O que é Ciência de Dados, importância e utilidade nas PMEs?
Não é de hoje que a Ciência de Dados vem ganhando mais e mais espaço nas conversas e lugar de destaque nas empresas dos mais diferentes segmentos.
Muitos acham que sabem o que é, mas confundem com outras áreas também relacionadas aos dados.
Sendo assim, nesta conversa vamos esclarecer o que é e o que faz um cientista de dados (o profissional dessa área), por quais motivos a ciência de dados tem crescente relevância e como ela tem contribuído de modo decisivo nas empresas.
Mais do que isso, vamos explorar esse assunto sem tecnicismos exagerados e desnecessários e também procurando derrubar mitos e ideias equivocadas.
Vamos aprender e tirar proveito?
O que é Ciência de Dados?
Ciência de dados – às vezes chamada de data science – é a área que faz uso de várias disciplinas (estatística, programação, inteligência artificial, machine learning, etc) aplicadas sobre dados estruturados e não estruturados, transformando-os em conhecimento útil, criando soluções para problemas, antevendo situações ou comportamentos e apoiando a tomada segura de decisão.
Mais simplificadamente, podemos entender o que é, olhando o trabalho do cientista de dados (nome do profissional dessa área, ainda que seja apenas um exemplo:
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Coleta de dados – ele colhe informações em bancos de dados, em APIs, redes sociais, sensores (IoT) e outras fontes relacionadas ao contexto do trabalho;
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Preparação e limpeza – nessa etapa, ele remove inconsistências, dados duplicados e os organiza para análise na fase seguinte;
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Análise exploratória – aqui é quando se utiliza de capacidade analítica para tentar identificar possíveis padrões, correlações, distribuições, bem como comportamentos dos dados que aparecem como exceção (outliers), extraindo informações e interpretações que costumam ser ignoradas, mas que podem esconder informações valiosas;
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Modelagem preditiva – na modelagem, ele cria modelos de machine learning, especialmente para grandes volumes de dados, a fim de prever tendências ou comportamentos futuros possíveis;
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Comunicação de resultados – apresenta insights (sacadas) por meio de relatórios, dashboards (painéis com diferentes indicadores) e visualizações para apoiar a tomada estratégica de decisões.
O que não é Ciência de dados?
Outra maneira de respondermos a pergunta anterior, é esclarecermos confusões que ocorrem com áreas relacionadas, usando a tabela a seguir:
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Área |
O que faz |
Diferença para Ciência de Dados |
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Análise de dados |
Explora e interpreta dados estruturados para responder “o que aconteceu ou está acontecendo” e “por que aconteceu ou está acontecendo” |
Ciência de dados busca prever “o que ainda vai ou pode acontecer”. A primeira responde sobre o passado e o presente. Já a segunda, busca antecipar as possibilidades futuras |
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Olha para o passado (histórico) para tirar conclusões sobre o que aconteceu e, a partir daí, tomar decisões e elaborar estratégias |
BI é mais descritiva, enquanto a ciência de dados:
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Engenharia de dados |
Constrói a infraestrutura e as respectivas ferramentas e tecnologias necessárias para coletar, armazenar e disponibilizar dados de modo eficiente (performance), escalável e confiável |
Data science utiliza o “produto” do trabalho da engenharia de dados, como fornecedor confiável de “matéria-prima” para fazer seu trabalho |
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Processamento de dados |
Faz a sanitização (limpeza) e a organização técnica dos dados para que possam ser utilizados / consumidos adequadamente |
O cientista de dados usa os dados processados para gerar conhecimento utilizável |
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Estatística |
Coleta, organiza, analisa, interpreta e apresenta os dados. Seu objetivo principal é transformar informações brutas em conclusões lógicas e seguras |
A estatística foca na análise matemática e modelagem de dados existentes para extrair conclusões seguras. A ciência de dados usa a estatística como ferramenta, mas soma a ela o poder da computação (programação e IA) para criar soluções automatizadas e preditivas em grande escala |
Por que a Ciência de Dados é importante?
Por tudo o que vimos até aqui, não deve ser difícil dar alguns dos principais motivos.
Objetivamente, é relevante porque:
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Conhecimento útil – cresce sem parar o volume de dados que são gerados atualmente, especialmente pelas novas tecnologias que são criadas e se desenvolvem diariamente. Para que toda essa quantidade não se transforme apenas em um “bando de dados” e consumindo valioso espaço em servidores NAS, é preciso extrair informação que produza ações (acionável), que agregue valor;
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Ciência – o desenvolvimento científico sempre se apoiou na pesquisa, a qual depende de profundo e meticuloso trabalho com uma série de dados. Sendo assim, data science serve muito bem ao progresso de muitas ciências e áreas nas quais elas são fundamentais (medicina, biologia, economia, etc);
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Comportamentos – a análise preditiva é especialmente proveitosa para antever comportamentos em diferentes mercados (consumo, financeiro, segurança, etc);
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Estratégia e competitividade – a exploração inteligente dos dados, gera informações que permitem se antecipar às mudanças do mercado, ajustar produtos e serviços com mais precisão, além de decidir com base em evidências e tendências, não em achismos;
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Eficiência operacional – ao identificar gargalos e prever demandas, a ciência de dados ajuda a otimizar processos, reduzir custos e aumentar produtividade;
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Inovação – ao revelar padrões ocultos e correlações inesperadas, estabelece-se um ambiente mais favorável à superação de velhos paradigmas, à criação de soluções melhores, de produtos / serviços inovadores (disruptivos ou não) e de modelos de negócio originais;
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Personalização – permite compreender melhor o comportamento de clientes e oferecer experiências sob medida, aumentando a satisfação e a fidelização.
Em resumo, a ciência de dados é o elo entre informação e ação, transformando o excesso de dados em vantagem competitiva, tornando as empresas mais inteligentes, ágeis e preparadas para o futuro.
Como pequenas e médias empresas já usam Ciência de Dados?
Um mito bastante comum a respeito desse assunto, é que só as big techs ou as grandes e poderosas multinacionais se valem de data science, o que não é verdade.
Empresas de todos os portes já são capazes de gerar conhecimento valioso com a finalidade de reduzir custos, aumentar as vendas, fidelizar seus clientes, inovar e, sobretudo, serem mais competitivas e eficientes que a concorrência.
O segredo está em começar pela busca de soluções práticas e eficazes para problemas reais e que são entraves para o crescimento do negócio.
1. Varejo e comércio eletrônico
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Previsão de demanda – os lojistas já usam ciência de dados para prever quais produtos terão maior saída em determinadas épocas, evitando excesso de estoque ou falta de mercadoria;
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Campanhas personalizadas – fazem análise de comportamento de compra, o que permite enviar promoções direcionadas, aumentando conversão e o faturamento.
2. Serviços financeiros e contábeis
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Detecção de fraudes – mesmo as pequenas fintechs ou escritórios de contabilidade conseguem fazer análises que apontam as transações de risco ou suspeitas;
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Gestão de risco – a análise do histórico de clientes ajuda a prever inadimplência e ajustar políticas de concessão de crédito.
3. Planos de saúde e clínicas
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Agendamento inteligente – clínicas médicas usam dados para prever dias e horários de maior procura e otimizar plantões e escalas de colaboradores;
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Acompanhamento de pacientes – a análise de prontuários, exames e históricos ajudam a identificar padrões e oferecer tratamentos mais personalizados.
4. Indústria e manufatura
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Manutenção preditiva – sensores em máquinas geram dados que, devidamente analisados, indicam quando uma peça está prestes a falhar, evitando paradas inesperadas;
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Controle de qualidade – dados de produção ajudam a identificar falhas recorrentes e melhorar processos.
5. Marketing e comunicação
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Segmentação de clientes – pequenas agências e empresas usam ciência de dados para entender melhor o seu público e criar campanhas mais eficientes;
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Análise de redes sociais – monitoramento de menções e engajamento ajuda a ajustar estratégias de comunicação.
Quais dados da sua empresa podem ser aproveitados?
Se você é dos que acreditam que aplicar ciência de dados requer dispor de um Big Data ou inúmeros terabytes de dados para começar, saiba que essa crença também é injustificada.
A verdade é que os dados que já existem em muitas empresas, costumam ser suficientes para gerar ação e valor. O segredo está em olhar para eles de forma estratégica.
Eis alguns tipos ou conjuntos de dados dos quais é possível extrair valor:
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Dados de vendas – histórico de vendas de produtos, informações sobre sazonalidade e ticket médio, permitem prever demanda, elaborar um forecast, ajustar estoques e identificar oportunidades de promoção;
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Dados de clientes – cadastros, histórico de compras, preferências e interações de atendimento, podem ser usados para refinar a segmentação, personalizar as ofertas e criar campanhas mais eficientes;
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Dados financeiros – dados de fluxo de caixa, inadimplência e custos operacionais, ajudam a prever riscos, otimizar investimentos e reduzir desperdícios;
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Dados de operações – números do estoque, logística, tempo de entrega e produtividade da equipe, revelam gargalos e permitem melhorar eficiência operacional;
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Dados de Marketing e comunicação – o engajamento na redes sociais, a taxa de abertura de e-mails e os cliques nas campanhas realizadas, servem para medir o impacto e ajustar as estratégias de Marketing.
Portanto, não é o tamanho do banco de dados do seu negócio que importa, mas sim a forma como você usa o que já tem.
Com ciência de dados, até informações simples, como vendas mensais ou registros de clientes, podem gerar interpretações e sacadas de como inovar e ser mais competitivo.
Precisa de mais o quê para começar?
Conclusão
Colocar a Ciência de Dados em prática não exige supercomputadores, mas sim a mudança de postura de quem lidera. Os dados que você precisa já estão na sua empresa, esperando para virar lucro, eficiência e inovação. O futuro do seu negócio não precisa ser uma adivinhação. Use a informação a seu favor e dê o próximo passo. Que tal começar a olhar para o seu negócio de forma mais estratégica?


