Lixo eletrônico (e-lixo): como descartar?

Vivemos em um tempo em que a corrida desenfreada por parte da indústria - especialmente a de eletro eletrônicos - para lançar produtos novos, acarreta ciclos cada vez menores de vida útil de muitos aparelhos. Muitos destes tornam-se obsoletos cada vez mais rapidamente, estimulando ondas de consumo alucinantes, em que parece impossível para muitos, resistir ao impulso de comprar o smartphone de última geração ou o aparelho televisor que promete levá-lo para dentro da ação, mesmo que seu antecessor ainda funcione bem. Mas e o que fazer com o seu aparelho “antigo”? Como descartar o seu lixo eletrônico?

Lixo eletrônico é problema?

A cada dispositivo eletrônico que você compra para seu uso ou de sua família, algum outro possivelmente estará indo para o lixo ou terá um destino ainda incerto. Alguns acabam guardados por algum tempo e em um cenário mais favorável, podem ir parar nas mãos de alguém para quem o aparelho antigo ainda pode servir.

O problema surge porque a evolução tecnológica cada vez mais rápida, se de um lado nos entrega bens de consumo cada vez mais úteis e sedutores, do outro torna os aparelhos que os precederam obsoletos mais rapidamente.

Antigamente a vida útil de um computador, poderia ser de 5 ou 6 anos ou mais. Atualmente uma máquina com este tempo de uso, é praticamente inutilizável para muitas situações, seja pelas exigências cada vez maiores que os sistemas têm sobre o hardware, seja pela indisponibilidade de peças de reposição, caso seja necessária alguma manutenção.

Os consumidores em parte também têm culpa neste processo, visto que deixam-se seduzir bem facilmente pelos novos produtos que a indústria lança, mudando o paradigma que levou a classificar este tipo de produto como bens de consumo duráveis.

A consequência imediata disso, é que praticamente todo equipamento eletrônico que temos adquirido, corresponde a um outro que faz aumentar a quantidade de e-lixo ou lixo eletrônico produzido. Em relatório do Global E-Waste Monitor, uma entidade ligada à ONU, o Brasil aparece em uma nada honrosa segunda posição no ranking de países que mais produzem lixo eletrônico nas Américas.

A questão não seria tão crítica, se no país tivéssemos um sistema de descarte e reciclagem que desse uma destinação segura a todo estes produtos que são muitas vezes apenas colocados no lixo.

Metais pesados, substâncias como chumbo, cádmio, níquel, lítio, prata, cobre e mercúrio, entre outras tóxicas, cancerígenas e até letais, para citar apenas as principais, acabam indo parar no solo, no lençol freático, nos rios e até no mar, provocando a contaminação do meio ambiente e que de podem integrar-se a cadeia alimentar, parando em nossas mesas, contidos nos alimentos que consumimos.

O impacto ambiental é imenso e na outra ponta da cadeia produtiva, temos toda a matéria-prima que é extraída da natureza para a fabricação dos novos produtos que consumimos. Parte representativa desta matéria-prima, que é finita, não precisaria ser extraída se houvesse a reciclagem adequada e possível de muitos itens que compõem este e-lixo que descartamos inadequadamente.

Já existe no Brasil uma lei que pretende responsabilizar quem não faz o descarte apropriado de lixo que de alguma forma possa trazer riscos, no entanto, não há ainda uma regulamentação mais abrangente e específica que determina quais itens devem receber atenção especial, como não estabelece como proceder nestes casos e ainda não determina a criação dos mecanismos segundo os quais é constituída uma infraestrutura apropriada para destinar o e-lixo.

Como descartar e-lixo?

Muitos municípios brasileiros já oferecem o que são chamados de Ecopontos, que em teoria são áreas para recebimento de vários tipos de resíduos não biodegradáveis, incluindo lixo eletrônico. O problema de muitos deles, é que acabam sendo apenas um local para que a população descarte objetos e lixo que o serviço de limpeza pública não coleta, como por exemplo, entulho de obras.

Mas lamentavelmente, na prática o que se vê, é o lixo que foi recolhido no Ecoponto ir parar em um aterro sanitário e com isso, o problema de descarte inapropriado continua a existir.

Enquanto não são criadas políticas públicas que tratem da questão da forma que ela merece, cabe ao cidadão ter consciência ambiental e buscar algumas iniciativas privadas que tem servido para diminuir o impacto ambiental.

Algumas empresas fazem a coleta, mas cobram pela retirada do lixo eletrônico. Em geral, o que se faz na maior parte dos casos, é uma triagem em que separam-se os componentes que fazem parte do lixo, já que parte do material é reciclável. O que não pode ser aproveitado, é descartado segundo procedimentos que não acarretam impactos ao meio ambiente.

Também existem iniciativas que fazem a recuperação de aparelhos que ainda podem servir a outras pessoas, como o programa da USP que reaproveita peças de computadores usados e que seriam jogados no lixo, para produzir máquinas utilizáveis para famílias carentes, que é o CEDIR.

O Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, mantém o Centro de Recondicionamento de Computadores – CRC, que é um programa de “recondicionamento de equipamentos eletroeletrônicos e para a realização de cursos e oficinas, visando à formação cidadã e profissionalizante de jovens em situação de vulnerabilidade social”, segundo consta no site da instituição.

Quem mora no Rio de Janeiro, também conta com um programa semelhante e que também visa capacitar jovens de baixa renda, através de cursos de montagens de computadores e que recebe o nome de Fábrica Verde.

Como tem sido tendência em muitos países, há iniciativas no sentido de que as mesmas empresas que fabricam os eletrônicos que consumimos, ofereçam meios de coletar e reciclar os seus produtos quando chegam ao fim de sua vida útil e que recebe o nome de logística reversa. A seguir uma lista com alguns fabricantes que mantém canais destinados a este tipo de ação:

A Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) também tem um programa de logística reversa de eletroeletrônicos e que foi batizado de Descarte Green.

Conclusão

O momento de desenvolvimento industrial e tecnológico tem acarretado ciclos de vida útil cada vez menores, particularmente no setor de produtos eletrônicos, acarretando a produção de grandes quantidades de e-lixo, que nada mais é do que lixo eletrônico, que muitas vezes é descartado de forma inapropriada, ao invés de ocorrer a reciclagem do que é possível e o descarte adequado do que não é possível reciclar. O impacto ambiental é severo, em termos de contaminação tóxica do ambiente, bem como no intenso extrativismo das matérias-primas usadas na fabricação de novos produtos.