Navegador Brave: O que é, diferenciais e por que usar?

Quem usa frequentemente um desktop ou notebook, sabe que ter um bom browser instalado não é uma questão de escolha, mas uma necessidade básica, razão pela qual de tempos em tempos surgem novas alternativas que prometem resolver os principais problemas que o programa mais usado no mundo, sabidamente tem.

Uma dessas muitas opções é o navegador Brave!

No post de hoje, mostraremos porque o Brave é mais do que apenas uma interface diferente e um punhado de opções de configurações e de preferências pessoais. Se você quer descobrir quais são os diferenciais que o colocam como uma escolha equilibrada e razoavelmente confiável para acessar a Web, siga-nos até o final.

O que é o Brave?

O Brave é um navegador web, criado pela Brave Software Inc, cuja primeira versão foi disponibilizada em 2016 – versão de testes – e desde 2019 vem lançando versões estáveis e oficiais para o Windows, macOS, Linux, Android e iOS.

Alguns outros dados sobre o Brave ajudam a ter uma melhor ideia do projeto:

  • Chromium – da mesma forma que a maioria das alternativas atuais, como o Microsoft Edge e o Google Chrome, é desenvolvido a partir do projeto Chromium;

  • Open Source – é um projeto open source, o que qualquer um pode pegar utilizar o código-fonte para criar outros programas a partir dele;

  • Gratuito – também como quase todos, é gratuito para baixar, instalar e usar (exceto os recursos “premium”).

  • Leve – por conta de algumas de suas características, que detalharemos adiante, propõe-se a ser menos exigente em termos de recursos (processamento e memória RAM);

  • Recursos – tem os recursos mais usados pelos usuários e presentes nos concorrentes mais populares;

  • Interface – a interface é simples, funcional e não tenta “reinventar a roda”, fazendo com que seu uso seja intuitivo e direto.

Enfim, caso você futuramente decida baixar e instalar o Brave, imediatamente não notará nada muito diferente do que encontraria em outros softwares do tipo. As maiores diferenças estão relacionadas ao que a empresa que o desenvolveu e mantém, promete – a privacidade online.

Vamos entender melhor isso?

Quais os diferenciais do Brave?

Da mesma forma que cada novo browser que é lançado, o Brave se baseia em diferenciais que são considerados importantes na navegação Web e que, segundo eles próprios, são: maior desempenho no carregamento das páginas, menor consumo de memória RAM e em particular garantia de privacidade, especialmente quando comparado ao Chrome.

Privacidade no Brave

Conforme a empresa desenvolvedora faz questão de enfatizar, a principal qualidade do navegador é a privacidade.

O Brave, assim como muitos, conta com configurações que permitem selecionar diferentes níveis de privacidade:

  • Uso ou não de serviços do Google para receber mensagens ou notificações push (alertas enviados por aplicativos, sites para a tela inicial ou para a central de notificações);

  • Definição do período de gravação do histórico de navegação localmente;

  • Redirecionamento automático de páginas AMP (páginas servidas a partir dos servidores do Google) e similares para a página do editor, o que traz benefícios de privacidade, segurança, usabilidade e desempenho;

  • Redirecionamento de URLs de rastreamento automático;

  • Barrar impressão digital do navegador (o browser fingerprinting) nativamente

  • Bloquear a gravação de cookies de terceiros;

  • Impedir execução de scripts;

  • Bloqueio de anúncios automático e nativo.

Ou seja, não é necessário instalar extensões ou complementos (AddOns) para nada disso.

A cada nova página de site acessada e carregada, um ícone de escudo com o logo do browser – localizado no lado direito da barra de endereço – exibe o número de bloqueios de rastreadores, anúncios e outros bloqueios efetuados.

Ao clicar sobre o ícone, uma janela flutuante é exibida com mais detalhes sobre os bloqueios, bem como opções para mudar as proteções e outras configurações relacionadas com a privacidade na navegação.

A privacidade aliás tem sido um ponto de extrema relevância e a despeito da LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados) e da GPDR (lei de proteção de dados da União Européia), o que se vê na prática e especialmente no Brasil, é que nem todo site está realmente adequado à LGPD.

Por isso, contar com um navegador com um mecanismo razoavelmente eficiente de privacidade, é bastante vantajoso.

Consumo de memória no Brave

Todo mundo sabe que mesmo sendo o navegador mais usado mundialmente (quase 70% de share), o Google Chrome é um voraz consumidor de memória RAM, situação que apesar dos inúmeros relatos e reclamações, o Google não parece esforçado em resolver.

Para atender a esse público, o Brave – assim como o Microsoft Edge – aparece como uma boa alternativa.

Em vários testes realizados, ao abrir vários sites em diferentes abas, é possível observar a diferença de utilização ao observar o gerenciador de tarefas do Windows. Esse é diferencial importantíssimo, especialmente para aqueles que não dispõem de muita RAM disponível e mesmo os que têm, veem ela ser rapidamente consumida ao abrir várias abas ou guias no browser, algo comum no cotidiano de trabalho.

De fato, como podemos ver na imagem abaixo, com os mesmos 5 sites abertos, a alocação de memória RAM no Brave é menos da metade exigida pelo Chrome e cerca de 72% da consumida pelo MS Edge.

Brave - uso de memória RAM

Entre outras razões, o Brave consegue essa proeza por dispensar o uso de extensões para os bloqueios que faz nativamente e por não efetuar o download e exibição de lixo eletrônico. Ou seja, quanto mais guias estiverem abertas, mais notável será a diferença.

Desempenho do Brave

O desempenho do Brave no uso diário, é outro diferencial relevante e novamente o parâmetro de comparação, é naturalmente a ferramenta do líder das buscas.

A lógica é simples. O carregamento e abertura das páginas ocorre mais rapidamente, quanto mais cookies, mais mecanismos de rastreamento e publicidade houver nos sites acessados. Especialmente ao bloquear anúncios de terceiros, menos download de conteúdo será feito.

Mas há outros ganhos também:

  • Ao consumir menos memória, sobra mais no sistema para renderizar o conteúdo;

  • Por dispensar o uso de extensões, o processamento é também menor;

  • Há um menor consumo de banda da conexão;

  • Os mecanismos ligados à publicidade e rastreamento, embora pouco exigentes, também demandam processamento.

Mais vantagens do Brave

E se velocidade, consumo de memória RAM e privacidade já não fossem motivos suficientemente bons para considerar o navegador como alternativa ao acessar à World Wide Web, há outras vantagens:

Modo Tor

Para aqueles que precisam de uma navegação ainda menos permissiva, há também o “modo Tor” do Brave, que resumidamente consiste de usar uma janela anônima / privada para rotear o tráfego do usuário por vários servidores (nós) da rede Tor antes de chegar ao destino, usando criptografia em camadas (onion routing), ocultando o endereço IP e a localização do usuário de provedores de Internet (ISPs), Wi-Fi e sites visitados.

Embora essa funcionalidade ofereça um nível ainda maior de anonimato e privacidade, especialistas e a própria empresa desenvolvedora alertam que esta implementação não oferece o mesmo nível de privacidade e anonimato do navegador Tor oficial, mas é útil para esconder a atividade de terceiros em navegação mais básica.

Brave Rewards

Com o Brave Rewards o usuário pode até “lucrar” ao utilizá-lo. Nesse caso serão exibidos anúncios apenas de empresas que fazem parte desse modelo publicitário e o usuário recebe BATs (Basic Attention Token) e que é um ativo digital gerado por meio de um blockchain, tal qual as criptomoedas, podendo ser usado para doações, pagamentos de serviços e outras operações online.

Apesar de que, a princípio o conceito pareça interessante, na prática a ideia não decolou, seja porque os BATs não tiveram boa adesão, seja porque há relatos desfavoráveis dos usuários quanto ao resgate dos ativos.

Extensões Chrome

Quem está habituado a usar extensões do Chrome, não terá problemas com o Brave, pois a grande maioria das mesmas que você já utiliza, também podem ser instaladas e funcionam no Brave, afinal o projeto é desenvolvido a partir do Chromium.

Inclusive ao clicar em “Encontre extensões e temas na Web Store”, a loja aberta é a “Chrome Web Store”.

Aqui vale lembrar que o ecossistema do Chrome migrou do Manifest v2 para o Manifest v3, o que limitou bloqueadores de anúncios no Chrome. Ou seja, o Brave mantém suporte a regras de bloqueio avançadas nativamente sem depender de uma extensão com essa finalidade.

Portabilidade

Nesse ponto, caso você já esteja considerando dar uma chance ao Brave, mas pensa em tudo o que tem no outro navegador, saiba que é possível importar as pastas de favoritos, histórico de navegação e até mesmo as senhas usadas do Chrome para o Brave e ainda sincronizar diferentes dispositivos (ex: smartphone e notebook).

O processo é simples e rápido:

  • Importação automática – ao instalar o Brave, logo na primeira execução o assistente oferece a opção de importar dados do Chrome instalado;

  • Manualmente – alternativamente, você pode acessar manualmente as configurações, selecionar “Primeiros passos” > “Importar favoritos e configurações”, escolher o Chrome na lista e marcar todas as opções desejadas antes de clicar em “Importar”;

  • Método alternativo para senhas – caso a importação direta de senhas não funcione ou você precise migrar de um dispositivo diferente, é possível exportar as senhas do Chrome como um arquivo .csv e importá-las no Brave por meio do Gerenciador de Senhas nas configurações de preenchimento automático (brave://password-manager/passwords).

Extensões e preferências gerais também são transferidas facilmente, embora a sincronização contínua entre dispositivos seja gerenciada pelo Brave Sync, que não se conecta aos servidores do Google.

Inteligência Artificial

A popularização da inteligência artificial também se faz notar no Brave, que conta com um ícone para acesso ao “Leo AI”, um assistente de IA privado, integrado diretamente ao navegador.

Projetado para oferecer respostas rápidas, geração de conteúdo e análise de páginas com foco em privacidade. Ele não armazena nem compartilha conversas, funciona em desktop e mobile, além de ser gratuito.

Como seria de se supor, a privacidade no uso do recurso é garantida pela empresa desenvolvedora, que diz não reter histórico de chats, não usa suas conversas para treinar modelos e não exige login ou conta.

É possível usar os modelos Mixtral, Claude (Anthropic), Llama (Meta), cujas principais funções são:

  • Resumir páginas da Web, PDFs, Google Docs e Sheets;

  • Traduzir textos para diferentes idiomas;

  • Gerar artigos, redações, e-mails e até código de programação;

  • Organizar guias abertas por tópicos.

Brave Wallet

Outro recurso do browser, é o Brave Wallet, uma carteira de auto-custódia e que basicamente consiste em um carteira de criptomoedas em que o próprio usuário controla as chaves privadas que dão acesso aos seus ativos digitais, sendo o único responsável por guardar e proteger essas chaves.

Diferentemente de carteiras como MetaMask ou Coinbase Wallet, ele não funciona como extensão, reduzindo riscos de phishing e spoofing. Além disso, por ser nativo, consome menos recursos do computador e herda as proteções de privacidade do Brave.

Principais funcionalidades:

  • Suporte a múltiplas redes – Ethereum, Solana, Filecoin, Polkadot e mais de 100 blockchains compatíveis;

  • Gerenciamento de ativos digitais – comprar, enviar, armazenar e realizar swaps de tokens e NFTs;

  • Integração com DApps – conexão direta com aplicativos descentralizados em redes EVM e Solana;

  • Compatibilidade com hardware wallets – funciona com Ledger e Trezor sem precisar de softwares adicionais;

  • Privacidade avançada – inclui suporte a transações privadas com Zcash e, mais recentemente, transferências confidenciais entre cadeias via NEAR Protocol.

Ou seja, é um recurso ideal para quem busca uma solução segura, integrada e multi-chain para explorar o universo Web3 sem depender de extensões externas.

Brave VPN

O Brave VPN (também chamado Brave Firewall + VPN) é um serviço pago integrado ao navegador, que protege sua navegação criptografando todo o tráfego de internet e bloqueando rastreadores, mesmo fora do navegador. Uma assinatura cobre até 10 dispositivos (Windows, macOS, Android e iOS) e custa cerca de US$ 9,99/mês ou US$ 99,99/ano.

Desenvolvido pela empresa Guardian, os principais recursos são:

  • Criptografia total – protege seu tráfego com criptografia em todos os aplicativos, não apenas dentro do Brave;

  • Firewall integrado – o firewall bloqueia rastreadores, anúncios e malwares;

  • Política de não registros (no-logs) – não armazena dados de tráfego, conexões ou endereços IP;

  • Servidores globais – mais de 300 servidores em mais de 40 regiões, permitindo contornar restrições geográficas;

  • Assinatura única – cobre até 10 dispositivos com Brave instalado;

  • Preservação de privacidade – método exclusivo que impede até o Brave de saber se você já usou o VPN.

Web Discovery Project

Esse é um sistema opcional do navegador que coleta dados anônimos de navegação para ajudar a construir o índice independente da Pesquisa Brave, ou seja, para quem não quer usar o Google ou outros sites de busca.

Como funciona:

  • O recurso vem desativado por padrão e o usuário decide se quer participar (no assistente durante a primeira execução) ou sair a qualquer momento;

  • Coleta frações de consultas de pesquisa, URLs visitadas, tempo de permanência nas páginas e metadados estruturais;

  • Os dados coletados não podem ser vinculados à identidade do usuário ou à sua sessão de navegação original;

  • Há filtros de segurança, o que na prática significa que consultas sensíveis ou pessoais são descartadas antes de qualquer envio.

Web Discovery Project é uma alternativa aos motores de busca tradicionais, com foco na preservação da privacidade. Quem aceita participar, “contribui” com alguns dados anônimos sobre pesquisas e visitas a páginas da Web feitas no Brave Browser (incluindo páginas acessadas por meio de alguns, mas não todos, outros mecanismos de pesquisa).

Esses dados (termos pesquisados, cliques em resultados, URLs de páginas visitadas, tempo gasto nessas páginas e alguns metadados das páginas) são usados para a indexação da Pesquisa Brave, buscando exibir resultados relevantes para cada pesquisa feita.

O Web Discovery Project é executado em segundo plano e você pode optar por não participar a qualquer momento.

Utilização

Se por um lado ele se diferencia em aspectos importantes, o Brave não introduziu grandes novidades em termos de utilização. A interface, os menus e muita coisa segue a mesma linha do Chrome e as poucas coisas que não são iguais, são extremamente simples e intuitivas.

Assim, um novo usuário não perde tempo procurando os recursos e tendo que se acostumar com novas formas de fazer as coisas. Não fosse por alguns poucos detalhes, como o ícone do Brave Shields ou do Leo AI, visualmente não é tão diferente da maioria dos concorrentes.

Veredito sobre o Brave

Diante de tudo o que vimos, o navegador Brave parece muito bom, mas será que é mesmo ou tem uma boa dose de “Marketing” enaltecendo além da conta as suas qualidades?

Dar um veredito preciso, não é tarefa das mais fáceis, mas a fim de sermos justos e tão imparciais quanto possível, a seguir classificamos e comentamos os principais aspectos na escolha de um software desse tipo:

  • Privacidade – apesar de dar mais importância à privacidade que as alternativas mais populares, particularmente o Chrome onde esse aspecto inexiste, análises meramente técnicas colocam outros (Librewolf, ungoogled-chromium, Mullvad Browser e até o Mozilla Firefox) como opções mais robustas nesse quesito (nota 7/10);

  • Segurança – não há como falar em segurança na Web, sem privacidade e, sendo assim, o Brave também está um passo à frente dos principais concorrentes. Porém, tal como é também com a privacidade, a segurança no mundo digital depende antes de mais nada dos comportamentos do usuário (nota 7/10);

  • Performance – considerando a velocidade na abertura de páginas, a exigência sobre o processador e o consumo de memória RAM, é certamente uma das melhores opções (nota 9/10);

  • Recursos – o navegador oferece todos os principais recursos dos navegadores modernos, além de recursos exclusivos, ainda que alguns (Wallets e Rewards) só interessem a determinados perfis de usuários (nota 8/10);

  • Usabilidade – tanto pela facilidade de migrar dos principais concorrentes, quanto pela interface simples (mas completa e funcional) e livre de distrações desnecessárias, acostumar-se ao seu uso deve ser rápido (nota 9/10).

Objetivamente, o Brave não é perfeito – nenhum é! – e tampouco é o mais implacável defensor da sua privacidade online, mas antes de decidir, responda:

  • Você não é um grande conhecedor de configurações e das principais ameaças digitais, mas acredita que o direito à privacidade é fundamental?

  • Você se incomoda com o excesso de publicidade online e quer se ver livre dela?

  • Você não tem – quem tem? – memória RAM sobrando e toda vez que abre mais de meia dúzia de abas / guias, seu equipamento se torna lento?

  • Você não gosta de ter que procurar, instalar e testar extensões para dispor de recursos que deveriam estar embutidos no navegador?

  • Você acha importante como consumidor, dispor de uma boa variedade de alternativas, em vez de alimentar oligopólios?

Se você respondeu “sim” a pelo menos três das perguntas acima, talvez o Brave seja a solução que você buscava e mereça ser testado.

Conclusão

O Brave é a escolha ideal para quem quer uma navegação rápida, privada e sem anúncios sem ter que aprender a mexer em um programa complexo. Se você quer economizar memória RAM do computador e ter mais controle sobre seus dados sem complicação, o Brave entrega exatamente esse equilíbrio. Vale o teste na sua rotina!

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