Deep Web ou Web Profunda - O que é?

A Internet é um mundo de informação, mas ninguém que a utiliza da forma que a maioria está acostumado, pode garantir 100% de segurança na navegação que realiza, isso porque em algum – ou vários – momento você deixa rastros de sua navegação.

A coisa muda drasticamente quando o assunto é Deep Web. Entre tudo o que se diz a seu respeito, o anonimato é uma das suas principais características.

Nela, estão “escondidas” informações as mais diversas, criando uma aura de mistério. Mas afinal, o que é a Deep Web ou Web Profunda, como alguns preferem chamar?

O que é Deep Web ou Web Profunda?

Entender o que é, passa por ter a compreensão da web como um todo.

A grosso modo, podemos dizer que a web é constituída por Surface, Deep e Dark Web.

É muito comum encontrar uma analogia com um iceberg, em que a parte visível corresponde à Surface Web ou Web de Superfície e que é a menor parte do todo.

A Surface Web, é o que todas as pessoas usam diariamente. É a Internet como a conhecemos e é constituída por tudo que está indexado nos mecanismos de busca como Google ou Bing. É principalmente composta por tudo que consta nas páginas de resultado dos motores de busca, as SERPs (Searh Engine Results Page).

Mas a Internet é muito mais do que essa imensidão de conteúdo que já temos disponível. No entanto, há quem diga que essa parte visível, representa menos de 5% do que realmente existe de informação espalhada em redes de servidores ao redor do mundo.

Muito se fala sobre a Deep Web. Há mitos e verdades.

Entre tudo o que se diz, há muita coisa que não corresponde à realidade, fazendo parecer para a maioria, como sendo uma espécie de submundo da Internet, composto de conteúdo suspeito, ilegal e potencialmente perigoso.

A realidade vai bem além do que a maioria imagina e muitos de nós usamos todos os dias sem nem mesmo nos darmos conta.

Embora o termo Deep Web seja para muitos sinônimo de atividades ilegais e o paraíso de hackers (na verdade crackers) e criminosos digitais, é na verdade tudo que não é indexado pelos mecanismos de pesquisa.

Assim, por exemplo, se sua empresa tem um CRM ou outro sistema , que exija credencias de acesso e, portanto, não seja indexado pelo Google, é considerado parte da deep web. Seu serviços de e-mail também é, assim como seu disco virtual na nuvem, ou serviços de streaming de áudio e vídeo pagos.

Até mesmo um site que não tenha sido feito um trabalho para ser encontrado e indexado pelo Google, é considerado parte da web profunda, pois nunca aparecerá nas SERPs.

Portanto, o acesso ao conteúdo da Deep Web depende de saber por outros meios dos endereços que a compõem. Sem saber o caminho, não há como chegar a um site dela, ou nos casos dos serviços que exigem autenticação, os dados necessários para acesso.

Mas além dos serviços privados de acesso restrito, há também uma infinidade de sites que lá estão e que por razões diversas, não se tem intenção que estejam acessíveis a todos.

Para efetuar o acesso a esses sites, não basta saber o endereço – geralmente usando uma extensão de domínio .onion –, porque no caso a estrutura da rede têm particularidades que a diferenciam da parte da rede composta pelos sites da Surface Web.

São todos sites cuja comunicação com o navegador é feita de modo criptografado e ainda conta com um sistema de camadas de segurança que impedem o rastreamento dos visitantes.

A navegação nesses sites, é feita por navegadores destinados a esse fim, como o Tor e o Freenet, sendo o mais popular deles, o Tor browser.

Mas se não bastasse as diversas camadas de segurança, criptografia e outros artifícios, há ainda a Dark Web, a qual se caracteriza pelos níveis mais altos de criptografia e mais camadas de segurança, ocultando ainda mais o conteúdo associado.

Há situações de sites na Dark Web, cujos endereços chegam a mudar constantemente ao longo do tempo, para tornar a sua localização ainda mais difícil, sendo comum um endereço com várias letras e números sem nenhuma memorização possível.

Devido ao alto grau de dificuldade de se localizar e ver conteúdo nessa camada, que se convencionou chamá-la de Dark Web, ou Web Escura ou da escuridão. Também por essa razão, que boa parte do conteúdo que se tenha alguma razão de ocultar, incluindo o que é ilegal, que costuma-se associar tal conteúdo como sendo perigoso e inapropriado.

Portanto, a Deep Web não necessariamente está associada a assuntos proibidos ou perigosos, mas acima de tudo aqueles que têm razões fundamentadas para privacidade plena.

Ela é também o lugar de ativistas, cientistas e todos que de alguma forma precisam de um ambiente privado e sem algum controle da Internet, como censura. Foi o caso da “primavera árabe”, em que foram divulgadas imagens das tentativas de repressão por parte de governos.

Como o Tor browser funciona?

Em navegadores que a maioria de nós utiliza diariamente no smartphone ou no notebook, ao digitar o domínio no campo de endereço, ocorre um processo de resolução desse endereço digitado ou do nome de domínio, através de um sistema conhecido como DNS.

Já no navegador Tor, ao informar um endereço que deseja acessar, o fluxo dos dados ocorre de maneira diferente, por meio de diferentes camadas, as quais são responsáveis por instituir uma maior segurança.

O próprio acrônimo Tor, significa The Onion Router ou “o roteador de cebola” e assim como o vegetal, constitui um modelo de diferentes camadas de segurança. Esse modelo foi originalmente desenvolvido em meados dos anos noventa pelo US Naval Research Laboratory.

Ele funciona devolvendo o tráfego de dados por meio de uma série de servidores ou retransmissores. Em cada retransmissão e que corresponde a uma “camada da cebola”, o endereço IP é alterado para diminuir a possibilidade de localização e rastrear a identidade do internauta.

Um exemplo do funcionamento desse modelo de segurança, é que a navegação por meio do Tor, impede que sites com publicidade baseada nos acessos anteriores que você fez, exibam anúncios correspondentes. Isso porque as muitas camadas de segurança bloqueiam e impedem que os servidores e sistemas tenham acesso e armazenem dados que permitam identificá-lo.

Assim, entre as várias possíveis razões para usar o Tor, temos jornalistas que escrevem sobre assuntos polêmicos, ativistas políticos, cientistas que precisam compartilhar dados de pesquisas críticas e muitos outros que se preocupam com sua privacidade online.

A Deep Web é insegura?

Essa é uma das perguntas mais feitas sobre quem já ouviu algo sobre a Deep Web. A resposta correta, é sim e não!

O primeiro ponto é compreender que há todo tipo de conteúdo na Deep Web. Há sites e conteúdo bom, assim como na Surface Web e requerer algum grau de anonimato não é condição única necessária para classificar seus conteúdos como negativos.

O segundo ponto, é que a Internet que está aparente, não dos lugares mais seguros. Não é pelo simples fato que algo está oculto, que é inseguro. Se pensarmos na sua estrutura, ela oferece até mais mecanismos de segurança, na medida em que não é tão simples a um suposto cracker obter seus dados pessoais. Vendo por esse lado, ela é até mais segura que a Surface Web.

A questão da insegurança, geralmente tem a mesma relação com a Surface Web. Em outras palavras, o acesso a determinados sites, download e instalação de conteúdo cuja procedência não se tem certeza, o uso de senhas fracas e outras negligências em aspectos de segurança que são fundamentais para qualquer internauta.

Entre as poucas alternativas de melhorar a segurança na Surface Web, há as VPNs, mas que não são acessíveis e conhecidas da maioria, bem como boas práticas não são adotadas por todos.

A informação e o conhecimento do que se está fazendo, é o ponto mais importante se há preocupação com a segurança.

Mas mesmo havendo questões de segurança e insegurança, o que deve ficar evidente, é que da mesma forma como ocorre na vida real, toda questão que envolve sigilo extremo, pode estar associada a questões chocantes e ilegalidades.

Conclusão

A Deep Web ou Web Profunda, representa a grande parte de toda a Internet e que não está acessível de forma pública por meio dos navegadores que estamos acostumados e cujo acesso ao conteúdo não se faz por meio dos mecanismos de busca. O pouco conhecimento sobre o que é possível encontrar, somado ao anonimato, levanta muitas curiosidades, mitos e verdades a seu respeito.

Comentários ({{totalComentarios}})