Fake News e desinformação na Internet: O que é e quais seus impactos

Tão logo a Internet começou a sua avassaladora expansão e sites de todos os tipos começaram a proliferar, entre tudo o que passamos a ter acesso, veio o que muitos chamaram de democratização do conhecimento.

De fato a informação hoje está literalmente ao alcance dos nossos dedos, bastando tocar e clicar aqui e acolá, para ter acesso a tudo o que o homem tem produzido de conhecimento. Mas quase na mesma medida, constata-se um movimento preocupante pelas suas consequências e de certa forma paradoxal, que é a desinformação na Internet!

O que é desinformação?

O termo desinformação tem ganho destaque nos últimos anos e em cenários mais amplos, tem sido alvo de estudos acadêmicos profundos. Fora desse escopo, tem sido caracterizado como um conjunto de ações e técnicas aplicadas na comunicação, alterando a informação circulante de forma deliberada, com intuito de produzir uma visão alterada da realidade, com motivações e propósitos os mais variados.

Geralmente há interesses de grupos privados ou políticos associados a alteração da informação, a qual invariavelmente afeta a opinião pública e mesmo o discurso público, em diferentes graus e é quando aqueles por trás da manipulação da informação real, beneficiam-se ao criar uma imagem ou conceito a respeito de um tema, que lhes é favorável, mas que não é baseado em verdade e em fatos.

A alteração pode ser sutil, por simples omissão de dados importantes do todo da informação ou por mera distorção de outros ou em casos extremos, pode não haver nenhuma fundamentação real.

Seja em que nível a informação sofra alteração ou qual o propósito de sua modificação, a consequência imediata é que todas as pessoas as quais são atingidas, não estão sendo informadas adequadamente. Não têm informação real, verídica, fundamentada, comprovada e assim, ao invés de ter informação, têm desinformação.

Mais que isso, estão sendo enganadas e dependendo da situação, podem estar sendo prejudicadas em diferentes níveis e até mesmo sob algum tipo de ameaça.

As fake news, a desinformação e a Internet

A desinformação não é algo dependente da Internet e tampouco surgiu em sua função. Não é algo novo. A desinformação manifesta-se por exemplo, nos boatos, os quais existem desde os mais primórdios tempos.

A disseminação de informação falsa ou imprecisa, é um fenômeno acima de tudo social e relacionada à comunicação em várias esferas, vide a popular brincadeira do telefone sem fio, na qual uma informação pode ser totalmente distorcida, a medida em que é propagada por diferentes pessoas, embora nesse exemplo, a alteração na informação, costume ocorrer de forma involuntária, por simples presença de diferentes níveis de ruído na comunicação ou fatores externos que a afetem.

Nesse cenário, a Internet, da mesma forma que oferece os meios para disseminar a “boa informação”, facilita em igual medida a expansão da desinformação e ultimamente em maior medida, as fake news ou notícias falsas. Passar adianta qualquer dado, verdeiro ou falso, está a um clique, graças às redes sociais e seus mecanismos de compartilhamento.

Para aqueles que se beneficiam da propagação de fake news ou hoaxes (boatos), a disponibilidade e diversidade de ferramentas e o custo da ordem de pouquíssimos centavos por cada mensagem enviada, torna a disseminação extremamente acessível e dependendo da motivação, bastante lucrativa.

E ainda há a disseminação involuntária, a qual ocorre não porque se pretende obter algum tipo de vantagem, mas por uma mera questão comportamental. O ser humano tende a crer e confiar naqueles com quem se relaciona e assim, se as pessoas que compõem a sua bolha social e que em linhas gerais têm uma visão de mundo semelhante, presumem que se uma dada informação que é compartilhada por todos, tende a ser verídica e dispensa confirmação.

Mais que isso, quando um dado serve para confirmar crenças, conceitos e opiniões próprios, é uma tendência para muitos desconsiderar outros dados que sejam contrários ou que coloquem em dúvida sua credibilidade. Ou seja, funciona como um aval que vem reforçar as próprias convicções e opiniões.

Particularmente no momento atual, em que existe uma intensa polarização relativa a muitas questões e, sobretudo, política e social, as bolhas em que as pessoas vivem, intensificaram essa segregação de opiniões e que se observa até mesmo nas redes sociais, como reflexo de grupos cada vez mais bem definidos, formados com base em ideário comum.

Assim, se o grupo no qual alguém está inserido, é integralmente partidário de uma ideia, notícias falsas (fake news) que fundamentam tais ideias, provavelmente não serão questionadas. Ao contrário, servem para reforçar seus pontos de vista e aumentar o abismo que as separa de quem pensa diferente, intensificando ainda mais a polarização.

Por fim, há ainda a boa fé ou aqueles que têm um comportamento crédulo e que pelo simples fato de constar como conteúdo em um site ou blog, presumem que a informação é verdadeira e assim a propagação das fake news se dá sem pretenso interesse, mas com igual impacto e consequência negativo.

Há muitos sites que divulgam informações imprecisas, muitas vezes não por má-fé, mas por estarem reproduzindo dados de outros sites que também não checaram a exatidão da informação veiculada. Quanto mais isso acontece, mais as fake news ganham força e desinformam.

Para evitar situações como essa, que o Wikipedia contém alertas sobre determinados conteúdos que carecem de fontes confiáveis. Mas apesar disso, é comum encontrar pessoas que sustentam seus argumentos, em coisas como: “É verdade! Está no Wikipedia. Vá lá e confira você mesmo”.

As consequências das fake news e da desinformação na Internet

Há projetos de lei que tramitam há algum tempo nas casas legislativas, no sentido de responsabilizar até mesmo criminalmente a disseminação de fake news ou mesmo de informações que forem divulgadas sem que tenham sido verificadas previamente quanto à sua veracidade, independente da motivação. No entanto, ainda não há legislação específica regulando a questão.

As consequências negativas da desinformação e das fake news, independente de como se manifestam, são evidentes. Em casos extremos, podem trazer perdas financeiras e até mesmo casos fatais, como de Fabiane Maria de Jesus, vítima de linchamento por divulgação de informações falsas em redes sociais.

O impacto da desinformação na Internet, já virou até mesmo motivo para instauração de uma CPMI da Fake News (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) no Senado e Câmara Federal, com intuito de avaliar as responsabilidades e impactos que as fake news podem ter tido nos destinos da nação.

Sites de reclamação e avaliação das relações de consumo, também tem sido usados como ferramentas para disseminação de informações inverídicas, com objetivo de afetar a imagem de empresas concorrentes, apenas para mencionar outro exemplo de como as fake news se manifestam.

Em termos de Marketing, especificamente através de campanhas publicitárias, com informações claramente distorcidas em muitos casos, o que se vê são anúncios que prometem resultados excepcionalmente bons de produtos totalmente desconhecidos, como por exemplo, o emagrecimento rápido em prazos mínimos ou a solução para a calvície, entre outros.

Nestes casos, os produtos geralmente passam longe de ser o que prometem, mas muitas vezes o consumidor sente-se constrangido por ter recorrido ao produto e até mesmo por ter acreditado em algo que as vezes beira o charlatanismo e assim, as empresas que praticam de forma deliberada a propagação da desinformação, perpetuam-se na certeza da impunidade, a despeito do prejuízo financeiro e moral que provocam no consumidor.

Fake news e desinformação, são de certa forma sinônimos, na medida em que um ou outro, independente das razões que os originaram, produzem perdas em diferentes esferas, nas pessoas que são afetadas e até mesmo é capaz de alterar o discurso público e comprometer o equilíbrio social.

Conclusão

A desinformação por si só já representa um desserviço, na medida em que as pessoas que tem acesso a ela, invariavelmente são prejudicadas em vários níveis, que pode ser apenas financeiro, mas que pode em situações extremas, representar até mesmo uma ameaça à vida. Com a Internet, a desinformação é amplificada tanto em termos de poder de alcance, como em velocidade com que se propaga.

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