Serviços de e-mail gratuitos são bons?

Usamos muitos serviços gratuitos disponíveis na Internet todos os dias. As opções, alternativas e gama de funcionalidades cresce incessantemente, principalmente no segmento de aplicativos que nos oferecem opções de comunicação, mas mesmo diante de alternativas diversas, um dos serviços mais antigos, mais até do que a própria Internet, ainda é indispensável – o e-mail. Mas os serviços de e-mail gratuitos são realmente bons?

A história do e-mail

O correio foi por séculos a principal forma de comunicação entre pessoas fisicamente distantes. Durante boa parte de sua existência, ele pouco evoluiu e exceto por particularidades na forma usada para transmitir as informações, principalmente em seus primórdios, basicamente consistiu de registrar a informação que se desejava transmitir em um meio, geralmente o papel, acomodar o conteúdo em um envelope para resguardar seu sigilo e informar dados do remetente e destinatário.

Ao redor do mundo, cada civilização, nação, país, criou estruturas e logísticas para fazer com que as correspondências fossem transportadas por seus territórios e através de outros, para chegar aos seus destinos. Quanto mais territórios e maior a distância, maior o tempo necessário para que a informação alcançasse seu destino.

Até há poucas décadas, dependendo da localização do destinatário, uma carta poderia levar semanas e em casos extremos, até meses. Nos casos de informações importantes e/ou urgentes, não era raro que uma mensagem chegasse desatualizada ou mesmo sem utilidade.

Mas no início da década de 70, esta realidade poderia ser mudada, com a primeira transmissão de uma mensagem por meio eletrônico, através da ARPANET e que foi o projeto que deu origem à Internet. Justamente pela natureza eletrônica da troca de informações, que o serviço recebeu o nome de eletronic mail, ou correio eletrônico, ou sua forma abreviada e que todos conhecem – e-mail.

Tão logo se enxergou a motivação comercial da Internet, também as mesmas perspectivas foram vistas em relação ao e-mail, fazendo surgir uma gama gigantesca de serviços pagos e gratuitos. Tem sido assim desde então, com a única diferença em relação ao começo, que alguns serviços já não existem mais e outros cresceram espantosamente, incorporando funcionalidades, benefícios e também problemas.

Quem paga os serviços gratuitos de e-mail?

Indiretamente é você quem paga! Sim, mesmo que você não tenha que dar nem mesmo uma moeda ao serviço supostamente gratuito, ele precisa de alguma receita para custear o serviço que lhe oferece.

Uma infraestrutura para fornecer e-mail, é algo bastante custoso. São necessários servidores, sistemas (software), espaço físico para acomodar os servidores, redes, energia elétrica, sistemas de segurança física e lógica, pessoas para montar e manter tudo funcionando, etc. Tudo muito caro!

Sejamos sensatos, nenhuma empresa no mundo em que vivemos, está disposta a investir milhões por simples altruísmo ou em prol de causas sociais. De alguma maneira direta ou indireta, estas empresas têm interesses em algo que você possa dar como contrapartida.

O meio mais comum para se conseguir retorno financeiro necessário para sustentar um serviço de e-mail, é a informação e que é o pilar da era em que vivemos – Era da Informação.

Em termos práticos, o principal mecanismo responsável por dar retorno aos serviços de e-mail gratuitos, é a publicidade feita por empresas junto às empresas que mantém tais serviços ou por intermédio de serviços especializadas em publicidade online.

O fato de você trabalhar com seguros, ou serviços médicos ou engenharia e ver publicidade relacionada a uma destas três áreas, toda vez que acessa a interface do seu serviço de e-mail gratuito ou conforme navega pela Internet usando o navegador da mesma empresa, não é mera coincidência. Esta é a implicação mais preocupante em relação ao uso de serviços gratuitos – sua privacidade não existe!

Embora, não existam outras pessoas vendo o que você digita quando elabora um e-mail e as empresas dos maiores e mais populares serviços já adotem criptografia, o sistema tem acesso e é capaz de reconhecer o tipo de conteúdo que você redige a cada mensagem.

Basicamente as pessoas acham que podem confiar no Google, que é a proprietária do serviço Gmail, mas na prática se as pessoas querem usar o serviço, elas não têm outra opção. Ao avaliar a situação, a única conclusão, é que o Google não é realmente confiável.

Ele ganha dinheiro a partir das informações contidas nos seus e-mails e exibindo anúncios relacionados. Quando você concorda com suas políticas ao se inscrever e criar uma conta no serviço, está permitindo que o Gmail “leia” seus e-mails e use seus dados.

Mas o Google não é o vilão da história. Pelo menos não é o único. É exatamente assim que acontece com boa parte dos serviços gratuitos, cujo modelo de negócios é baseado em publicidade.

Resumidamente, em troca de usar um serviço teoricamente gratuito, você aceita ver publicidade baseada no conteúdo de sua caixa postal! Abrir mão de sua privacidade para um sistema, é o preço que você paga. Esse tipo de informação em termos de Internet hoje, tem um valor inestimável.

Serviços de e-mail gratuitos são bons?

Não há como fazer uma análise global e com um parecer único e preciso, visto que há muitas opções, cada qual com suas particularidades. Mas em linhas gerais a resposta objetiva do ponto de vista técnico, é sim. Desde que privacidade não seja um pré-requisito fundamental para você.

Mesmo que a privacidade seja um aspecto de elevada relevância para você, ainda é possível que em determinados cenários o uso de um serviço gratuito, pode ser suficientemente bom. Se você utiliza a conta apenas para mensagens corriqueiras, sem informações importantes e cujo teor não exija sigilo, pode ser uma alternativa a ser considerada.

Em termos de funcionamento, a grande maioria dos serviços cumpre o que promete. Se pensarmos nos três maiores e mais antigos serviços gratuitos de e-mail e que são o Hotmail, Gmail e Yahoo!, eles oferecem um serviço estável, com baixo índice de falhas / erros, interfaces modernas e razoavelmente amigáveis, boa integração com vários aplicativos, recursos adicionais e até muito espaço de armazenamento, que é o caso do Yahoo! Mail.

Em outras palavras, tecnicamente falando, são bastante bons e não há como negar. Afinal são anos de expertise acumulado e amparados em infraestruturas gigantescas. Criticá-los sob este prisma, é no mínimo imprudente. Se você precisa de uma conta de e-mail para uso em situações não sensíveis, comunicação trivial e cadastros menos importantes, é sem dúvida uma ótima opção e não há porque optar por um serviço pago.

Em termos de recursos, cremos que é desnecessária este tipo de avaliação, primeiro porque já há muitos artigos que comparam recursos dos serviços mais populares. Em segundo, a maior parte deles oferece tudo o que a grande maioria dos usuários domésticos necessitam. Por fim, os recursos oferecidos em cada serviço, variam conforme o tempo, tornando este tipo de comparação desatualizada rapidamente.

Quais as desvantagens de um serviço gratuito de e-mail?

Se por um lado há vantagens inegáveis em muitos serviços gratuitos de e-mail, a começar pelo aspecto financeiro, também há ressalvas, principalmente quando se necessita de um serviço com proposta profissional.

É redundante afirmar a importância do serviço de e-mail no âmbito profissional, seja por parte de um profissional autônomo, um freelancer, seja para uma grande organização. Boa parte das relações entre empresas, clientes, parceiros e fornecedores, é constituída usando este serviço. Por esta razão, avaliaremos como os serviços gratuitos portam-se diante de exigências fundamentais para o uso profissional:

  • Privacidade – certamente este é o maior problemas de todos os serviços gratuitos que têm sua receita baseada em publicidade e que coincidentemente, é o caso dos maiores e mais populares;
  • Suporte – há exceções, mas geralmente o suporte é bastante precário e demorado quando se precisa dele. Em alguns serviços é inexistente e apresentam apenas tutoriais para resolução das situações mais comuns, ou um sistema em que a própria comunidade se ajuda;
  • Políticas e termos de prestação de serviço – mudam com frequência e consequentemente afetam seus direitos e os moldes nos quais o serviço é prestado;
  • Mudanças gerais – mudanças razoavelmente frequentes em vários aspectos do serviço, como por exemplo, espaço reservado ao armazenamento de mensagens, tempo em que mensagens podem ser mantidas, tamanhos máximos de mensagens e anexos, etc;
  • Impessoalidade – particularmente no caso dos grandes serviços, não há personalização no atendimento e os usuários representam apenas um código de usuário, isso nos casos em que há suporte;
  • Limitações – muitos serviços gratuitos oferecem recursos insuficientes para usuários que fazem uso mais intenso, ou limitações bastante restritivas, que não atendem necessidades como envio de newsletters ou outras formas de e-mail Marketing. É o caso de serviços gratuitos em que a modalidade é oferecida apenas como chamariz para um serviço pago;
  • Imagem e marca – não é possível utilizar domínio próprio, o que no caso de empresas, é prejudicial à imagem da empresa e de sua marca, passando uma impressão de amadorismo no contato com clientes e outras empresas;
  • Publicidade – não do ponto de vista do seu uso com base no conteúdo da conta, mas a publicidade em si, que torna o ambiente visualmente desagradável e no caso de alguns serviços, excessivamente poluído visualmente às vezes atrapalhando até mesmo a navegação;
  • Segurança – no geral são tão seguros quanto a maior parte dos serviços pagos, mas costumam ser alvos mais atrativos e bastante visados pela quantidade de contas que podem ser acessadas, em caso de sucesso quanto à invasão.

Se um ou mais aspectos acima são decisivos na hora de se optar por uma solução de e-mail, um serviço de e-mail gratuito não é para você. Neste caso, é fortemente indicado optar por serviços de e-mail profissionais.

Conclusão

Serviços de e-mail gratuitos existem desde os primórdios da Internet. Muitos deles constituem uma opção adequada tecnicamente e atendem bem quando o uso que se faz da conta, é estritamente em caráter pessoal e em situações em que o uso seja moderado e não envolva situações sensíveis ao sigilo e privacidade, bem como assuntos de grande relevância. O uso no escopo profissional do serviço ou em que as informações trafegadas têm algum nível de importância, indica-se considerar uma solução de e-mail profissional.

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