O que é coaching de verdade? Como funciona e como escolher?

Já há várias décadas nos Estados unidos, e com alguma ênfase partir de meados de 2000 no Brasil, um termo tem ganhado lugar nas conversas relacionadas ao ambiente organizacional – o coaching.

Embora nos últimos anos alguma polêmica e controvérsia tem acompanhado o termo, a verdade é que quando aplicado de modo profissional e ético, os conceitos associados podem produzir excelentes benefícios.

Portanto, além de esclarecer o que é coaching (e o que não é!), vamos reponder as principais perguntas relacionadas ao tema.

Se você quer descobrir se ele pode cumprir tudo o que promete, vem com a gente!

O que é coaching?

Coaching é a atividade profissional que visa trabalhar o desenvolvimento de competências e habilidades pessoais e profissionais em um indivíduo, no sentido de obter melhores resultados em alguma esfera da sua vida.

Abandonando as definições formais encontradas em muitos sites que tratam do assunto, podemos dizer que o coaching é o processo de trabalhar aquilo em que você não é tão bom e potencializar as suas qualidades, para que você se torne uma pessoa e/ou um profissional melhor.

Quando você faz uma pesquisa rápida no Google, costuma encontrar conceitos muito vagos e abrangentes. Embora eles expliquem o básico, raramente dão uma ideia precisa de como a dinâmica de fato acontece ou quais resultados práticos podem ser alcançados. E é essa falta de clareza que, naturalmente, gera desconfiança no mercado.

É por essa e outras razões que vamos além. Entender de forma precisa e ampla o que é coaching, ajudará quem busca respostas e resultados por seu intermédio, a atingir os objetivos que de fato ele pode proporcionar.

Como surgiu o coching?

O coaching nasceu baseado no conceito existente há décadas nos Estados Unidos, o “coach esportivo”, que nada mais é do que o treinador de atletas.

No entanto, compreender a extensão do trabalho desses profissionais é essencial para enxergarmos porque o coaching extrapolou o âmbito esportivo e passou a ser usado no mundo corporativo e pessoal. O papel daquele treinador original envolvia:

  • Técnica – um dos papéis do treinador era observar e orientar o atleta no aprimoramento da sua técnica (perícia) e execução prática;

  • Tática – também era sua função decidir junto ao esportista, quais ações e estratégias adotar para superar os adversários;

  • Estilo de vida – acompanhar a rotina do atleta (alimentação, descanso e sono) para garantir hábitos compatíveis com a alta performance;

  • Saúde física – monitorar as condições físicas tanto para evitar lesões quanto para dosar as cargas de treino;

  • Condição de vida – apoiar o treinando para que ele tivesse uma estrutura de vida que o permitisse se dedicar adequadamente ao esporte;

  • Mentalidade – garantir que o atleta estivesse mentalmente forte, focado e resiliente, a fim de alcançar o seu melhor desempenho.

Ou seja, mais do que um “simples instrutor” esportivo, o coach tinha o papel de identificar todos os aspectos negativos que precisavam ser trabalhados (corrigidos e melhorados), assim como os positivos que deveriam ser explorados e ainda mais desenvolvidos, para produzir o máximo rendimento possível.

Em determinado momento se viu que esta filosofia de trabalho poderia ser utilizada em outras áreas que não apenas a esportiva e dessa forma se começou a aplicar a mesma conceituação com foco no sucesso na carreira e na vida pessoal das pessoas.

Qual o papel do coaching?

Antes de entender exatamente qual o papel, ou o que o coaching pode fazer, é preciso entender um pouco da natureza humana, dos comportamentos, das motivações e das possibilidades de mudança associadas a condição humana.

Resumidamente, podemos dizer que:

  • Muito ou quase tudo do que somos, é resultado de variáveis como o ambiente em que nascemos, crescemos e vivemos;

  • Também somos fruto dos princípios e valores que nos foram passados e que assimilamos;

  • Resultamos, ainda, daquilo que queremos, acreditamos e precisamos para nos sentirmos realizados.

Essa constituição individual é complexa e molda quem somos perante nós mesmos e a sociedade.

Porém, muitas vezes, os comportamentos que consolidamos ao longo da vida tornam-se barreiras. É aí que nos deparamos com a necessidade de entender, por exemplo, o que é um paradigma e como esses modelos mentais podem limitar nosso crescimento pessoal e profissional, sem que percebamos.

Temos limitações, dificuldades ou simplesmente a ausência de capacidades que são necessárias para realizar um projeto ou subir um degrau na carreira. O papel do coaching é, em um primeiro momento, ajudar a identificar esses fatores limitantes e, em seguida, estruturar um planejamento prático de ações para mudar o que for necessário e possível.

Assim, coaching é processo e metodologia bem definida, amparada em coisas que já conhecemos, como por exemplo, Psicologia e Administração, orientada a prover melhorias nas pessoas e consequentemente nos resultados que elas podem produzir em diversas esferas (pessoal, profissional, social, esportiva, etc).

Quais os tipos de coaching?

Embora o mercado crie dezenas de nomenclaturas personalizadas, o processo sempre parte do pressuposto da mudança e da melhoria de competências individuais e coletivas.

Conforme veremos, é fácil encontrar variados “tipos” de coaching, inclusive alguns que nem deveriam ser assim classificados, por razões que você logo descobrirá. Para o nosso propósito, vamos nos restringir aos seguintes:

  • Coaching de Vida (Life Coaching) – atuação focada no autoconhecimento, organização de rotina, superação de desafios pessoais e inteligência emocional. É ideal para quem precisa definir de forma clara as suas metas pessoais e profissionais;

  • Coaching Executivo (Executive Coaching) – voltado para líderes, gestores e executivos. O foco aqui é o desenvolvimento de competências de alta gestão, além de ensinar o profissional sobre como desenvolver liderança, dominar estratégias para a tomada de decisão em cenários complexos e performance organizacional;

  • Coaching de Carreira (Career Coaching) – direcionado a profissionais que buscam planejar transições de carreira, identificar oportunidades de crescimento no mercado e estruturar um mapa de carreira sólido, além de ampliar a sua empregabilidade;

  • Coaching de Negócios (Business Coaching) – aplicado a empreendedores e empresários que buscam otimizar processos, melhorar a gestão de do capital humano e traçar estratégias de expansão sustentável para suas empresas. Aqui, muito do trabalho envolve preparar a liderança para aplicar as chamadas Power Skills na gestão de equipes;

  • Coaching Esportivo (Sports Coaching) – voltado para atletas e profissionais do esporte, com foco em disciplina, motivação, superação de limites e alcance de alta performance;

  • Coaching de Saúde e Bem-Estar (Health & Wellness Coaching) – dedicado a quem busca melhorar hábitos de vida, alimentação, prática de exercícios e equilíbrio físico e mental;

  • Coaching Educacional (Educational Coaching) – aplicado em ambientes acadêmicos, ajudando estudantes e professores a desenvolverem habilidades de aprendizado, organização e desempenho escolar.

Independentemente de qual tipo, para ser coaching todos compartilham de uma mesma essência, que é apoiar o indivíduo ou grupo na conquista de objetivos e na evolução contínua.

Como é o trabalho de coaching?

Assim como acontece na atividade esportiva que inspirou essa metodologia, o coach é mais do que um “mero treinador”, mas alguém com conhecimentos, experiência, sensibilidade e visão, entre outras competências, capaz de ser o vetor das mudanças desejadas.

Antes porém é preciso compreender três termos e seus significados:

  • Coaching – é o processo propriamente dito, ou se preferir, é o treinamento e tudo o que ele envolve;

  • Coach – é o treinador, ou seja, o profissional que conduz e supervisiona o treinamento;

  • Coachee – é a pessoa que se submete ao coaching e, portanto, o treinando.

Saiba que os processos de coaching costumam seguir um roteiro estruturado, ainda que cada jornada seja única e adaptada às necessidades de cada coachee. Sabendo disso, podemos identificar etapas comuns:

  • Definição de objetivos – o ponto de partida é compreender quais os objetivvos o indivíduo ou grupo deseja alcançar, sejam eles pessoais, profissionais ou organizacionais;

  • Diagnóstico inicial – levantamento da situação atual, identificação de pontos fortes e fracos, áreas de melhoria e possíveis obstáculos;

  • Planejamento de ações – a partir daí, o coach está apto a estabelecer conjuntamente com o coachee (treinando), a trajetória que será percorrida, com passos claros e realistas e o conjunto de ações que será adotado para perseguir os objetivos;

  • Sessões de acompanhamento – corresponde ao trabalho de mudança propriamente dito. É quando as sessões de coaching começam a ocorrer, com encontros periódicos entre coach e coachee, nos quais são trabalhados ferramentas, reflexões e exercícios práticos;

  • Monitoramento de progresso – avaliação contínua dos resultados, ajustes no plano e reforço das conquistas;

  • Encerramento e avaliação final – revisão dos avanços obtidos, consolidação de aprendizados e definição de próximos passos para manter a evolução sozinho.

Embora esse roteiro seja bastante utilizado, cada processo de coaching pode apresentar suas peculiaridades, como a frequência das sessões, a profundidade das análises e até mesmo as técnicas aplicadas, que costumam variar de acordo com o perfil do treinando, com seu progresso e com os objetivos perseguidos.

Essa flexibilidade é justamente o que torna o coaching uma prática tão eficaz e personalizada.

Além disso, deve-se entender que parte do resultado virá exclusivamente da dedicação do treinando e a consolidação das novas posturas, afinal muito do que somos é resultado de hábitos e paradigmas constituídos ao longo de uma vida inteira.

Não se muda algo que você faz de uma determinada forma ao longo de 10, 20 ou 30 anos, de um dia para o outro. Nem mesmo é fácil fazê-lo.

Por fim, mas não menos importante, tenha em mente que apenas saber o que precisa ser trabalhado não basta. Um fumante geralmente conhece detalhadamente os males provocados pelo cigarro, mas isso não é suficiente para fazê-lo largar o vício.

Portanto, saiba que bons resultados são sim possíveis, mas vêm como resultado de esforço, consistência e tempo.

O que o coaching NÃO pode fazer por você?

Este é o tópico essencial para desmistificar as controvérsias do setor. Como o coaching não é uma profissão regulamentada por conselhos federais específicos (como a Medicina ou a Engenharia), o mercado acabou abrindo espaço para práticas questionáveis e aproveitadores

Da mesma forma que há bons e maus engenheiros, bons e maus médicos, boas e más pessoas, há bons e maus coaches.

Com isso em mente, fique em alerta máximo se você se deparar com:

  • Promessas milagrosas – reprogramação de DNA (isso não existe!), cura de doenças físicas ou mentais (tratar depressão e ansiedade é papel de psicólogos e psiquiatras, não de coaches);

  • Abordagens pseudocientíficas – como o famoso "Coaching Quântico" ( seja lá o que isso queira dizer) e teorias infundadas de alinhamento cósmico;

  • Fórmulas de enriquecimento rápido – promessas baseadas puramente em ostentação material e oratória agressiva. Muitas vezes, esses discursos estão disfarçados de oportunidades financeiras baseadas em Marketing Multinível, criando ilusões de enriquecimento rápido e infalível;

  • Soluções definitivas para o amor – os que se autointitulam “Coaches de Relacionamento”, prometem revelar tudo que é necessário para se tornar um perito em conquistas e relacionamentos;

  • Guruísmo” e espetáculo – “profissionais” que se comportam como “pop stars”, focados apenas em vender métodos infalíveis baseados em captura da atenção. Diante desse cenário, vale a reflexão: será que o Marketing Digital é o “Marketing da Mentira”? É preciso separar o joio do trigo

  • Coaching é método científico – não, não é, ainda que eventualmente se utilize de ferramentas conhecidas e consolidadas em áreas como Administração;

Ou seja, temos visto pessoas divulgando que são capazes de promover determinados tipos de mudanças, mas que em alguns casos beiram o absurdo. É importante ter bom senso e discernimento para identificar quando alguém se apresenta dizendo que é capaz de ajudá-lo a obter resultados extraordinários e altamente sedutores.

Essas distorções não apenas comprometem a credibilidade da prática, como também podem gerar frustrações e descrédito para quem busca mudanças reais. Por isso, é fundamental separar o que o coaching pode efetivamente oferecer daquilo que não passa de ilusão.

Como identificar um bom profissional de coaching?

Identificar um bom profissional de coaching não é muito diferente de escolher qualquer outro prestador de serviços, ou seja, exige atenção, pesquisa e senso crítico.

Existem apenas alguns cursos de formação de coaching e exatamente como em qualquer área, há bons cursos e outros não tão bons assim. Mais do que isso, essa é uma atividade ainda nova, que carece ainda de ser organizada em torno de associações, faculdades, órgãos de controle e supervisão e regulamentação formal.

Mas enquanto isso não acontece, é possível utilizar algumas dicas visando identificar quem de fato é capacitado a prestar um serviço de valor ou minimamente amparado em ética e profissionalismo:

  • Analise sua formação – desconfie de quem se formou em “cursos de final de semana”. Procure por profissionais certificados por instituições de prestígio (nacionais ou internacionais) que exijam centenas de horas de prática supervisionada. Um coach devidamente habilitado, é um profissional constituído por uma série de conhecimentos, expertise e práticas interdependentes acumuladas ao longo do tempo;

  • Avalie o histórico acadêmico e profissional – ter formação ou experiência prévia em Psicologia, Administração ou Gestão de Pessoas é um diferencial gigantesco, pois garante uma base científica e ética muito mais sólida para lidar com o comportamento humano e para produzir os resultados desejados;

  • Valorize a vivência prática – um jovem recém-formado pode ter excelentes ideias, mas a vivência corporativa e de vida do coach conta muito na hora de mentorar executivos e líderes. Há valor no que se aprende em livros e na sala de aula, mas a prática e a vivência em muitos casos é insubstituível;

  • Busque referências e depoimentos – converse com ex-clientes, analise o portfólio de empresas atendidas pelo profissional e pesquise a sua reputação real no mercado, além de palestras, eventos ou conteúdos produzidos por ele. Enfim o histórico profissional do coach, muitas vezes é um fator de relevância para avalizar seu trabalho;

  • Observe a coerência do profissional – o coach deve ser o reflexo vivo e prático daquilo que ele prega em suas sessões. A ética e a coerência entre o discurso e as ações cotidianas são os maiores selos de qualidade de um bom profissional.

Conclusão

Longe dos muitos “milagres” prometidos na Internet, o coaching sério é uma ferramenta poderosa de desenvolvimento. O segredo é ter discernimento na escolha e lembrar que o resultado real depende do seu empenho. Um profissional ético não vende fórmulas mágicas, mas caminha ao seu lado e é um reflexo daquilo que defende. Pesquise bem e faça dessa parceria o motor para a sua evolução!

 
 

 

 

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