Outubro Rosa nas empresas: importância e ações práticas

É bastante improvável que alguém não tenha ao menos uma noção do que é o Outubro Rosa e, portanto, não é nossa intenção apenas explicar o que é.

Compreender o seu significado é somente o primeiro passo para conseguir adesão e mobilização de toda a sociedade, por meio da difusão de informação ampla e irrestrita sobre o assunto, pela promoção de um conjunto de ações concretas e eficazes e pela perseguição de resultados cada vez mais positivos.

Sendo assim, no importante bate-papo de hoje, além de esclarecer as dúvidas mais comuns, também destacaremos a importância da participação das empresas nesse movimento e mostraremos que há iniciativas acessíveis mas fundamentais para o sucesso das campanhas de engajamento e queda consistente do número de casos fatais.

Vamos ao que interessa?

O que é o Outubro Rosa?

Outubro Rosa é o mês dedicado às campanhas mundiais de conscientização sobre a importância da prevenção, detecção precoce e combate ao câncer de mama, que é uma das doenças que mais mata mulheres no mundo inteiro.

O câncer de mama é atualmente a primeira causa de morte por câncer em mulheres, excluindo tumores de pele não melanoma, correspondendo a 16,1% dos óbitos por câncer feminino no Brasil, afetando principalmente as mulheres entre 50 e 69 anos, que respondem por cerca de 45% das mortes.

E há outros diferentes números de importantes órgãos, como o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Instituto Oncoguia (organização não governamental) e o Global Cancer Observatory (GCO, mantido pela IARC, uma agência da OMS), que justificam a necessidade de um movimento nesse sentido:

  • No mundo:

    • Segundo a análise mais recente da IARC (Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer), ligada à Organização Mundia da Saúde, publicada em 2025, o número de casos continua crescendo. Globalmente, ocorreram 2,3 milhões de novos casos e 670 mil mortes por câncer de mama feminino em 2022;

    • As taxas anuais aumentaram entre 1% e 5% em metade dos países analisados, os de menor IDH (Índice de Desenvolvimento Humano);

    • Até 2050, os novos casos e as mortes terão aumentado em 38% e 68%, respectivamente, impactando particularmente os países com baixo IDH;

  • No Brasil:

    • Estima-se mais de 78.000 casos novos por ano, no triênio 2026–2028;

    • Segundo o relatório “Controle do câncer de mama no Brasil: dados e números 2025”, publicado pelo INCA em outubro de 2025, mais de 20.000 morreram em decorrência desse tipo de câncer em 2023;

    • A região Sudeste concentra o maior número de casos, sendo que Santa Catarina apresenta a maior taxa padronizada(*) do país – 74,79 por 100 mil mulheres;

    • As maiores taxas padronizadas(*) de mortalidade estão em Roraima, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.

* – a taxa ajustada (ou padronizada) é calculada considerando uma população padrão (geralmente a mundial de 1960), para eliminar o efeito das diferenças de idade entre populações. Por esse cálculo, duas cidades podem ter a mesma taxa ajustada, mesmo que uma tenha taxa bruta maior, porque sua população é mais envelhecida.

Comparativo Brasil vs Mundo

Indicador

Brasil (2026-2028)

Mundo (2024, OMS 2026)

Casos novos/ano

78.610

2,4 milhões

Taxa bruta de incidência

71,57/100 mil

30–90/100 mil (variação regional)

Taxa ajustada (padrão mundial)

42,50/100 mil

~45/100 mil

Mortalidade anual

~20.165 óbitos

~693 mil óbitos

Sobrevivência em 5 anos

75–80%

85% países ricos / <45% países pobres

A divulgação ampla de informações claras e objetivas, em primeiro momento, é essencial para conscientizar toda a sociedade da seriedade da questão.

O principal pilar do movimento é a conscientização a qual está relacionada com:

  • Mostrar a situação sem alarmismos, porém ressaltando a sua gravidade;

  • Trazer uma variedade de informações que são essenciais no combate mais adequado desse mal;

  • Sensibilizando toda a sociedade sobre a importância do diagnóstico precoce para a eficiência dos tratamentos.

Portanto, ao longo do mês de Outubro, ganham ainda mais destaque as campanhas que visam reduzir ano a ano a incidência e o número de mães, irmãs, esposas, filhas e amigas que contribuem para engrossar essas preocupantes estatísticas.

No entanto, ainda que esse tipo de câncer seja a principal causa de morte na população feminina no Brasil, na região Norte, o câncer do colo do útero é a primeira. Em função desse último dado, temos observado com frequência cada vez maior, que esse tipo de câncer – colo do útero – também tem sido alvo de campanhas mais abrangentes de Outubro Rosa.

Quando foi criado o Outubro Rosa?

A campanha Outubro Rosa teve início em 1990, em Nova Iorque, nos Estados Unidos, por iniciativa da Fundação Susan G. Komen for the Cure, que marcou a primeira ação nesse sentido e que visava arrecadar fundos para as pesquisas conduzidas pela instituição.

O evento consistiu de uma corrida, na qual os atletas usaram laço rosa na altura do peito e que mais tarde acabou se tornando o mais conhecido símbolo da campanha.

Essa ação serviu para começar a abrir os olhos do mundo sobre a importância do tema, mas foi só em 1997, após o Congresso Americano estabelecer que o mês de outubro deveria ser dedicado à prevenção do câncer de mama em âmbito nacional, que o movimento efetivamente ganhou força e a partir daí, avançou sobre as fronteiras de outros países.

Quando Outubro Rosa chegou ao Brasil?

No Brasil, a primeira ação relativa ao Outubro Rosa que se tem notícia, ocorreu em 2002 quando o Obelisco do Ibirapuera (Mausoléu do Soldado Constitucionalista) foi iluminado de rosa.

Essa primeira manifestação ocorreu por iniciativa de um grupo de mulheres que enxergavam a importância do tema e que queriam que houvesse uma adesão nacional, como já ocorria em outros países. Receberam apoio de uma empresa multinacional de cosméticos naquela primeira ação.

Mas foi somente a partir de 2008 que ações mais coordenadas e envolvendo mais instituições, com algum apoio público, que as campanhas começaram a ser vistas com mais frequência.

Foram ainda necessários outros 10 anos para que no Brasil, em 2018, o movimento ganhasse amparo de lei.

A Lei nº 13.733 instituiu oficialmente outubro como sendo o Mês de Conscientização sobre o Câncer de Mama – o Outubro Rosa.

Segundo a lei, nesse período, entre uma série de atividades, deve-se também promover:

  1. Iluminação de prédios públicos com luzes de cor rosa;

  2. Promoção de palestras, eventos e atividades educativas;

  3. Veiculação de campanhas de mídia e disponibilização à população de informações em banners, folders e em outros materiais ilustrativos e com exemplos sobre a prevenção ao câncer, que contemplem a abrangência do tema;

  4. Realização de atos lícitos e úteis para a consecução dos objetivos da campanha.

Antes disso, desde 2010, o Instituto Nacional de Câncer, o INCA, tem atuado de modo ativo nas campanhas, por meio da promoção de eventos técnicos, debates e palestras dedicadas ao tema, bem como na produção de material para propagação de informação sobre o câncer de mama.

Graças a essas ações, somado ao apoio que a iniciativa privada e a sociedade civil organizada deram, perante o entendimento da sua importância, que Outubro Rosa vem se consolidando ano a ano no Calendário Anual de Cores no Brasil.

Por que a campanha Outubro Rosa é importante?

O câncer de mama é a manifestação da doença que mais afeta mulheres no mundo todo, não sendo restrito a fatores sociodemográficos quaisquer, ou seja, afeta tanto as populações mais pobres, como as mais ricas.

Conforme já mencionamos, os números evidenciam a seriedade do problema e, portanto, as campanhas não devem ser apenas um lembrete sobre exames e consultas médicas. Precisa ser um movimento que transcende a saúde individual e se conecta com dimensões sociais, culturais e econômicas.

  • Impacto na vida das mulheres – o câncer de mama não escolhe classe social, profissão ou estilo de vida. A campanha reforça que o cuidado com a saúde é um direito e a adesão a uma causa de âmbito global;

  • Mudança cultural – falar sobre saúde feminina ainda é, em muitos ambientes, um tabu. O Outubro Rosa abre espaço para conversas que antes eram silenciadas, normalizando o autocuidado e o diálogo sobre a prevenção;

  • Responsabilidade social – todas as parcelas da população que apoiam a campanha não apenas demonstram empatia, mas também investem solidariedade compartilhada. Uma mulher saudável é parte fundamental da sociedade;

  • Educação contínua – o movimento lembra que a informação tem o poder de salvar vidas. Cada palestra, cada ação de conscientização, cada material distribuído é uma oportunidade de transformar conhecimento em atitudes mais eficientes;

  • Empoderamento coletivo – quando sociedade civil, empresas e instituições públicas se unem, o resultado é uma rede de apoio que fortalece mulheres em todas as fases da vida.

Em resumo, o Outubro Rosa é importante porque não se limita a combater uma doença, mas promove uma cultura de cuidado, solidariedade e responsabilidade compartilhada.

O que é importante conhecer sobre o câncer de mama?

Antes de mais nada, devemos enfatizar que esse tipo de informação serve de apoio e, portanto, somente as consultas e acompanhamentos regulares junto aos profissionais de saúde especializados, consistem de medidas profiláticas recomendadas e eficientes.

Em outras palavras, nenhuma cartilha, folheto ou qualquer material informativo deve substituir o acompanhamento médico frequente.

Também é preciso compreender que os fatores de risco e a prevenção caminham lado a lado.

Fatores de risco ao câncer de mama

Os fatores de risco servem de importante alerta, na medida que quanto mais deles estiverem presentes, mais precauções e acompanhamentos são exigidos.

Tais fatores são de ordem ambiental e comportamental, são relacionados com a reprodução humana, mas também de ordem genética ou hereditária e são:

  • Histórico familiar de câncer de ovário;

  • Histórico familiar de câncer de mama em mulheres, principalmente antes dos 50 anos e casos em homens da família;

  • Alteração genética, constatável por meio de exame apropriado;

  • Tratamento de reposição hormonal (estrogênio - progesterona), principalmente os de longa duração;

  • Utilização de contraceptivos hormonais (estrogênio - progesterona);

  • Menarca (primeira menstruação) precoce (antes de 12 anos);

  • Não ter engravidado;

  • Gravidez tardia (após os 30 anos);

  • Menopausa (parar de menstruar) tardia (após 55 anos);

  • Obesidade / sobrepeso, particularmente na menopausa;

  • Baixa atividade física;

  • Tabagismo (ato de fumar);

  • Consumo de bebidas alcoólicas;

  • Tratamentos a base de radioterapia na região torácica.

Quais os sinais e sintomas do câncer de mama?

A mulher precisa estar atenta a sinais que seu corpo pode dar, indicando alguma coisa errada. Isso deve ser uma rotina, conhecida como autoexame, o qual não substitui as consultas médicas, mas que serve para conhecer o próprio corpo e notar alterações no dia a dia que podem servir de alerta adicional e podem contribuir para o diagnóstico precoce.

Os principais sinais / sintomas, são:

  • Surgimento de caroço (nódulo), geralmente indolor;

  • Pele da mama avermelhada ou com textura parecida com casca de laranja;

  • Surgimento de alterações nos mamilhos ou saída espontânea de líquido de um dos mamilos;

  • Pequenos nódulos no pescoço ou nas axilas.

Há prevenção para o câncer de mama?

Quando tratamos de doenças que sofrem influência de fatores ambientais e/ou comportamentais, consequentemente se pode supor que há também fatores, práticas e hábitos que diminuem os riscos:

  • Alimentação saudável contribui tanto para controle de sobrepeso, como para evitar o consumo de substâncias que favorecem o surgimento e desenvolvimento não só do câncer de mama, como de outros tipos;

  • Atividade física regular, também é importante não só por conta da prevenção a essa e outras doenças, mas auxilia no controle do peso;

  • Evitar ou reduzir bastante o consumo de bebidas alcoólicas, bem como parar de fumar;

  • O aleitamento materno (amamentação) e que é alvo do Agosto Dourado, além dos benefícios às crianças, tem se mostrado um importante fator de proteção;

  • Evitar o uso de contraceptivos hormonais.

Outubro Rosa nas empresas

É fundamental que toda empresa compreenda que o seu apoio e a participação no Outubro Rosa, é uma das formas mais importantes no exercício da sua responsabilidade social e no cumprimento do papel cada vez mais decisivo que tem na sociedade na qual está inserida.

As empresas verdadeiramente engajadas, também colhem benefícios, na medida que direta e indiretamente, promovem melhor qualidade de vida no trabalho e clima organizacional.

E como não poderia ser diferente, tudo começa dentro da própria empresa, pois mesmo que sua campanha seja restrita “apenas” aos seus colaboradores e/ou seus clientes internos, já é suficiente para alcançar todas as mulheres empregadas e a rede de apoio (colegas e gestores, maridos, pais e filhos, etc) tão fundamental para o sucesso das campanhas.

Eis exemplos de algumas ações possíveis:

  • Facilitação de exames e consultas – concessão de folgas ou flexibilização de horários para que colaboradoras realizem exames periódicos e preventivos, não apenas no mês da campanha, mas ao longo de todo o ano. Essa não é só uma “boa prática”, mas algo que tem amparo na CLT (Art. 473, XII – até 3 dias de folga por ano para exames preventivos de câncer comprovados);

  • Distribuição de material promocional – desde os tradicionais laços cor-de-rosa e bottons, publicação de posts internos na intranet ou no blog corporativo, fixação de banners e informativos;

  • Campanhas educativas – realização de palestras, rodas de conversa, webinars e compartilhamento de links úteis sobre prevenção e diagnóstico precoce;

  • Promoção de hábitos saudáveis – incentivo à prática esportiva, programas de alimentação equilibrada, convênios com academias e desafios internos de bem-estar;

  • Engajamento digital – uso das redes sociais da empresa para ampliar o alcance da campanha e mostrar apoio público à causa;

  • Ações simbólicas – por meio de iluminação da fachada na cor rosa ou ambientação temática nos espaços internos;

  • Parcerias externas – articulação com a Unidade Básica de Saúde (UBS) do bairro da empresa, com ONGs ou instituições de saúde para oferecer palestras, exames ou campanhas conjuntas;

  • Apoio psicossocial – disponibilização de canais de escuta, rodas de conversa sobre saúde mental e suporte psicológico para colaboradoras em tratamento;

  • Apoio pós-diagnóstico – estabelecimento de procedimento caso uma colaboradora receba um diagnóstico, como oferecer adaptação temporária de carga de trabalho, suporte no trâmite de auxílio-doença junto ao INSS e canal aberto para comunicação sem preconceitos;

  • Inclusão dos homens da equipe – incentivar que os colaboradores homens repassem o conhecimento para mães, esposas, filhas e irmãs. Além disso, destacar pontualmente que, embora raro (cerca de 1% dos casos), o câncer de mama também afeta homens, desmistificando o assunto para toda a equipe.

Conclusão

Mais do que iluminar fachadas, o Outubro Rosa é um compromisso contínuo com a vida. Quando as empresas assumem esse papel, transformam a informação em cuidado concreto e fortalecem uma rede de apoio que salva vidas. Promover a conscientização, garantir o acesso à prevenção e acolher a saúde da mulher é um investimento essencial no bem-estar de toda a sociedade.

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