O Básico muito bem feito, o segredo da evolução profissional

Evoluir, aprimorar-se, sofisticar-se e incorporar novas técnicas e métodos para fazer as coisas, é algo que profissionais e empresas estão sempre buscando e deve ser um objetivo de todos, não é mesmo?

Porém o que muitos se esquecem ou não dão a devida importância, é que parte importante do sucesso nessa busca por melhorias, depende de fazer muito bem o básico!

No bate-papo de hoje, vamos refletir sobre o que isso significa, compreender por quais razões é importante garantir o básico, quais as consequências de negligenciar esse aspecto e como tornar isso um princípio para o desenvolvimento profissional.

Vamos ao que interessa?

Começando pelo básico

Não dá para tratar desse assunto de modo coerente, senão começando pelo básico. E não, não se trata de um mero jogo de palavras.

Muitos de nós usamos as palavras sem pensarmos no seu significado amplo e profundo. É natural e compreensível.

Chegou a hora de mudar isso. Responda a você mesmo: “o que é básico?

Ao recorrer a um dicionário qualquer, você encontrará algo como: “Básico é o adjetivo usado para determinar o que é fundamental, essencial ou que serve de base (alicerce) para elaborar algo”.

Também é possível encontrar explicações que se referem “ao nível elementar, primário ou simples de alguma coisa”.

Dessas duas alternativas para essa palavra-chave, há ao menos dois possíveis desdobramentos:

  • Possivelmente por conta do termo “simples”, que muitos não dão a importância para o que é básico, sem entender que nem tudo que é simples, necessariamente é fácil ou pouco importante. Cortar um vegetal em julienne ou brunoise, é simples para um chefe experiente, mas pode ser bem complicado para quem não tem familiaridade e prática na cozinha, além de fazer diferença no resultado final do prato;

  • Não dá para construir nada grande, nada sofisticado, se os fundamentos, se os alicerces não estiverem presentes ou não receberem a devida atenção. Tente erguer uma casa em um terreno arenoso, sem antes construir fundações sólidas e devidamente dimensionadas.

E para dar uma profundidade ainda maior, pensemos nesse termo em outros contextos e significações:

  • Fundamental / Essencial – é o que é mais importante, constituindo a base de conhecimento ou de estrutura (ex: princípios básicos);

  • Simples / Elementar – aquilo que é desprovido de complexidade, de adornos ou de sofisticação (ex: um visual básico);

  • Iniciante – nível elementar – mas necessário – em qualquer aprendizado (ex: curso de inglês básico).

Portanto, não confunda básico com simplório ou dispensável. Sem ele, o próximo passo pode ser em falso!

Por que o básico é importante?

Ao refletirmos sobre os sentidos que a palavra tem, muitos são levados a pensar que a resposta já foi dada, certo?

Mas não é tudo…

Dominar o que é básico no campo profissional, resulta em outras consequências importantes:

  • Confiança – o profissional se sente mais seguro em subir de patamar porque tem domínio do atual;

  • Execução – a execução das tarefas que envolvem o básico, tende a ser melhor. Se preferir, tem melhor qualidade;

  • Produtividade – quando há elevada eficiência na execução, porque se domina o básico, há ganho em produtividade;

  • Economia – a economia de tempo é consequência direta do item anterior, mas também porque se evita o retrabalho;

  • Satisfação – quando se tem os elementos primários nas relações interpessoais (educação, respeito, ética, etc), há mais satisfação;

  • Consistência – a garantia do que é fundamental sempre, dá consistência a tudo que é feito.

Quais as consequências de negligenciar o básico?

Nesse ponto é comum as pessoas assumirem que a resposta está no inverso do tópico anterior (a importância do básico), o que não deixa de ser verdade, mas pode ser perigoso pensar de modo tão simplista.

Imagine a seguinte situação: Um restaurante situado na capital paulista, em região de boa circulação de pessoas, atuando há 20 anos no local, com clientela fixa, alto índice de ocupação das mesas e nota 4,6 nas avaliações do Google, resolve promover uma série de “melhorias”, visando aumentar seu já bom faturamento.

Entre as diversas mudanças, destaque para:

  • Substituição do cardápio físico pela versão digital acessível por QR Code;

  • Os pedidos agora são feitos e acompanhados pela mesma plataforma online que contém o cardápio digital. As justificativas para a mudança, é que “todo mundo” está usando e “moderniza” o serviço;

  • Os antigos garçons – não mais necessários devido à modernização – foram substituídos por jovens (com menores salários e sem perfil) que levam o que é pedido até as mesas;

  • Os pratos também foram “reformulados e agora têm uma “aparência gourmet”, afinal essa é uma tendência;

  • Agora há mais mesas (mas ainda no mesmo espaço físico) para acomodar mais clientes;

  • O ambiente também recebeu nova decoração, mais minimalista e despojada, visando acompanhar a “modernização”;

  • Um influenciador digital jovem e muito popular, fez um trabalho de divulgação junto aos seus seguidores.

Passado algum tempo das “melhorias”, o que o dono do restaurante viu foi justamente o contrário do que ele imaginava. O movimento caiu, junto com ele o valor do tíquete médio e o faturamento e se não fosse suficiente, as notas nas avaliações do Google também só pioraram. A única coisa que aumentou, foram as reclamações.

Preocupado e sem entender no que ele havia errado, ele foi conversar com os poucos frequentadores antigos que ainda apareciam de vez em quando.

Descobriu que seu cliente mais típico (a persona), entre muitas características, é representado pelos nativos analógicos e também aprendeu da pior maneira possível, que:

  1. Essa geração é mais resistente às mudanças, especialmente essa transformação digital promovida;

  2. O seu principal cliente é fiel, mas para se manter assim, precisa que o escutem;

  3. Por ser em maior número, é o maior responsável por manter a elevada ocupação no estabelecimento;

  4. A qualidade no atendimento piorou sensivelmente sem os garçons, algo que o antigo frequentador valoriza muito;

  5. De um modo geral e sob a ótica da principal persona, a experiência de consumo piorou, seja por conta do atendimento, mas também devido ao espaço mais apertado e um menu essencialmente visual, acabando com com os motivos que a levava ao restaurante;

  6. A recomendação, a indicação, mas também as críticas entre as pessoas desse público, têm mais força;

  7. O nativo analógico produz um tíquete médio maior do que a nova geração trazida pelo influencer;

  8. A nova geração bem menos fiel às marcas e, por isso, tão logo passa o efeito das divulgações, desaparece do negócio.

Em resumo, muitas coisas básicas foram ignoradas, como por exemplo, saber quem são seus clientes e quais são seus desejos, necessidades e expectativas.

Mas acima de tudo, aprendeu que quem deve dizer o que é básico e, portanto, o que é fundamental, essencial, é o cliente. Além disso, outro erro do restaurante não foi a tecnologia, mas usá-la para substituir o básico (relacionamento) em vez de potencializá-lo. A inovação deve servir para fortalecer a base e não para eliminá-la.

Embora o caso acima seja fictício, situações semelhantes acontecem todos os dias, em todas as áreas. Por isso, para que não aconteça o mesmo na sua empresa, vamos descobrir o que é básico do ponto de vista profissional.

Como priorizar e fazer muito bem o básico profissionalmente?

É importante ter em mente que qualquer que seja a esfera e nas muitas situações da vida – não só profissionalmente – há aspectos fundamentais que precisam ser garantidos, sem o quê, os resultados estarão comprometidos.

Por exemplo, nos relacionamentos pessoais, empatia, respeito, dedicação e atenção, são algumas das posturas básicas, sem as quais ele não será harmônico e positivo para ambas as partes.

Tal como nesse exemplo, em áreas de uma empresa, como Atendimento, Vendas ou Suporte, também se exige além das mesmas posturas acima, outros cuidados, como comunicação eficaz, escuta ativa, bom relacionamento interpessoal, proatividade, organização, entre outros.

Para não se perder na busca pela sofisticação, a priorização do básico deve seguir um método claro. A seguir listamos três passos fundamentais para implementar essa mentalidade.

1. Identifique o seu "Core" (O coração do negócio / carreira)

Pergunte-se: "Se eu retirar este processo ou habilidade, o resultado final será o mesmo?".

Se a resposta for não, você encontrou o básico.

Por exemplo, em Atendimento, o básico é tudo que é exigido para a resolução dos problemas do cliente. Em Vendas, é o conhecimento profundo do produto e o atendimento às necessidades, desejos e expectativas do cliente.

Ou seja, priorize o que é estrutural, não o que é decorativo.

2. Estabeleça a "Régua da Maturidade"

Crie uma regra pessoal ou organizacional, segundo a qual uma nova tecnologia ou método sofisticado só podem ser adotados quando o processo básico atual atingir 100% de consistência.

Se a equipe ainda falha em responder e-mails no prazo (básico), não é hora de implementar um software de gestão de projetos ultra complexo.

3. Pratique a “Revisão dos Fundamentos”

Atletas de elite treinam passes e fundamentos básicos todos os dias e isso garante que ao incorporarem novas habilidades, o saldo final seja efetivamente melhor.

No profissional, isso significa auditar constantemente o que parece "óbvio":

Conclusão

O Básico é o Novo Diferencial. Ao contrário do que o senso comum sugere, fazer o básico muito bem feito não é o ponto de partida, mas um estado de vigilância constante. Em um mercado que sofre de "ansiedade por inovação", quem entrega o essencial com perfeição e constância já está à frente da maioria.

Não tenha pressa em alcançar a sofisticação se o seu alicerce ainda oscila. Lembre-se do restaurante: o brilho da modernização jamais substituirá o valor de uma refeição reconfortante, servida por alguém atencioso e um ambiente acolhedor e agradável.

Em resumo, domine os fundamentos. Consolide a base e só então, suba o próximo degrau.

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