Inteligência Artificial – Tudo o que você precisa saber

A tecnologia e particularmente a de ponta, normalmente só está disponível àqueles que têm mais recursos, exceto quando se trata da Inteligência Artificial. Definitivamente presente, em maior ou menor grau, em caráter ativo ou passivo, a Inteligência Artificial ou simplesmente IA, é a parte da tecnologia que mais pode interferir na própria tecnologia. Entenda porque, bem como os cuidados e tudo o que você precisa saber sobre.

O que é Inteligência Artificial?

A inteligência artificial possibilita a aprendizagem por parte das máquinas de determinados conceitos, reconhecimento de situações, avaliação de possibilidades e aplicação de soluções com base nos três primeiros aspectos, em diferentes situações que podem ocorrer aleatoriamente.

Ou seja, é o desenvolvimento da mesma capacidade que os humanos têm de avaliar uma situação e decidir. Mais que isso, também como nós fazemos, o acumulo de informação e o aprendizado, fazem gerar novas competências em um ciclo permanente de desenvolvimento e retro-alimentação, no entanto, por parte de um dispositivo que pode ser apenas um relógio ou um celular, ao invés de um ser vivo.

O objetivo – como costuma ser da maior parte dos adventos tecnológicos – é de prover soluções melhores, mais rápidas, mais amplas, mais acessíveis, mais seguras e eficientes a todos. Resumidamente, tem o papel de melhorar os resultados e os aspectos da vida para as pessoas.

A Inteligência Artificial e o cinema

A Inteligência Artificial sempre foi um assunto que intrigou e motivou o ser humano. Embora se faça presente e tem se falado de maneira frequente apenas nos últimos anos, já há muitas décadas é motivo de curiosidade. Isso se reflete nos filmes de ficção científica, onde foi tema de muitos e grandes sucessos.

Comemora-se já meio século em 2018, que o grande clássico do cinema “2001: Uma Odisseia no Espaço” foi às telas e que tinha como “personagem” central, o computador HAL-9000, que não apenas pensava, mas parecia que era capaz de sentir, segundo Slanley Kubrick, responsável pelo filme, revela: "HAL teve uma aguda crise emocional porque ele não conseguia aceitar as evidências de sua própria falibilidade".

Quatorze anos depois, em 1982, “Blade Runner” outro clássico de Hollywood mostra um tempo em que humanoides criados e dotados de inteligência para realizar tarefas que ofereciam risco aos humanos, viviam entre nós. Tal como em 2001, alguns assumiram não apenas a capacidade de pensar, mas de questionar seu próprio fim e seu destino.

Outro ícone da sétima arte, é a trilogia “Matrix” e mais uma vez se pôde ver as máquinas tomando dimensão humana, especialmente no segundo filme (“Matrix Reloaded”), em que existe uma conversa de conotação existencial entre o protagonista do filme (Neo) e o “Arquiteto”, que é ao mesmo tempo o idealizador de tudo e a “mente” associada às máquinas.

Por fim, mas não o último, nem tampouco apenas o quarto filme a tratar da questão, “Eu, Robô”, que é inspirado em clássico de Isaac Asimov, também faz uma abordagem quase humana do universo, em que a inteligência artificial vai além e questiona o papel e a existência dos robôs.

A lista de filmes que trata do assunto, como tema central ou como parte de outros enredos, é extensa. Isso acontece justamente porque a IA desperta interesse e ronda o imaginário popular e na maior parte das vezes, trás inquietações e perguntas éticas e filosóficas.

A história da Inteligência Artificial

Se nas telas o assunto sempre foi sucesso, não foi diferente no mundo real e particularmente nos meios acadêmicos, onde tudo aconteceu e se desenvolveu. Não há um marco do seu nascimento, mas há alguns acontecimentos que foram decisivos e que caracterizam como ela evoluiu ao longo dos anos.

Há consenso que o primeiro grande trabalho no sentido de alavancar as bases do que chamamos hoje como Inteligência Artificial, foi o estudo sobre Redes Neurais, de autoria de Warren S. McCulloch e Walter Pitts, no qual propunham um modelo matemático que tinha como princípio e fim, o funcionamento dos neurônios, isso já em 1943.

Bastaram apenas 7 anos e alguns outros trabalhos, também de professores universitários, para que em 1950 Claude Shannon, propusesse como programar uma máquina para jogar xadrez, sendo que este foi qualificável como o primeiro passo no sentido de flertar com os princípios do que viria a ser o pensamento da máquina ou inteligência artificial.

Outro a trabalhar nesta área, foi o lendário Alan Turing, que criou um teste que tentava mostrar que uma máquina poderia imitar um humano e que ficou conhecido como Teste de Turing ou Jogo da Imitação e que se propõe a testar a capacidade de uma máquina de exibir comportamento linguístico equivalente ao de um ser humano e que não pudesse ser distinguido dos emitidos por pessoas.

No teste ou experimento uma pessoa interage livremente através de um computador com outra pessoa localizada em outra sala e com um programa de computador, que simula a conversa humana. Caso a primeira pessoa não consiga diferenciar o humano da máquina, com base nesta conversa, então a máquina seria considerada inteligente. O teste foi mencionado em um artigo de 1950, de nome “Computing Machinery and Intelligence

Em 1958, a linguagem de programação LISP foi criada por John McCarthy, um dos principais nomes da IA e que mais tarde, durante as décadas de 70 e 80, tornou-se a principal linguagem da comunidade de Inteligência Artificial. Na década de 90, o Prolog, nascida na década de 70, tornou-se a principal linguagem com este fim.

A década de 80 foi decisiva pelo avanço obtido com o termo Machine Learning, que pode ser resumido como o aprendizado por parte das máquinas na realização de tarefas, sem ter que haver programação específica para que este aprendizado ocorra. O fundamental no processo, é o “treinamento”, através de uma quantidade suficiente de exemplos em que se consegue diferenciar situações e características em comum, bem como padrões.

Outra década se sucedeu e desta vez o boom da Internet foi responsável por outro grande salto. Muitos sites, muito conteúdo e muita informação sendo catalogada, organizada e buscada. Como suprir o mundo com todo o volume de dados que vinha sendo produzido? Nos anos 90 começou boa parte do que vemos hoje, com nomes como Microsoft, IBM, que já eram grandes e outras ainda nem tanto, como Google, Yahoo! e Amazon, investindo pesado nessa área.

Um exemplo clássico, é também um marco histórico e um literal embate entre homem e máquina acontece: Garry Kasparov, o então maior nome do Xadrez e Deep Blue, a máquina criada pela IBM, enfrentam-se em 1996 e 1997 em uma série de partidas de Xadrez, para saber se a máquina enfim poderia superar o homem. A imprensa do mundo cobriu as disputas, nas quais houve vitórias dos 2 lados.

Embora já fosse suficientemente impressionante saber que uma máquina fosse capaz de vencer em uma área em que a inteligência era virtude até então exclusivamente humana, como o Xadrez, ela só era capaz disso, ou seja, jogar um jogo.

WATSON e um novo marco

O ano foi 2011, quando outra criação da IBM, desta vez nomeada de Watson, foi capaz de vencer não um, mas dois seres humanos considerados muito bons em algo. O cenário, foi o Jeopardy, o mais tradicional programa americano de perguntas e respostas. Os adversários eram os dois campeões de maior sucesso da história do programa - Ken Jennings, 74 vezes vencedor do popular quiz e Brad Rutter, 20 vezes campeão.

Do lado da Big Blue, 100 servidores IBM Power 750, equipados com 15 terabytes de RAM, atendendo pelo nome de Watson. A declaração de Chris Welty sobre a participação de Watson no programa, resume bem o que a IBM planejava: "Queríamos testar a capacidade de usar perguntas que não foram projetadas para um computador responder".

Watson era capaz de “ler” o texto relativo à dica, identificar as palavras-chave mais importantes, avaliá-las quanto aos seus significados e com base nisso e em algoritmos criados para “raciocinar”, buscar a resposta em banco de dados offline e antes que os adversários humanos, ele respondia às perguntas.

As respostas encontradas são ordenadas de acordo com percentuais de probabilidade e, Watson “aperta o botão” e tenta responder, quando a probabilidade de correção é considerada suficientemente elevada. O que significa que Watson é capaz de encontrar uma resposta mas escolher não apertar o botão, por não ter certeza quanto à exatidão.

Na mesma onda do Watson e Deep Blue, veio a IA da DeepMind, chamada de AlphaGo , que derrotou o melhor jogador humano do Go na última década, Lee Sedol. A característica fundamental neste caso, foi que o algoritmo foi capaz de aprender o jogo "vendo" várias partidas e “treinando" através de jogos contra si próprio.

A Inteligência Artificial no nosso dia a dia

Em praticamente qualquer coisa que se faça hoje em dia, há participação de Inteligência Artificial. Quando você efetua uma pesquisa no Google, o preenchimento do campo de pesquisa usa entre outras tecnologias, IA. O mesmo se aplica quando você usa suas redes sociais e até mesmo seu aplicativo de comunicação, quando sugestões de palavras-chave enquanto digita, são dadas com base na avaliação do contexto.

Serviços de atendimento telefônico de muitas empresas já se utilizam de mecanismos de Inteligência Artificial, aliado com reconhecimento de voz, sendo que muitas vezes 100% da interação humana é dispensada. A ampliação deste tipo de suporte para outros canais, tem sido grande, visto que além de se obter índices de satisfação crescentes com os resultados obtidos, ainda é possível obter redução nos custos com mão de obra a longo prazo.

Há cada vez mais serviços autônomos em que procedimentos que antes eram conduzidos por pessoas, deram lugar a sistemas programados para ações determinadas previamente, como é o caso de algumas linhas de metrô em alguns países e inclusive no Brasil, tendo como ilustre exemplo, a cidade de São Paulo.

Hoje muitos automóveis são fabricados por robôs e estima-se que em poucos anos, as pessoas serão não serão necessárias nem mesmo para dirigi-los. Já há tecnologias que substituem integralmente tal necessidade e sua implantação só não é uma realidade ainda, pois se busca índices de segurança da ordem de 100%, em relação às tecnologias usadas, ou seja, busca-se erro zero por parte do “motorista robô”.

Imagina-se até mesmo um futuro em que as tecnologias existentes para produzir máquinas tão inteligentes, que elas possam criar coisas e responder a perguntas que o homem ainda não foi capaz. Serão capazes de criar novas tecnologias e melhorar a elas mesmas. Mas ao mesmo tempo em que este limiar parece alcançável, também parece preocupante.

Cuidados com a Inteligência Artificial

Em uma entrevista à BBC, Stephen Hawking, um dos nomes mais respeitados no meio científico, disse sobre a Inteligência Artificial: “O desenvolvimento da Inteligência Artificial total pode levar ao fim da Raça Humana”.

Não é difícil entender o porquê e qual era o receio de Hawking e em quais cenários isso poderia ser possível. Apenas imaginando algo similar ao enredo do filme “Exterminador do Futuro”, já se deve pensar em ressalvas na adoção da IA de modo irrestrito. Há correntes que defendem legislação bastante restritiva ao usá-la na indústria de armamentos.

Outro campo que tem recebido protestos, é o ligado à segurança. Em nome dela por exemplo, muitas cidades no mundo têm adotado sistemas de câmeras em que é possível identificação facial das pessoas com propósito de localizar criminosos, mas por outro lado, estaria expondo direitos fundamentais de todos quanto à privacidade.

O mesmo tipo de argumento e também defendendo aspectos relacionados à privacidade, está a questão do uso de dados pessoais quando fazemos uso das redes sociais. Com base no tipo de conteúdo que cada pessoa publica, lê, compartilha, reage emocionalmente, os sistemas das redes são capazes de traçar perfis psicológicos tão profundos e comportamentos tão precisos, que isso tem sido usado para veiculação publicitária e até mesmo questões mais específicas, como intenção de voto e o escândalo recente envolvendo o Facebook.

O assunto é extenso e, sobretudo, polêmico. Exige ponderação, reflexão e discussão, pois em possibilidades extremas, pode ter desdobramentos catastróficos. Conferir o destino da humanidade às máquinas não parece algo sensato.

Conclusão

A Inteligência Artificial é sem dúvida um dos ramos da tecnologia mais sedutores e importantes e que tem por objetivo produzir benefícios e resultados no sentido de melhorar a vida das pessoas. Porém também há aspectos que devem ser tratados de maneira responsável e refletida, a fim de não criar problemas com os quais não sejamos capazes de lidarmos ou por algo que supere nossa capacidade de fazê-lo.