há um estilo típico e possível de distinguir, que costumamos chamar de identidade.
Inclusive, os melhores profissionais de Marketing – seja o tradicional ou o Digital – a serviço das empresas, frequentemente trabalham para definir e imprimir um estilo de comunicação entre marca e clientes, e em tudo o que fazem, dada a importância que isso tem.
Ainda que nas melhores ferramentas de IA generativa, seja possível escolher um estilo de escrita, o que elas fazem é apenas tentar “emprestar” um de alguém. Ou se preferir, é apenas uma cópia de padrões humanos, algo que nem sempre fazem bem.
4. Pasteurização de conteúdo
Você já teve a sensação de ler sempre as mesmas coisas, mesmo tendo clicado em diferentes resultados das páginas de resultados dos sites de busca (as chamadas SERPs)?
E não é porque as definições ou as respostas, necessariamente precisam ser muito parecidas.
A grande verdade é que mesmo antes da popularização das IAs que prometem criar os mais diversos conteúdos, a prática do CTRL+C e CTRL+V já estava bem disseminada. Trocam alguns adjetivos, fazem algumas inversões de frases, substituem alguns termos por sinônimos aqui e ali e mais alguns artifícios, mas no final ainda se parecem muito uns com os outros.
Conteúdos sem originalidade, sem inovação nas abordagens e nos enfoques, sem preencher as lacunas que muitos ignoram, ou sem utilizar o poder dos exemplos e analogias para tornar a compreensão mais simples, proliferam sem parar
Pois saiba que se você resolver entregar a produção de conteúdo do seu site a uma IA, é isso o que terá! Ou você acha que para cada concorrente que também usá-la, a ferramenta produzirá um conteúdo 100% inédito e personalizado?
E por falar em personalização, a IA conhece e se preocupa com a persona que frequenta o seu site? Não há problema se seu conteúdo soar impessoal e desconectado das necessidades e interesses dos seus clientes?
5. Plágio de conteúdos
Se alguém não sabe, o plágio de conteúdos não se configura apenas quando se faz uma cópia ipsis litteris, em parte ou total do texto de alguém.
Vários processos têm sido abertos no mundo todo, por infração aos direitos autorais contra aqueles que usaram IAs e como resultado tiveram um conteúdo plagiado.
Isso ocorre, porque o processo de machine learning e deep learning faz uso de um gigantesco acervo de informação disponível para treinar essas ferramentas. No entanto, o acesso a todo esse conhecimento não significa que ele pode ser replicado, mas é! É comum que trechos inteiros desses conteúdos apareçam nas respostas entregues por essas IAs que se propõem a serem generativas.
Se já não fosse um problema bem grande ser acusado de plágio, imagina que o seu site e dos seus concorrentes tivessem conteúdos praticamente idênticos sobre um tema. Como isso pareceria a um possível cliente que percebeu a “coincidência”?
6. Imprecisão, desinformação e fake news
Não é porque está na Internet, que é preciso, que é correto, que é verdadeiro. Nem mesmo em alguns sites teoricamente confiáveis a informação contida é 100% fidedigna.
Como acabamos de mencionar, o processo de treinamento / aprendizado das IAs, é pesadamente baseado na Web, incluindo os sites cuja exatidão da informação não pode ser garantida e, portanto, os conteúdos gerados também estão sujeitos a imprecisões e erros e que a depender da natureza do assunto, podem ter consequências sérias, como é o caso da saúde.
Não fosse razão suficiente, há ainda a questão das alucinações de IA, que é quando a IA não tem a informação exata ou completa, mas tenta preencher a lacuna criando um texto que pareça estatisticamente plausível. A máquina não compreende o conceito de verdade ou mentira. Em vez disso, ela apenas junta padrões de linguagem de forma fluida e gramaticalmente correta.
Como resultado, você pode ter um texto convincente, mas impreciso, lembrando que a desinformação e as fake news, têm constituído um grave problema e se seu site de alguma maneira fizer parte disso, a marca e a sua reputação digital serão afetadas e tal como no item anterior, até mesmo sofrer ações legais.
7. “Economizar” ou fazer bem-feito?
As justificativas mais comuns entre aqueles que defendem o uso de inteligência artificial generativa em substituição a uma agência ou quem sabe um ghost writer, são a economia que se faz e o ganho de produtividade que se tem e que também retorna na forma de mais economia.
De fato, esse é um tipo de argumento difícil de contestar, no entanto, se você é defensor de justificativas como essa, recomendamos ler o post “Quantidade vs qualidade na produção de conteúdo do site”.
No post em questão, abordamos o dilema da quantidade vs qualidade e indiretamente, também da economia que se tem ao destinar a criação de conteúdo a um modelo generativo. O resultado é volumoso, não há dúvida, mas ineficiente e sem um propósito claro, como educar, converter, engajar, criar autoridade, ou um pouco disso tudo.
Na prática, quem mira apenas volume e economia, terceirizando a criação via um modelo estatístico de geração de palavras, tende a ter um blog gigantesco em quantidade de posts, mas minúsculo em atração, em utilidade, em diferenciação em relação à concorrência, em criação de identidade da marca, em fidelização de leitores.
8. Facilitam, mas não substituem
É provável que em algum momento tenhamos geradores de conteúdo que façam tudo o que um redator web pode ser capaz e que, não raras vezes, vão bem além de criar um texto a partir de um tema, de palavras-chave e princípios de SEO.
No momento, ainda é preciso passar todos os parâmetros para o sistema (prompt engineering), verificar se o resultado final foi condizente com as expectativas, criar eventuais infográficos, imagens ilustrativas e outros formatos, fazer a revisão do conteúdo, incluir no sistema de publicação, responder aos comentários e realizar as necessárias atualizações de conteúdo evergreen.
Ou seja, de fato uma solução de IA generativa pode facilitar o trabalho, mas não substitui 100% quem o faz realmente – o ser humano.
Enquanto essa não for a realidade, alguém terá que fazer o trabalho que esses geradores de conteúdo ainda não são capazes. Mas quanto vale o tempo de quem fará isso?
9. Conteúdo humano vale ouro
Segundo a teoria da Internet morta (Dead Internet Theory), a maior parte da Internet atual é gerada por robôs e inteligência artificial, restando pouca interação humana real.
De fato, já há diferentes estudos e pesquisas que estimam que mais da metade dos conteúdos atualmente produzidos, é de autoria de grandes modelos de linguagem (LLMs). Pesquisadores da Amazon Web Services, veem que essa grande quantidade de conteúdo gerado por IA está levando a piora no resultado gerado pelos modelos, especialmente nas situações em que a disponibilidade de dados é menor.
Uma das possíveis consequências disso, é o que se conhece como “Colapso do Modelo” (Model Collapse) ou Canibalismo da IA.
Se por exemplo, uma IA de primeira geração por falha estatística considerar que gatos têm 3 olhos e essa informação for usada por uma IA de segunda geração, esta absorverá esse dado, assumindo que o "gato de 3 olhos" faz parte da realidade estatística. Nas gerações seguintes, o erro não é corrigido, podendo se propagar e se amplificar, tornando o que era uma anomalia rara em algo comum nas saídas produzidas.
No post “Conteúdo criado por humanos, o novo “ouro” da Internet?”, além desse tipo de problema, apresentamos outros e mostramos que conteúdos originais e baseados em aspectos humanos que as IAs são incapazes de reproduzir, produzem material de valor inestimável.
Lembre-se, quanto mais raro, mais caro!
Conclusão
A IA generativa é um recurso valioso para otimizar etapas do processo criativo, mas não substitui a autenticidade, a vivência e a visão estratégica de um redator humano. Em um mercado cada vez mais saturado por textos genéricos e automatizados, a originalidade deixou de ser apenas um diferencial, para se tornar o principal diferencial para construir autoridade e conquistar a confiança do seu público.


