Qual a importância da latência no desempenho de um site?
Se um dos aspectos que mais te preocupa quando pensa em hospedar seu site, é o desempenho, esse post é para você!
Dentre os indicadores que costumam ser usados para determinar o quão boa é uma hospedagem, um costuma receber especial atenção – a latência!
Mas você sabe o que é latência? Como ela afeta o desempenho? Quando esse aspecto técnico é decisivo e quando não? Enfim, além de responder perguntas como estas, o post de hoje vai lhe permitir uma visão mais ampla e completa de todos os fatores que determinam a performance de um plano de hospedagem para o seu site.
Vamos entender melhor tudo isso?
O que é latência?
De nada adianta falar sobre latência e o seu peso no desempenho de um site, se você não entender bem o que esse indicador representa.
Genericamente, a latência é uma medida de tempo, a qual indica o tempo necessário para que um evento aconteça, com uma clara definição do seu início e fim.
Já a latência no contexto que nos interessa, ou seja, como um indicador usado em redes de computadores, é o intervalo de tempo necessário para que uma determinada quantidade de dados seja transmitida entre dois pontos desta rede. Em função da capacidade que as redes têm atualmente, a unidade de tempo padrão, é o milissegundo, ou seja, um milésimo de segundo, ou ainda uma parte de um total de mil partes de um segundo.
Um dos aspectos que mais tem influência na latência na Internet, é a distância e por isso, pontos fisicamente mais distantes, geralmente apresentam maiores tempos de latência do que aqueles fisicamente mais próximos.
É um conceito intuitivo e quem nunca abriu uma torneira a qual estivesse conectada uma mangueira e esperou que a água saísse na outra ponta? Quanto maior a mangueira, mais tempo é necessário até que a água saia na extremidade.
Porém, na prática, há outros fatores para além da distância física na determinação desse intervalo de tempo:
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Quantidade de saltos de rede ou de pontos de troca de tráfego (quando os pacotes de dados mudam de uma rede para outra);
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Se são redes de cabos de fibra óptica (geralmente com menor latência), se há alguma rede Wi-Fi (geralmente com maior latência), ou se outras redes com fios de cobre (latência intermediária);
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Infraestrutura das redes, ou seja, quais os dispositivos de rede, como roteadores e switches, para efetuar o tráfego dos dados de um segmento de rede para o próximo até o destino.
Em redes modernas, sobretudo aquelas em que há a presença de fibra óptica, as velocidades são muitas vezes maiores do que a água em uma mangueira de jardim. Em termos reais, em uma rede óptica a luz pode “viajar” a velocidades de cerca de 200.000 km/s, ou seja, aproximadamente dois terços da velocidade da luz no vácuo devido ao índice de refração do núcleo de vidro. No entanto, a velocidade de transmissão de dados (taxa de bits) pode ser um pouco inferior, em função das tecnologias utilizadas e dos demais fatores que vimos acima.
Portanto, em condições ideais, considerando que a circunferência da Terra na linha do Equador, que é de pouco mais de 40 mil quilômetros, um dado transmitido por fibra seria capaz de dar quase 5 voltas completas na Terra em apenas um segundo!
Em termos práticos, a latência é obtida em qualquer rede, seja ela local, seja do seu dispositivo (notebook ou smartphone) até um servidor localizado em outro continente, como é comum em muitos acessos Web, fazendo uso de um comando disponível em qualquer sistema operacional – o comando PING.
O que é o comando PING?
O PING é um comando de rede disponível em praticamente todos os sistemas operacionais, cujos papeis são:
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Determinar alguns aspectos de uma rede ou de um destino;
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Identificar eventuais problemas de conectividade;
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Diagnosticar problemas, avaliar o desempenho da rede e identificar possíveis gargalos
Desenvolvido por Mike Muuss em 1983, seu nome é a sigla de Packet Internet Network Groper ou em português, Localizador de Pacotes na Rede de Internet, é um utilitário simples, mas bastante poderoso e versátil, usado para testar a acessibilidade de um host em uma rede de Protocolo de Internet (IP).
Resumidamente, quando você executa o comando no seu computador, ele dispara por meio do protocolo de Internet ICMP ECHO_REQUEST um pacote de dados de 32 bytes de tamanho para um ponto da rede, que pode ser um domínio / host ou um endereço IP, aguardar a resposta (ECHO_REPLY) deste ponto da rede e estabelecer quanto tempo levou entre o envio e o recebimento da resposta.

Quanto maior for o valor do PING, maior a latência e mais lenta será a transmissão de dados por meio da rede onde o comando foi executado ou até o destino remoto, em caso da Internet. No entanto, note que o tempo entre o envio e o recebimento, conhecido como tempo de ida e volta (RTT ou Round-Trip Time), é igual ao dobro da latência, uma vez que os dados têm que viajar em ambas as direções, ou seja, ir e voltar.
Portanto, a latência é cerca de metade do tempo que consta no PING!
A latência é determinante no desempenho?
Objetivamente, sim, a latência é muito importante e tem influência no desempenho.
Entretanto, estimar o possível desempenho de um site qualquer apenas pela latência, é um equívoco. Em outras palavras, a latência tem influência, mas não é o único fator na sua determinação.
Responder de maneira correta a pergunta, significa considerar outros fatores.
1. Largura de banda
A largura de banda é uma medida de capacidade que a rede tem de transferir dados em um intervalo de tempo. Usualmente estipula-se tal capacidade em bits por segundo, sendo que rigorosamente se utiliza um multiplicador, como Megabit ou Gigabit.
Comparativamente ao que possivelmente você já conhece, a velocidade de Internet que você tem contratada junto ao seu provedor de acesso à Web, é a largura de banda que você tem ao seu dispor para navegar na rede mundial de computadores. Um link similar a esse, porém com banda ainda mais larga, é conectado aos servidores de Internet em que os sites estão hospedados.
Voltando aos nossos exemplos hidráulicos, compreender a largura de banda, é análogo a avaliar os diâmetros internos de diferentes canos de água e sua relação com a vazão da água que passa por eles, em que quanto maior for esse diâmetro, mais água pode passar por uma secção dele em um intervalo de tempo.
Logo, quando se leva em consideração a latência e a largura de banda, usando a analogia da água e dos canos, se você tiver um cano de 1 metro, contra um cano de 100 metros de comprimento, no segundo caso, o tempo necessário para a água chegar ao fim do segundo, é maior.
No entanto, se o diâmetro do segundo cano for 10 vezes maior que o primeiro, o tempo necessário para se encher um recipiente de água de igual tamanho para ambos os canos, será bem menor no segundo cano, visto que o volume de água que passa por um cano aumenta exponencialmente conforme se aumenta o diâmetro.
Embora em redes de dados as coisas não se comportem exatamente da mesma maneira – nem em termos matemáticos, nem físicos – que em uma rede hidráulica, o princípio da largura de banda encontra igual correspondência, ou seja, há relação entre comprimento e largura do cano, bem como há entre latência e largura de banda.
Portanto, aqueles que observam a latência como único fator para determinar se um dado hospedado em alguma localidade pode ser obtido rapidamente, ou desconhecem os fatores envolvidos ou estão faltando com a verdade.
Uma situação real que ratifica isso, é quando um servidor sofre um ataque DDoS, o qual frequentemente congestiona a rede, ou em outras palavras, consome toda a largura de banda do link que chega até o servidor.
Neste exemplo, ao executar um PING para o IP do servidor, esgota-se o tempo limite do pedido para todas as ocorrências.
Disso, deduz-se também, que o PING não é um valor estático ou permanente, mas que varia ao longo do tempo e das circunstâncias e que por si só, já é argumento suficiente para não podermos afirmar que seja representativo exclusivo do desempenho de um site.
2. Ambiente de hospedagem
Outro fator determinante para o desempenho, é o ambiente de hospedagem.
Valores ótimos de latência e largura de banda não garantem obrigatoriamente bom desempenho, se o ambiente de hospedagem não for também favorável.
Voltando à analogia hidráulica, de nada adianta um cano de água de diâmetro capaz de fornecer água a um bairro inteiro, ligando sua casa ao reservatório por apenas 50 metros de distância, se não há água no reservatório ou algum outro problema que impeça a água de chegar ao cano.
Transportada esta situação hipotética para a nossa realidade de redes e servidores, a menor latência possível e a maior largura de banda disponível, não garantirão bom desempenho se o servidor que alimenta de dados esta rede, está sobrecarregado, ou é ultrapassado e lento, ou tem outros tipos de problemas.
É comum vermos empresas de hospedagem alardeando o fato de terem servidores no Brasil e, portanto, baixas latências, como fator decisivo e significativo para ótimo desempenho dos sites neles hospedados. Mas o que se vê em muitos casos, que apesar da latência baixa, há também baixa largura de banda ou servidores sobrecarregados (muitos clientes) e não raramente, ambos!
O ambiente de hospedagem depende de uma série de fatores:
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Sistema operacional – o sistema operacional utilizado na infraestrutura;
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Processamento – as CPUs ou processadores que equipam os servidores;
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Memória – quantidade e geração de memória RAM disponível;
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Armazenamento – a tecnologia de armazenamento (HDD, SSD), a geração e a configuração (RAID 1, RAID 10, etc);
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Serviços – os serviços disponíveis (servidor Web, serviço de banco de dados, linguagens de programação, etc);
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Compartilhamento – número de contas / usuários que o ambiente e os serviços são compartilhados.
Portanto, de nada adianta colocar um servidor dentro da sua empresa, resultando em uma latência baixíssima, se este servidor tem 10000 clientes hospedados, ou um link pouco melhor do que seu provedor de acesso lhe fornece. O carregamento do seu site será péssimo, mesmo com a menor latência que se pode dispor.
3. Aspectos do site
O terceiro fator para além da latência e dos outros dois que comentamos, são os aspectos inerentes ao próprio site.
Mesmo quando todos os fatores anteriores são ótimos, é possível ter a performance comprometida porque:
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Plataforma de desenvolvimento – optar por uma plataforma de desenvolvimento ou CMS que não seja o mais adequado para o tipo de site. Por exemplo, usar um plugin que transforma o WordPress em um fórum, quando há CMSs especializados;
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Plugins – instalar e ativar muitos plugins frequentemente compromete o desempenho;
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Falta de atualizações – CMS, plugins, linguagens de programação e serviços em versões antigas, geralmente sacrifica o desempenho;
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Plano de hospedagem – escolher um plano de hospedagem com recursos (CPU, memória, número de processos, etc) insuficientes para a demanda do site.
A latência é sempre decisiva?
A resposta honesta é, depende!
Depende de analisar o contexto. Por exemplo, embora uma latência de 60 milissegundos seja 6 vezes maior que outra de 10 milissegundos, isso representa metade do tempo de um piscar de olhos. Essa diferença no caso de vários sites estáticos baseados em HTML, sem muitos recursos interativos, como sites institucionais ou alguns blogs, é absolutamente imperceptível.
Latências mais elevadas passam a impactar negativamente a performance do site, quanto mais recursos que exigem interação contínua entre o navegador do visitante e o servidor, como por exemplo, serviços de streaming, muitas requisições ou qualquer recurso que envolva atualizações em tempo real.
Quando a latência passa a ser um fator crítico:
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Lojas virtuais (E-commerce / WooCommerce) – sempre que cada clique, cada busca de produtos e atualização de carrinho exige consultas dinâmicas ao banco de dados;
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Sistemas e aplicações Web (SaaS / Dashboards) – qaundo houver plataformas que realizam múltiplas requisições assíncronas (AJAX) e exigem resposta instantânea do servidor;
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Páginas de alta conversão – em campanhas de anúncios, onde o tempo de resposta inicial do servidor (Time to First Byte ou TTFB) impacta diretamente as taxas de conversão.
Em resumo, não avalie a hospedagem apenas pelo número do PING. Se o seu site precisa de interatividade constante, a baixa latência é um grande diferencial. Por outro lado, para a maioria dos sites corporativos e blogs, a estabilidade da infraestrutura, o processamento do servidor e o uso de tecnologias adequadas terão um impacto muito maior na velocidade final do que a localização física do servidor isoladamente.
Conclusão
Conforme vimos, a latência importa, mas não atua sozinha. Para e-commerces e sistemas interativos, baixos milissegundos são vitais. Já para blogs e sites institucionais, a infraestrutura do servidor, a boa largura de banda e um ambiente moderno e eficiente garantem a alta performance. Ao escolher sua hospedagem, analise o conjunto completo, e não apenas o resultado do PING!


