Geração X no mercado de trabalho: desafios e soluções

Na hora de determinar quais características de perfil são desejáveis para ocupar uma vaga, a faixa etária costuma ser um dos fatores que têm colocado a Geração X à margem do mercado de trabalho.

Se na sua empresa esse imenso contingente de pessoas tem cada vez menos espaço, talvez seja prudente rever os critérios de seleção do seu capital humano.

No bate-papo de hoje, entre outras coisas, falaremos do cenário atual e futuro do mercado de trabalho no país, dos estereótipos que precisam ser superados, dos desafios da convivência intergeracional dentro das empresas e da contribuição que a Geração X pode dar.

Vamos ao que interessa?

Cenário geracional do mercado de trabalho

Não há como pensarmos com a devida profundidade no tema de hoje, sem que antes tenhamos uma visão objetiva do presente e do futuro da força de trabalho brasileira à disposição das empresas.

Para tanto, a seguir apresentaremos números e projeções com base em dados demográficos do IBGE e análises de consultorias como Ipea, Gupy, Deloitte e PwC.

Tabela por faixas etárias:

Faixa etária

2026

Projeção para 2036

Projeção para 2050

20-29 anos

~26%

~22%

~18%

30-39 anos

~28%

~25%

~21%

40-49 anos

~22%

~20%

~18%

50-59 anos

~18%

~20%

~14%

60+ anos

~6%

~13%

~29%

Tabela por gerações:

Geração

2026 (atual)

2036 (projeção)

2050 (projeção)

Situação esperada

Geração X (nascidos entre 1965–1980)

~30%

~15%

~5%

Em declínio; maioria aposentada ou em atividades de consultoria

Geração Y / Millennials (nascidos entre 1981–1996)

~45%

~35%

~10%

Predominantes até 2036; depois, transição para aposentadoria

Geração Z (nascidos entre 1997–2012)

~25%

~40%

~25%

Em ascensão; núcleo central da força de trabalho em 2036–2050

Ao analisarmos os dados atuais e projetados para daqui 10 anos e para 2050, algumas interpretações são possíveis:

  • O Brasil terá um mercado de trabalho cada vez mais envelhecido, com impacto direto em produtividade, em previdência e políticas de inclusão;

  • Em 2026, três em cada dez pessoas da população economicamente ativa (PEA), pertencem à Geração X;

  • Em dez anos os Millenials estarão em condição semelhante aos X de hoje e, juntamente aos mais velhos da Geração Z, representarão 40% da força de trabalho.

Mas entre diferentes outras implicações, o que não está tão claro assim, é que não importa a geração, as empresas precisam se ajustar e tirar proveito do convívio dessa diversidade geracional.

O X de hoje, é o Millenial de daqui a 10 anos, não porque numericamente serão equivalentes, mas porque os segundos devem assumir o papel que hoje é dos nascidos entre 1965 e 1980 e, também darão lugar aos hoje ainda jovens Gen Z.

Da mesma forma que hoje há desafios e soluções da Geração Z nas empresas, há também as decisões de como aproveitar o potencial e as qualidades dos Xs e Ys. Em outras palavras, não há como evitar essa convivência intergeracional.

E qual a solução?

Parte consiste em aceitar e saber administrar as diferentes gerações no mercado de trabalho e parte em aproveitar a bagagem e o conjunto de competências e características profissionais da Geração X.

Quem é a Geração X?

A Geração X compreende os nascidos entre 1965 e 1980 e, portanto, são os que têm hoje entre 46 e 61 anos.

Mais do que apenas um grupo etário, são pessoas que:

  • Nasceram e foram criadas em um momento de menor estabilidade econômica, de grande valorização do esforço individual;

  • Por conta do cenário acima, acostumaram-se a pensar na carreira como fruto de trabalho consistente, comprometimento com a empresa e busca constante por resultados;

  • Ética e responsabilidade são termos que norteiam suas ações;

  • Entendem que a autoridade e a liderança são aprendidas e que também resultam das experiências que tiveram;

  • São também pacientes, resilientes, mas sem deixar o pragmatismo de lado.

Quando se olha para esse perfil predominante, alguns pontos se antagonizam com os mais jovens (Millennials e Gen Z), os quais são:

  • Mais contestadores e rompem mais facilmente com modelos tradicionais;

  • Mais impacientes e ávidos por resultados no médio (Millenials) e curto (Gen Z) prazos;

  • Mais dependentes de feedback constante para se manterem motivados e engajados;

  • Mais orientados ao crescimento profissional acelerado.

Mas se por um lado as diferenças sugerem afastamento e dificuldade no convívio, o profissional com 46+ é aquele que reúne as competências para vencer esses desafios.

Quais as contribuições da Geração X para as empresas?

O primeiro passo é ter consciência que o simples fato da Geração X pertencer a uma outra geração, cria diferentes obstáculos que precisarão ser contornados.

Fulano é mais velho e não entende que agora as coisas são diferentes”.

Situações como a acima, nada mais são do que estereótipos! Em alguns casos, verdadeiros paradigmas que precisam ser superados, sob o risco de configurar etarismo!

Na prática, no dia a dia das empresas, isso tem algumas possíveis consequências:

  • Cobranças por desempenho e resultados, com pouca ou nenhuma margem para erro;

  • Responsabilização pelo comportamento dos mais jovens;

  • Servir de ponte entre a empresa / alta direção e os demais colaboradores;

  • Exigir grande comprometimento e disponibilidade, na contramão da crescente busca pela saúde mental e pelo equilíbrio entre vida pessoal e profissional.

Apesar de parecer uma equação sem solução, a resposta está na Geração X e nas contribuições que ela pode dar, afinal o ambiente e a conjuntura em que cresceram, criou nesses indivíduos competências de elevado valor para as empresas:

  • Visão holística e sistêmica – conseguem enxergar a complexidade além das partes isoladas, focando no "todo", promovendo uma compreensão ampla, essencial para resolver problemas complexos. Em outras palavras, eles não veem apenas a tarefa, mas entendem como aquela peça move toda a engrenagem do negócio;

  • Orientação aos resultados – compreendem e sabem trabalhar com eficácia e eficiência e, sempre que possível, são efetivos no desempenho das suas funções e responsabilidades;

  • Maturidade e resiliência – a vivência acumulada e os conhecimentos adquiridos, tornaram-na capaz de suportar toda a pressão sobre eles e os ensinaram a não desistir diante das primeiras dificuldades;

  • Equilíbrio – desenvolveram equilíbrio em diferentes esferas, seja buscando harmonia entre vida privada e profissional, seja entre o rigor organizacional e o pragmatismo, seja ainda entre a prática e a teoria;

  • Comprometimento e ética – a busca permanente por soluções para alguém da Geração X, também significa sempre fazer o que é o certo;

  • Flexibilidade e adaptabilidade – é preciso desmistificar a ideia de que o X é tecnofóbico. Na verdade, eles são os melhores imigrantes digitais. Aprenderam a vivenciar a transformação digital e a transitar do analógico à IA, o que lhes confere uma adaptabilidade única para integrar o novo sem descartar o que funciona;

Vale lembrar também que muitos profissionais dessa geração compõem a chamada “Geração Sanduíche”, equilibrando o cuidado com filhos adolescentes e com os pais idosos. O empresário que compreende essa realidade e oferece flexibilidade, ganha um colaborador extremamente grato, resiliente e focado.

Em resumo, hoje a Geração X é a que pode criar um ambiente onde todas as gerações são respeitadas e têm a oportunidade de expressar suas ideias e opiniões, bem como colocar as suas qualidades a serviço das empresas. Se preferir, ignorar a Geração X hoje, compromete a transição para quando Millennials e Gen Z assumirem o protagonismo

O valor estratégico além do currículo

Para o empresário, olhar para a Geração X não é uma questão de benevolência, mas de estratégia de negócio. Existem ativos que esse grupo traz e que muitas vezes não aparecem nos indicadores de curto prazo:

  • Memória institucional – o profissional X é o “guardião” da cultura e da história da empresa. Quando ele sai, a organização corre o risco de "esquecer" o porquê de certas decisões passadas, acabando por repetir erros antigos que já haviam sido superados;

  • Estabilidade e ROI (Retorno sobre Investimento) – em um mercado com alto turnover entre os mais jovens, a lealdade da Geração X se destaca. Eles tendem a permanecer mais tempo na empresa, o que reduz drasticamente os custos de rotatividade e recrutamento, trazendo mais previsibilidade ao negócio;

  • Mentoria reversa – o empresário ganha muito ao criar pontes. Enquanto os jovens trazem o frescor das novas tecnologias, o profissional X oferece o mapa da "navegação política" e a inteligência emocional necessária para gerir crises. Essas trocas funcionam como uma mentoria de mão dupla.

Conclusão

Ignorar o potencial da Geração X não é apenas um equívoco cultural, é um erro estratégico que custa caro ao capital humano e à força motriz da empresa. O futuro do mercado de trabalho exige uma liderança que saiba equilibrar a inovação dos jovens com a maturidade de quem já atravessou muitas crises.

Não é preciso escolher entre o novo e o experiente, mas se beneficiar dos resultados possíveis quando os dois trabalham juntos. O futuro do trabalho não é da Geração X, Y ou Z, mas da convivência inteligente entre todas elas.

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