O que é a Internet? Passado, presente e futuro

Imaginar o mundo hoje sem Internet, é um exercício difícil. Para os mais novos e que já nasceram e cresceram em um ambiente completamente envolto pela grande rede, pode-se dizer que é impossível. Mas você sabe exatamente o que é Internet? Como e quando ela surgiu? Todo o cenário que a envolve e até onde podemos chegar?

É para tratar um pouco da sua história, da situação atual e do que é possível vislumbrar, que preparamos este artigo para você.

O surgimento da Internet

A década de 60 marcou o surgimento dos conceitos e ideias que viriam mais tarde a dar origem a Internet, não a mesma que conhecemos e utilizamos com frequência cada vez maior nos dias de hoje, mas o embrião que a faria surgir.

A ideia inicial era criar uma rede para uso do Departamento de Defesa dos EUA. Era o auge da Guerra Fria e por esta razão foi solicitado aos cientistas responsáveis pelo projeto, o desenvolvimento de uma rede de computadores para comunicação estratégica entre os principais centros militares de comando e controle, que pudesse manter-se operando em um possível ataque nuclear a um ou mais pontos.

Assim, se um centro fosse atacado, os demais seriam mantidos operacionais e comunicando-se entre si. Surgiu então o conceito central da Internet: é uma rede em que todos os pontos se equivalem e não há um comando central. A partir daí, se temos uma rede de três pontos A, B e C, mas B deixa de funcionar, A e C continuam a poder se comunicar.

O projeto foi viabilizado em 1969, nos Estados Unidos. Interligava originalmente laboratórios de pesquisa e se chamava ARPAnet (ARPA: Advanced Research Projects Agency). Ao longo dos anos 70 e meados dos anos 80 muitas universidades se conectaram a essa rede, o que moveu a motivação militarista do uso da rede para uma motivação mais cultural e acadêmica.

Em função deste conceito não há um único centro que "governa" a Internet. Hoje ela é um conjunto de milhares de redes no mundo inteiro que interligam-se umas às outras de maneira autônoma. O que essas redes têm em comum é o protocolo TCP/IP (Transmission Control Protocol/Internet Protocol), que permite que elas se comuniquem umas com as outras. Esse protocolo pode-se dizer, é a “língua” comum de todos os computadores e demais dispositivos que comunicam-se entre si por meio de todas essas redes, usando um código em comum.

Em 1983, a Arpanet já era grande demais para atender os requisitos de eficiência e segurança dos militares. A saída foi abandonar o projeto e fundar uma rede privativa, a Milnet. Ainda nos anos 80, a National Science Foundation (NSC) criou a Csnet (para a comunidade científica) e junto com a IBM, a Bitnet (para estudiosos de matérias não-científicas).

A conjunção destas e de outras redes levou o nome de Arpa-Internet. O nome Internet – isoladamente e sem o prefixo Arpa – propriamente dito surgiu bem mais tarde, quando a tecnologia passou a ser amplamente usada para conectar universidades e laboratórios, primeiro nos EUA e depois em outros países.

A significativa afluência de pessoas para a grande rede no mundo inteiro e a necessidade de uma infraestrutura mais segura e veloz para o uso de novas aplicações, como telemedicina e videoconferência, levou a comunidade acadêmica a investir em novas tecnologias.

Em fins de 1996, um grupo de 34 universidades dos Estados Unidos criou o projeto Internet2. Redes acadêmicas de todas as partes do mundo passaram pelo mesmo processo e começaram a impulsionar a Internet de maneira decisiva e que já começava a transpor fortemente o ambiente acadêmico e científico e começa a vislumbrar horizontes comerciais.

A Internet no Brasil

No Brasil, os primeiros embriões de rede surgiram em 1988, ligando universidades e centros de pesquisa prioritariamente do Rio de Janeiro e São Paulo, com as instituições nos Estados Unidos. As principais universidades do país deram os primeiros passos nesta direção, mais propriamente a USP, a Unicamp, a PUC e algumas poucas universidades federais.

A RNP (Rede Nacional de Ensino e Pesquisa) surgiu em 1989 para unir essas redes embrionárias e formar um backbone de alcance nacional. Um ano antes, o Instituto Brasileiro de Análises Econômicas e Sociais (Ibase) começou a testar o AlterNex, o primeiro serviço brasileiro de Internet não-acadêmica e não-governamental.

Inicialmente restrito aos membros do Ibase e associados, o AlterNex foi aberto ao acesso público em junho de 1992. Em 1991, a RNP inaugurou o primeiro backbone brasileiro, destinado exclusivamente à comunidade acadêmica.

Em abril de 1995, o governo resolveu abri-lo, fornecendo conectividade a provedores de acesso comerciais. Este passo gerou um dilema entre os usuários e parceiros da RNP, como revela o estudioso Ernest Wilson, "muito cedo irromperam disputas no Brasil sobre o papel da RNP, se esta deveria permanecer uma rede estritamente acadêmica com acesso livre para acadêmicos e taxada para todos os outros consumidores".

O tempo tratou de resolver o dilema. O crescimento acelerado da Internet comercial no Brasil fez com que a RNP pudesse retirar seu apoio e voltar novamente sua atenção para a comunidade científica. Em 1995, por meio do Ministério de Ciência e Tecnologia e do Ministério das Comunicações, foi criado o Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), para coordenar e integrar as questões relacionadas à rede no Brasil.

O projeto RNP2 teve início em 1997. A carência de uma infraestrutura de fibra óptica que cobrisse todo o território nacional fez com que se optasse, num primeiro momento, pela criação de redes locais de alta velocidade, aproveitando a estrutura e o potencial de algumas regiões metropolitanas. Ainda em 97, foi lançado o edital Projetos de Redes Metropolitanas de Alta Velocidade, com o apoio financeiro do Cnpq e do Comitê Gestor da Internet no Brasil.

Em 1999, os ministérios da Educação e da Ciência e Tecnologia assinaram um convênio para implantação do backbone RNP2 que interligaria todo o país em uma rede de alta tecnologia. O acordo recebeu o nome de Programa Interministerial de Implantação e Manutenção da Rede Nacional para Ensino e Pesquisa.

O novo backbone foi oficialmente lançado em maio de 2000 e pouco tempo depois conectava todos os estados brasileiros com uma capacidade máxima de tráfego de 155 Mbps. O RNP2 conectava-se ao projeto Internet2, através de uma linha de 45 Mbps, usada prioritariamente para a realização de experiências. Outra conexão internacional, de 155 Mbps, era utilizada para tráfego internet de produção, como e-mail, web, ftp.

Em 2002, o presidente da república transformou a RNP em uma organização social. Com isso, ela passa a ter maior autonomia administrativa para executar suas tarefas e o poder público ganha meios de controle mais eficazes para avaliar e cobrar os resultados traçados para a organização.

Hoje, segundo o que a própria RNP informa, ela “provê aos seus clientes um serviço de rede moderno e de alto desempenho, aliado a um portfólio de serviços de comunicação e aplicações de colaboração a distância como suporte às suas atividades em educação e pesquisa. Está presente em todas as unidades da federação através de 27 Pontos de Presença, que formam a espinha dorsal da rede acadêmica nacional, a rede Ipê”.

A Internet comercial

A segunda metade da década de 90 viu desenvolver a Internet a taxas de crescimento incríveis, mais especificamente devido ao surgimento de sites que viam na Internet um potencial comercial enorme. Mais que isso, muito embora grande parte das pessoas costume associar a ideia de Internet com acesso a páginas Web, o conceito é muito mais amplo e sobretudo extremamente dinâmico.

Era justamente apoiando no fato da sua constante e cada vez mais rápida evolução e ampliação, que residia o principal mérito que a Internet tinha do ponto de vista comercial. A gama de “subprodutos” – se é que podemos atribuir esta denominação – que surgiam momentaneamente, tornava-a promissora comercialmente falando.

Acessar um site e ver o seu conteúdo, era apenas uma das muitas funcionalidades que a Internet possibilitava. O e-mail (correio eletrônico) foi o primeiro "serviço" a ser inventado, ainda em 1972, embora demorasse algum tempo até que a sua utilidade e alcance fossem totalmente percebidos. Através dele, agora era muito mais fácil fazer negócios e com isso serviços como Yahoo!, entre muitos outros que apareceram naquela época.

A ideia de se poder ter quase instantaneamente a uns poucos cliques de mouse e/ou toques de teclado praticamente qualquer informação que se desejasse e uma gama de serviços que tinha como único limitador a engenhosidade das pessoas por trás dos serviços que surgiam dia após dia, foi o grande motivador do sucesso da Internet naquela época.

As empresas que faziam negócios da maneira “tradicional”, começaram a enxergar o potencial da “nova tecnologia” e começaram a investir maciçamente nas pequenas empresas que surgiam por trás dos sites e com isso, os sites e serviços a eles associados avolumaram-se a ponto de criar impérios quase da noite para o dia! Foi nesta época que criou-se o termo “empresas ponto com”, ou seja, as empresas que tinham seus negócios baseados na Internet.

Mas toda a euforia daquela época, somada a ganância e a especulação diante de todo o volume de lucros que existia, em parte foi freada com o que a história chamou de “bolha da Internet”. Da mesma forma que uma bolha de sabão, não tem sustentação por muito tempo, alguns negócios literalmente quebraram e o que se viu então, foi um grande número de empresas que sumiram tão rápido como apareceram e cresceram.

Depois da bolha da Internet

O momento que se viu após a bolha, que teve como auge o ano de 2000, foi de cautela. Os motivos que levaram ao grande impulso das empresas baseadas na Internet, ainda eram o mesmo. O que mudava, é que na verdade nada mudava. Melhor explicando, todo planejamento e administração que sempre norteou os negócios físicos e que de certa forma foram negligenciados durante o crescimento da bolha, agora tinham novamente a importância que mereciam ter.

Com isso uma nova onda – dessa vez mais comedida – consistente de empresas “ponto com” começou a surgir. Muitas das grandes empresas de mais tempo na Internet, veio desta época, como por exemplo, o Google, que nasceu ainda durante a bolha, mas cujo ingresso no hall das grandes empresas do setor, só se deu em 2004, quando fez sua primeira oferta pública de ações.

E desde a mesma época o Brasil mostrou que estava disposto a participar não como coadjuvante, mas protagonista. Ainda em 2003, segundo dados da Nielsen / Netratings, o internauta brasileiro atingia o recorde como o usuário que mais tempo passava conectado no mundo. Desde então, a avalanche brasileira na Internet, registra recordes sucessivos até o ponto de se tornar o país com o maior número de usuários da rede social Orkut, com 40 milhões, no ano de 2008.

Informações de uma entrevista de como era o panorama da Internet no Brasil naquele mesmo ano de 2003, dão uma noção precisa do comportamento e dos rumos que a rede tomava: “Os jovens internautas brasileiros estão mais expostos à Web que ao cinema, por exemplo", afirmava Fabia Juliasz, diretora executiva do IBOPE eRatings.

"Esse público é composto majoritariamente pela classe A e B, com grande poder de compra e influência sobre os gastos familiares em itens como eletrônicos, alimentação e diversão. Cresceram dentro de um ambiente bem mais digitalizado que a geração anterior, e irão se relacionar com a mídia e o marketing de maneira mais sofisticada que seus pais", seguia destacando a executiva, para enfim dizer: "O grande desafio é popularizar o uso, principalmente entre as classes C e D"

O cenário da Internet hoje

Mas a coisa mudou. Se antes a Internet era privilégio de algumas elites, hoje ela está ao alcance de várias camadas da população e o desafio mencionado na entrevista, enfim foi vencido. Dados do PNAD apontam que no Brasil, em 2016 quase 75% dos domicílios estavam conectados à Internet. De 2016 para 2017, o percentual de pessoas que acessaram à Internet através do celular aumentou de 94,6% para 97,0%.

“Enviar ou receber mensagens de texto, voz ou imagens por aplicativos diferentes de e-mail” foi a finalidade de acesso à rede indicada por 95,5% dos usuários da Internet. “Conversar por chamada de voz ou vídeo” foi a finalidade que apresentou o maior aumento de 2016 (73,3%) para 2017 (83,8%), são alguns outros dados da mesma pesquisa do IBGE e que revelam como a Internet está entranhada no quotidiano do brasileiro de todas as classes.

Mas obter os números recentes acerca da Internet e de tudo que ela mobiliza, não é tarefa fácil. Tão logo um levantamento é feito e publicado, ele já está desatualizado. O crescimento é vertiginoso e até onde pode chegar, é difícil prever e mesmo os institutos de pesquisa mais renomados, têm falhado para menos nas suas previsões.

Os dados de 2019 são compostos por números gigantescos, como os que seguem, segundo os sites Internet World Stats e Hosting Facts:

  • Cerca de metade dos usuários de Internet no mundo, estão localizados na Asia;
  • Do total de mais de 7.7 bilhões de pessoas no mundo, quase 4,4 bilhões utilizam a Internet, o que representa 56,8% da população mundial;
  • Na América Latina, 2 em cada 3 pessoas tem acesso à Internet, ou 67,5% da população;
  • Na Europa e nos EUA, os percentuais de utilização da rede, são de 86,8% e 89,4% respectivamente, ou seja, de cada 10 pessoas, entre 8 e 9 realizam acessos regulares à Internet;
  • O país com maior número de usuários, é a China, com 802 milhões de pessoas, sendo que 98% efetua o acesso por dispositivos móveis;
  • Calcula-se que 1,92 bilhão de pessoas devem comprar algo on-line em 2019;
  • Há mais de 340 milhões de domínios registrados, sendo que deste total, mais de 43% utiliza a extensão .com;
  • O ano de 2018 encerrou com mais de 1,9 bilhão de sites existentes;
  • Estima-se que os sites de comércio eletrônico deverão movimentar cerca de US $ 3,45 trilhões em vendas em 2019;

Há muito mais números e indicadores e todos servem para mostrar sem exceção, que a Internet ao contrário de uma promissora oportunidade na década de 90, agora consolida-se como uma realidade global da qual não se pode mais prescindir.

Qual o futuro da Internet?

Aqui há apenas duas certezas. A primeira tem a ver com a palavra imaginação, já que só podemos imaginar algumas possibilidades. Ninguém que não esteja disposto a errar, pode estabelecer uma projeção precisa de médio prazo, pois sucessivamente os números têm sido superiores até mesmo aos que constam das previsões mais otimistas. A segunda, é que o que o futuro nos reserva depende muito da criatividade das pessoas envolvidas e da tecnologia disponível.

A criatividade porque temos nos deparado com todo tipo de serviços baseados na Internet surgindo e tornando-se disponíveis por meio de sites e aplicativos para smartphones. Já a tecnologia, tem tornado viáveis ideias que até pouco tempo atrás, estariam resumidas aos filmes de ficção científica.

Exemplos reais do que a tecnologia tem possibilitado, são muitos e já são quase parte do passado, tal a velocidade com que surgem novidades. O futuro, já começou e tem suas bases em questões como o 5G, a Inteligência Artificial, o Machine Learning, a Internet das Coisas (IoT) entre outros adventos tecnológicos que estão expandindo os horizontes de até onde a Internet pode chegar, de uma maneira imaginável apenas às mentes mais inventivas.

O que é certo, é que nada é permanente, exceto a mudança. O que hoje é regra, amanhã poderá estar sendo obscurecido por um novo serviço, uma nova maneira de se fazer as coisas, de se consumir e até mesmo de viver. A Internet definitivamente tem sido capaz de mudar comportamentos, relações, desejos, necessidades e expectativas de uma maneira tão radical e rápida, como nunca o homem experimentou em séculos de existência.

Há até quem diga que não consegue viver mais sem ela, da mesma forma que precisa dormir, comer e respirar!

Conclusão

A Internet nasceu na década de 60 como aplicação militar, mas ao longo de duas décadas abandonou suas origens belicistas, ganhando motivação comercial, fazendo surgir impérios que têm na Internet, seus alicerces. Passados cerca de 50 anos de seu surgimento, ela evoluiu de tal maneira, que não é exagero dizer que boa parte da forma como conhecemos das pessoas se relacionarem comercialmente e pessoalmente, depende dos recursos que a Internet pode oferecer.