Cloud Computing: Tudo que você precisa saber

Nos últimos anos quando o assunto é relacionado à tecnologia, um termo tem ganho destaque - com uma frequência que só faz crescer – nos jargões da área: Cloud Computing. Eventualmente, se usado no Brasil, virá sob o nome de Computação em Nuvem. Mas seja na sua forma tupiniquim ou internacional, você sabe claramente o que é? Se você hesitou um momento para responder, então tudo o que você precisa saber sobre Cloud Computing, vai constar nas próximas linhas deste artigo.

O que é Cloud?

Responder o que é Cloud Computing ou simplesmente Cloud, como muitos costumam usar, exige conhecer um pouco de sua história e alguns conceitos. A primeira pergunta a se responder, não é exatamente o que é, mas por que Cloud ou nuvem?

Por que se chama Cloud?

Em computação, desde os seus primeiros anos, sempre foi possível dizer onde cada coisa estava e o papel de cada componente. Você era capaz de responder onde seus dados estavam gravados, qual o processamento que tinha à disposição no seu computador ou terminal, onde seus programas estavam instalados, entre uma série de respostas. Mas e hoje?

Se você tem documentos no Google Docs, arquivos diversos no Onedrive, fotos no Flickr, ouve músicas no Grooveshark ou Google Play Music ou simplesmente instala Apps no seu smartphone, você está usando a nuvem ou um serviço Cloud. Mas é capaz de dizer onde este conteúdo está fisicamente disponível? Naturalmente em um ponto da infraestrutura de servidores da empresa responsável pelo serviço, mas o lugar (espaço) em que isso se encontra, talvez nem mesmo a área técnica da mesma seja capaz de responder.

Seus valiosos dados, suas memórias, seu trabalho, seu lazer, podem estar distribuídos nos 6 continentes (sim, já há um pequeno datacenter na Antártida!) sem que você faça a menor ideia de onde cada parte disso tudo está, ou seja, está tudo disperso em vários pontos, da mesma forma como o vapor e as gotículas de água formam as nuvens. Tudo isso está lá, mas não tem dimensão, forma e localização fixos e permanentes. Mudam dinamicamente de acordo com o ambiente e suas variações.

Entendeu porque Nuvem?

Quando surgiu o Cloud?

Não há uma data ou marco de fundação do Cloud Computing e tampouco é propriedade de alguém ou alguma empresa. O conceito é antigo e os princípios que levaram a sua concepção, surgiu nas grandes universidades e centros de pesquisa.

Desde muitas décadas atrás havia a necessidade de se dispor de grandes volumes de processamento para cálculos matemáticos complexos, como por exemplo, no CERN, que é a Organização Européia para Pesquisa Nuclear (em francês: Organisation Européenne pour la Recherche Nucléaire) e daí veio a ideia de se utilizar o poder de processamento de vários computadores distribuídos e interligados em uma grade (grid em inglês), para produzir um resultado final melhor e mais poderoso e que se chamou LCG, cuja primeira fase do projeto data de 2003.

Mas antes mesmo do uso prático do conceito por parte do CERN e em outras iniciativas ao redor do mundo, o conceito de computação em grelha ou grade, já era discutido e conta com um trabalho bastante detalhado tecnicamente por professores da Universidade da Califórnia (UCLA) e Universidade de Chicago, datado de 1998 e que viria ser mais tarde considerado como a “Bíblia da Grade”.

O avanço comercial do Cloud

Se o início preciso do Cloud não é datado, sua exploração comercial pode-se dizer que tem como marco o lançamento por parte da Amazon do serviço Elastic Compute Cloud (EC2), em Agosto de 2006.

A Amazon certamente é um dos cases mais famosos de adoção do conceito de computação em nuvem, visto que na época era dos mais famintos consumidores de processamento e consumo e armazenamento de banco de dados, que eram necessários para alimentar sua gigantesca plataforma de comércio eletrônico. De consumidor do serviço, passou a grande fornecedor, usando sua infraestrutura e expertise adquirido no gerenciamento de seu Cloud, disponibilizando-o ao mercado.

E na “carona” da Amazon vieram outros gigantes de tecnologia, como Google, Microsoft e IBM e que por razões diferentes, mas por necessidades de negócio, também dispunham de grandes redes computacionais em que foram implantados modelos Cloud e que mais tarde viriam a ser compartilhados com um mercado com demanda crescente por este tipo de serviço.

Resumidamente, o que é Cloud?

Cloud Computing ou Computação em Nuvem, é alocação de capacidade computacional (processamento, memória e armazenamento) de sistemas amplos, robustos, distribuídos espacialmente e em percentuais variáveis para atender diferentes demandas de quaisquer usuários que necessitem de armazenamento, serviços e aplicações, de forma remota por meio da Internet.

Os Tipos de Cloud Computing

IaaS

Infrastructure as a Service ou Infraestrutura como Serviço, que é a situação em que é alocado pelo usuário / cliente parte da infraestrutura do datacenter, o qual pode inclusive atuar como gestor dos recursos, acessando e configurando o sistema operacional de um servidor ou VPS, instalando serviços (ex: e-mail). Com a adoção do IaaS, consegue-se diminuir significativamente a quantidade de hardware local.

PaaS

Plataform as a Service ou Plataforma como Serviço, em português, e que consiste de fornecer uma plataforma (ou várias) como um serviço. Exemplos comuns são ambientes de desenvolvimento de aplicações, onde o serviço já disponibiliza tudo que é necessário, como o sistema operacional, as ferramentas de desenvolvimento e a infraestrutura para executar e/ou testar a aplicação criada.

SaaS

Software as a Service, que é o Software como Serviço, é o tipo mais comum e vem ganhando dia-a-dia mais usuários e como o nome sugere, consiste em fornecer serviços que antigamente eram disponíveis apenas localmente (no computador do usuário) na forma de softwares instalados. Se antes você precisava comprar uma licença e instalar um aplicativo Office no seu PC, agora você pode usar o mesmo aplicativo a partir de vários dispositivos (PC, notebook, tablet, smartphone) com acesso à Internet, mediante um valor mensal ou até gratuitamente (ex: Google Docs).

DaaS

Database as a Service ou Banco de Dados como Serviço, quando o serviço Cloud é voltado a fornecer soluções de armazenamento de grandes volumes de dados para diferentes aplicações. Ao se utilizar um serviço em nuvem para bancos de dados, ganha-se flexibilidade quando é necessária a expansão do mesmo, facilita a troca de informações entre diferentes sistemas que os utilizam, permite a acessibilidade remota, entre outros benefícios.

CaaS

Communication as a Service ou Comunicação como Serviço, consiste basicamente em fornecer serviços de comunicação, como por exemplo telefonia VoIP (Voz sobre IP). Pode-se dizer que geralmente as soluções CaaS são uma integração de SaaS e IaaS, na medida em que os softwares necessários para uso e implantação do VoIP são o lado do SaaS e as redes e servidores em que estão os sistemas, representam o IaaS.

EaaS

Everything as a Service ou Tudo como Serviço, como é de se imaginar, é a situação em que 100% todos os aspectos de uma empresa que são normalmente responsabilidade do Departamento de TI (Tecnologia da Informação), são fornecidos pelo EaaS, ou seja, infraestrutura, comunicação e software.

Modelos de Cloud Computing

Os modelos de computação em nuvem disponíveis, são três, conforme segue:

Nuvem Pública

No modelo público (Public Cloud), os recursos utilizados pelos usuários, são compartilhados.

Nele o provedor de serviços disponibiliza recursos, como máquinas virtuais (VMs), aplicativos ou armazenamento, para o público em geral pela Internet. Os serviços de nuvem pública podem ser gratuitos ou oferecidos em um modelo de “pagamento por uso”.

A nuvem pública caracteriza-se por ser um ambiente virtualizado, ou seja, concebido por máquinas virtuais em um conjunto de servidores (cluster). Apesar do compartilhamento de recursos por parte dos usuários, cada inquilino na nuvem pública tem seus dados isolados dos demais e tanto seus privilégios quanto o acesso aos mesmos é individualizado por usuário e senha.

Outra característica da nuvem pública, é a dependência de uso de alta largura de banda para transmitir dados rapidamente para um grande volume de usuários. Quanto ao armazenamento, o mesmo geralmente é redundante, com replicação dos dados em diferentes localidades, o que resulta em elevada resiliência e segurança.

Os exemplos mais comum deste tipo, são os que usamos atualmente para armazenar nossos dados privados (documentos, fotos, músicas, etc), como os serviços de armazenamento em nuvem.

Nuvem Privada

Da mesma forma que na pública, a nuvem privada - as vezes também referida como nuvem corporativa ou interna - serve recursos computacionais de diversos tipos (IaaS, SaaS, CaaS, etc) também em um ambiente virtualizado, mas que são acessíveis de forma restrita, ou seja, por um único cliente ou empresa, o que caracteriza geralmente patamares melhores de desempenho, segurança, privacidade e controle dos recursos e dados.

A partir do conhecimento minucioso das necessidades da organização / cliente que faz uso da nuvem privada, é possível uma customização de modo a oferecer o serviço na medida exata da demanda, evitando ao mesmo tempo desperdício de recursos, ociosidade e por outro lado, subdimensionamento e consequente problemas de desempenho.

A escalabilidade e elasticidade das nuvens privadas, permitem que o cliente faça ajustes para se adaptar de modo fácil e rápido toda vez que existe uma alteração da demanda ou novas necessidades, também com um custo bem mais atrativo do que o modelo tradicional de computação local.

Nuvem Híbrida

Como é de se imaginar, a nuvem híbrida é quando se tem a utilização em caráter complementar dos dois modelos anteriores de nuvens. Em termos de exemplo, para facilitar a compreensão, imagine que sua empresa tenha um grande volume de dados armazenados remotamente (DaaS), sendo que parte destes dados sejam mais sensíveis a segurança, integridade e sigilo e outra parte deles, seja associada a dados não tão cruciais e até mesmo de domínio público.

Em um caso como o acima, pode-se adotar o modelo Privado e Público, respectivamente para o primeiro e segundo casos e desta forma caracterizando uma nuvem híbrida.

O uso do modelo híbrido, já pode ser feito de forma bem simples e dependendo do caso não você não consegue distinguir quando está usando a nuvem privada ou a pública, na medida em que os provedores fornecem ambos de maneira integrada para facilitar o gerenciamento e seu uso quotidiano.

As vantagens do Cloud Computing

Se você chegou até aqui, intuitivamente já deve estar bem claro que há muitas vantagens na adoção de serviços baseados em Cloud Computing, mas apenas para o caso de que algum aspecto tenha passado desapercebido, vamos listar e comentar brevemente as principais vantagens:

  • Segurança – raras as pessoas e empresas que fazem backup dos dados contidos nas máquinas dos usuários. Já os bons serviços de armazenamento em nuvem, contam com redundância e replicação dos dados, fazendo com que a probabilidade de perda de informação seja próxima de zero.

  • Acessibilidade – os dados podem ser acessados de qualquer dispositivo com acesso à Internet fazendo com que o uso de mídias removíveis (ex: Pen Drive) seja cada vez mais raro nos dias de hoje.

  • Multiplataforma – os sistemas de dados em nuvem não fazem diferenciação quanto ao sistema operacional utilizado e assim independente do dispositivo que usa, conseguirá acessar e manipular seus dados.

  • Licenciamento – na medida em que não é mais necessário adquirir tantas licenças de programas, como por exemplo, um editor de texto, diminui a preocupação com a parte legal e burocrática que algumas vezes o licenciamento de software lhe impõe.

  • Atualização – ao contrário dos softwares instalados localmente, que se tornam obsoletos com o tempo, os serviços em nuvem (SaaS) são atualizados periodicamente de forma automática e incorporam novas funcionalidades e padrões.

  • Hardware – aplicativos para acesso aos serviços em nuvem, geralmente exigem menos recursos de hardware, bem como menos atualizações de hardware para acompanhar as atualizações de software.

  • Manutenção – na medida em que diminui a quantidade de infraestrutura local, também diminui possibilidade de problemas e consequentemente de manutenção.

  • Custos – ao diminuir o investimento em estruturas mais enxutas e mais duráveis ao longo do tempo e por consequência menos exigentes em manutenção, consegue-se em muitos casos uma significativa redução de custos.

Desvantagens no uso do Cloud

Ao contrário dos benefícios de se utilizar serviços baseados em computação em nuvem, a lista de desvantagens não é muito grande. Na verdade, restringe-se apenas aos seguintes aspectos:

  • Conectividade – usufruir dos serviços em nuvem, exige que os usuários estejam sempre conectados à Internet e em alguns casos, a qualidade e velocidade da conexão precisam ser boas para se conseguir um uso adequado.

  • Paradigma – alguns usuários, especialmente os mais antigos, estão acostumados com os conceitos da computação local, como ter um programa instalado no seu computador e seus dados exclusivamente no seu HD. Não é raro encontrar alguma resistência ou dificuldade em mudar este paradigma

  • Custo – em alguns casos paga-se por serviços que são gratuitos na computação local, como por exemplo, armazenamento.

Conclusão

O Cloud Computing não é mais uma novidade e tampouco uma tendência já há algum tempo. A questão a ser respondida, é o quanto você já aderiu e quando aceitará basear tudo o que você tinha antes restrito ao seu computador, agora em algum ponto remoto da nuvem. Sem dúvida exige esforço inicial, vencendo alguma resistência à mudança e adotando novas práticas e ideias, mas sem dúvida em troca de resultados melhores, mais fáceis de atingir e menos custosos. Está esperando o que para ir às nuvens?

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