Como e por que contratar jovens talentos?
Precisando contratar certo, e na hora de definir o perfil dos candidatos fica em dúvida se dá ou não oportunidade para um jovem talento?
É compreensível a hesitação, seja por tudo o que se fala a respeito, seja por ter que voltar ao ponto de partida caso o contratado não corresponda às expectativas.
Mas abrir as portas da empresa para alguém com pouquíssima ou nenhuma experiência, pode sim ser uma boa escolha, com vantagens reais e percorrendo um caminho mais tranquilo e previsível.
Pronto para começarmos?
A geração Z
Não dá para entrarmos no assunto, sem antes falarmos um pouquinho sobre a geração Z nas empresas, afinal muito tem sido dito a respeito, alimentando muitos dos receios que as pessoas encarregadas de contratá-los, têm.
Não há como negar que há desafios que as empresas precisam superar em se tratando dessa turma, mas não é muito diferente do que ocorreu com as gerações anteriores. Não à toa que se fala em conflito de gerações há décadas e não especificamente por conta da “Gen Z”, como alguns gostam de chamar.
Eles são sim diferentes em muitos aspectos dos X e dos Millenials, mas tal como eles, têm seus defeitos, mas também suas qualidades. Olhar apenas para um lado, impede se beneficiar dos ganhos possíveis. Mais do que isso, é isentar a empresa das suas responsabilidades no processo de superação desses desafios.
Em termos médios alguns perfis de empresas são excelentes e propícios a extrair o melhor de um jovem talento:
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Diversidade – ambientes de trabalho onde há promoção da inclusão social e diversidade (gênero, idade, etnia, classe social, religião, etc);
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ESG – empresas que são orientadas à pauta ESG, uma vez que são aspectos que os jovens Z compartilham e, portanto, valorizam nas organizações;
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Inovação – quando a cultura da empresa incentiva a mudança e a inovação e o rompimento de antigos paradigmas;
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Liderança – os gestores à frente desses times exercem liderança comportamental eficaz e são bons agentes de mudanças;
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Flexibilidade – condições de trabalho e rotinas flexíveis, como regime híbrido ou teletrabalho (home office);
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Multitarefa – as rotinas e funções exigem capacidade de lidar com multitarefa;
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Clima – quando o clima organizacional é positivo e há qualidade de vida no trabalho.
Ou seja, se o cenário acima se assemelha ao que um jovem Z vai encontrar na sua empresa, é bastante provável que o casamento dará certo e os eventuais “desafios” que muitos dizem existir, facilmente serão superados.
Mas o que nem sempre nos damos conta, essas “exigências” são o que todos gostariam no trabalho, com a diferença que a Gen Z crava o pé para que seus desejos sejam atendidos. Eles não se submetem calados mas insatisfeitos, como as gerações anteriores faziam.
Por que contratar um jovem talento?
Se tivéssemos que escolher apenas uma justificativa, a resposta é: “Porque é inevitável!”.
Sim, é inevitável por algumas importantes razões:
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Eles já eram um quarto (25%) da força de trabalho global em 2025 e até 2030, podem ser cerca de um terço (~33%);
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As gerações que os precederam ou estão em vias de se aposentar (geração X) e ocupando os cargos de gestão (Millenials);
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Se sua empresa quer ou precisa inovar e aproveitar o melhor da transformação digital, eles são o caminho mais curto e eficiente;
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Porque não dá para contar com um profissional experiente se ninguém se dispuser a dar essa experiência.
Mas não se trata apenas de inevitabilidade. Há vantagens reais em contratar um jovem talento:
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Eles entendem melhor eles próprios, lembrando que em breve serão também uma grande fatia do mercado consumidor;
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A geração Z está fazendo as organizações se repensarem e ajudando a promover mudanças profundas, novas perspectivas e incorporando novos valores;
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São mais flexíveis e se adaptam melhor e mais rapidamente às mudanças, lembrando que tudo isso será normal e necessário à sobrevivência de muitos negócios;
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Costumam se antecipar e simplificar como as coisas são feitas e que em termos práticos, significa agilidade e menos tempo para fazer as coisas. Se preferir, processos mais enxutos e eficientes;
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A pouca ou nenhuma experiência, facilita formar profissionais alinhados à cultura da empresa e aos objetivos do negócio. É alguém que chega sem vícios;
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Vagas em regime de aprendiz ou de estagiário, além da vantagem acima, permitem avaliar se o jovem e a empresa se adequam mutuamente e qual o potencial do profissional, antes de uma contratação em definitivo;
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A valorização da comunicação aberta, transparente e a prática do feedback como instrumento de ajustes no desempenho, também são altamente benéficas para a empresa e seu crescimento;
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Essa é uma geração que é seduzida pelo progresso em um ambiente alinhado com seus valores, por isso uma política de RH que focada no aprimoramento profissional constante (capacitação e educação corporativa, rotação entre áreas, trilhas de aprendizado, etc), vai encontrar eco nesses indivíduos, contribuindo para a retenção dos jovens talentos;
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Como o jovem Z busca projetos identificados com suas prioridades (responsabilidade social corporativa, sustentabilidade e Marketing Verde, saúde mental e bem-estar, diversidade e inclusão social), quando ele encontra, seu envolvimento e comprometimento com a empresa e seus propósitos, são elevados.
Se nesse ponto você já se desvencilhou dos preconceitos e estereótipos, alguns dos quais injustamente criados, deve estar se perguntando: “Como encontrar e contratar um?”.
Como contratar um jovem talento?
A boa notícia é que o mercado tem se ajustado para inserir os jovens de uma maneira que seja proveitosa para todos os envolvidos e, por essa razão, já há diferentes canais que vem se especializando nesse segmento.
Se você está convencido de que é o momento de fazer a gestão de um jovem talento, a seguir listamos e comentamos brevemente as opções mais conhecidas.
1. CIEE
Não há como falar em apoio ao recrutamento e seleção de novos talentos sem mencionar o CIEE (Centro de Integração Empresa-Escola), pois certamente é uma das entidades com maior contribuição na proteção social dos jovens por meio da promoção ao mundo do trabalho.
A experiência e o know-how que adquiriram ao longo de várias décadas, permite que hoje as empresas que queiram estagiários ou aprendizes em seus times, contem com processos seguros, bem alinhados ou personalizados.
2. PROA
O Instituto PROA é uma iniciativa interessante que nasceu em 2007 e é uma organização sem fins lucrativos que oferece formação gratuita e capacitação profissional para jovens de baixa renda, com idades entre 17 e 22 anos, que cursaram o ensino médio em escola pública. O foco é a inserção no mercado de trabalho e o primeiro emprego.
Mantida por doadores (Empresas e pessoas físicas), a entidade por meio da “Plataforma PROA” e da “PROPROFISSÃO” aplica programas de formação básica e prepara os jovens para ingresso em empresas parceiras ou naquelas que queiram contratar gratuitamente os jovens talentos formados pelo PROA, publicando uma vaga no portal.
3. Espro
Com mais de 4 décadas de existência, a Espro atua na inserção de adolescentes e jovens em vulnerabilidade social no mercado de trabalho, por meio da socioaprendizagem, oferecendo uma extensa jornada gratuita, como:
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Projetos de Formação para o Mundo do Trabalho (FMT);
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Programa de Aprendizagem Profissional;
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Programa de Estágio.
Surgiu como iniciativa de unidades do Rotary Club em 1979, em São Paulo, a Espro é uma entidade filantrópica, sem fins lucrativos, que tem orgulho de ser a primeira instituição certificada para o Programa Jovem Aprendiz no ano 2000, com a promulgação da Lei da Aprendizagem, nº 10.097.
As empresas interessadas em conhecer mais dos benefícios de contratar via a plataforma, podem acessar a página específica do site.
4. ISBET
O ISBET, também é uma organização de direito privado, sem fins lucrativos, com propósitos filantrópicos e de assistência social, cuja principal atuação é:
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Oferecer programas de aprendizagem para jovens e adolescentes;
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Oportunizar estágios em empresas parceiras;
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Criar parcerias com instituições de ensino e órgãos não governamentais;
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Dar qualificação profissional para os jovens participantes;
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Promover a inserção no mercado de trabalho para os jovens e adolescentes em diferentes regiões do Brasil.
Conheça mais do que o ISBET pode oferecer, acessando a página de contratação de talentos.
5. WallJobs
O WallJobs é uma plataforma brasileira focada em promover a conexão de estudantes com vagas de estágio e trainee, além de auxiliar as empresas na gestão digital desses programas. A solução oferece recrutamento inteligente com inteligência artificial, gestão de contratos digitais e facilitação da burocracia.
A plataforma automatiza o recrutamento, seleção, agendamento de entrevistas e a parte burocrática de contratos de estágio, entre outros benefícios, para as empresas interessadas nos seus serviços.
6. LinkedIn
Essa alternativa até parece um lugar comum, mas o LinkedIn deixou de ser apenas uma “rede social de currículos” para se tornar a principal vitrine da Geração Z.
Para PMEs, a plataforma oferece filtros inteligentes que permitem encontrar talentos com "Nível Iniciante" ou "Sem experiência", mas que já demonstram engajamento e certificações em áreas específicas. É o canal ideal para uma busca ativa, permitindo que o recrutador analise o comportamento, as publicações e os projetos de faculdade que o jovem compartilha, indo muito além do que um papel aceita.
7. Bettha e 99jobs
Essas plataformas são as "queridinhas" da nova geração por falarem a língua deles. O Bettha, por exemplo, utiliza inteligência artificial para fazer um "match" cultural entre a empresa e o candidato, focando em soft skills e gamificação.
Já a 99jobs aposta em uma curadoria que prioriza o propósito e a identificação com os valores da marca.
Ambas são excelentes para pequenas e médias empresas que não possuem um grande departamento de RH, pois automatizam a triagem e garantem que os candidatos selecionados realmente tenham o perfil da sua organização.
8. Comunidades de Nicho (Discord e Slack)
Se a sua empresa busca jovens talentos para áreas de Tecnologia, Design ou Marketing Digital, o lugar certo pode não ser um site de vagas, mas sim comunidades online.
Servidores no Discord e grupos no Slack voltados para estudantes e iniciantes são celeiros de talentos autodidatas e extremamente engajados. Participar desses espaços permite um recrutamento mais orgânico e direto, onde você pode observar o jovem resolvendo problemas em tempo real ou colaborando em projetos de código aberto antes mesmo da primeira entrevista.
Conclusão
Contratar um jovem talento é investir no fôlego renovado da sua empresa. Mais do que preencher uma vaga, é abrir espaço para novas perspectivas e para o futuro do mercado de trabalho. Seja através de instituições tradicionais, seja via comunidades digitais, o segredo está no "match" de valores. Prepare o terreno, acolha a inovação e veja seu negócio crescer com a energia de quem quer construir o futuro agora.


