Dependência Digital e Nomofobia: aprenda sobre os males do uso inadequado da tecnologia.

A evolução tecnológica, especialmente em algumas áreas traz consigo muitos benefícios e melhorias nas vidas das pessoas e da sociedade de modo geral. Mas nem tudo são flores neste meio. Se por um lado as vantagens são evidentes, algumas consequências têm causado preocupação, em especial quando o assunto é dependência digital ou nomofobia. O que é? Você é afetado? Conhece quem seja?

Antes de prosseguirmos, é importante fazermos a ressalva que este artigo não tem a pretensão de ser um guia ou uma referência mesmo que rasa sobre o assunto, uma vez que até os profissionais considerados habilitados para tratar a questão, conseguem chegar a um consenso e os estudos e pesquisas ainda são raros em muitos lugares. De qualquer forma, o problema é real e por esta razão é importante tratarmos dele e discutirmos a respeito.

O que é dependência digital? O que é nomofobia?

A dependência digital é caracterizada quando o indivíduo começa a sofrer prejuízos na sua vida pessoal, social ou profissional, pela necessidade - incontrolável na maioria das vezes - de utilizar os meios digitais e que normalmente se dá de modo excessivo. Já a nomofobia, é definida como o medo inconsciente de ser ver privado do aparelho celular ou de dispositivos eletrônicos similares.

Dependência digital é doença?

Esta é a pergunta mais frequente associada ao assunto, como também é um dos pontos mais polêmicos entre os que de alguma forma estão envolvidos. Entre os especialistas há divergências e a grosso modo, há o grupo dos que defendem como sendo apenas um transtorno comportamental e como tal pode ser tratado no campo da psicologia e do outro lado há o grupo que classifica como uma patologia e sendo assim, objeto de estudo e tratamento da psiquiatria.

De modo geral, já há em muitos países iniciativas no sentido de tratar a questão com amparo profissional e algumas vezes até mesmo com iniciativas do Estado, quando o problema é encarado como questão de saúde pública, visto que é consensual em ambas as correntes, os prejuízos para o indivíduo e às vezes até mesmo para os círculos familiares, sociais e profissionais nos quais ele está inserido.

Quais os “sintomas” do dependente digital e do “nomófobo”?

Primeiramente é importante destacar algumas sutilezas que podem ser decisivas para se identificar que alguém é um dependente digital ou tem nomofobia e conforme salientamos anteriormente, em face às divergências quanto aos diagnósticos, sempre deve-se buscar um apoio especializado quando há indícios de que alguém possa estar sob uma condição ou a outra.

A primeira precaução que se deve tomar, é de não tipificar uma pessoa como dependente digital apenas pelo número de horas que ela está a frente do computador, por exemplo. Por vezes é necessário em função da atividade profissional, como é o caso de um nômade digital, ou simplesmente como resultado da transformação digital ocorrida nas rotinas profissionais, ou ainda como resultado de ações de empreendedorismo digital.

Mas é certo que na quase totalidade dos casos, o dependente digital passa boa parte do tempo que tem disponível à frente de dispositivos que permitem que ele tenha acesso à Internet, em suas mais diversas manifestações. A palavra-chave neste uso intenso – geralmente abusivo e compulsivo –, é necessidade.

O usuário que se encontra como dependente digital, tem necessidade de ver a intervalos regulares e curtos se alguma mensagem de e-mail chegou, necessidade de ver se há atualizações de postagens em suas redes sociais, necessidade de responder imediatamente às interações, necessidade de jogar games tanto quanto queira, necessidade de algumas vezes apenas navegar a esmo por sites ou aplicativos, sem um objetivo definido, mas apenas por vontade incontrolável.

Tudo bem que muita gente faz tudo isso, mas quando a pessoa não pode atender a esta necessidade e, sobretudo, começa a ter reações como ansiedade, agressividade, desconforto físico e mental, irritabilidade e até mesmo depressão nas situações em que é privado do contato com os meios digitais, há fortes indícios de que esteja-se a frente de um caso de dependência digital.

Mudanças nos hábitos e comportamento, são outros indicadores típicos. Nos casos mais severos e evidentes, vê-se pessoas que abdicam de sair com os amigos, abrem mão de passeios e compromissos, brigam com seus parceiros, conversam menos e distraem-se mais e em condições extremas, até perdem o emprego por não conseguirem conter seu impulso por estar frequentemente com o celular à mão, visitando uma rede social ou em um aplicativo de comunicação.

Não é raro encontrar relatos de pessoas que ficaram dias sem alimentar-se, tomar banho e até mesmo dormir, à frente do computador em jogos online. Há até os que ostentam certo orgulho por bater recordes de permanência online e tal dependência costuma estar à frente de outras necessidades básicas.

Tal qual ocorre com dependentes de drogas e alcoólatras, há casos de usuários que apresentam sintomas físicos similares, quando são privados de utilizar seus dispositivos, como sudorese, taquicardia, alterações na respiração, entre outros sintomas e que é parte das justificativas que alguns estudiosos do assunto dão para a classificação da dependência digital como doença.

A questão é grave, mas sobretudo no caso das crianças e jovens, o controle pode ser mais efetivo de acordo com a influência que os pais têm na educação e acompanhamento das crianças, colocando o computador em locais visíveis aos olhos dos pais, o estabelecimento de horários para a utilização do computador, uso de aplicativos de controle de acesso e até mesmo a idade apropriada para dar dispositivos, mas sobretudo, exercer muita observação e diálogo.

O que fazer com um dependente digital?

No Brasil ainda não existem iniciativas muito claras, embora já existam algumas poucas clínicas que oferecem tratamentos que prometem “curar” a dependência digital. Também não há um posicionamento oficial por parte do governo federal, o que não nos permite dizer se há apenas omissão por parte do Estado, ou se o tema não é visto como questão de saúde pública e, portanto, de competência do Ministério e Secretarias de Saúde.

O que existe de mais estruturado – e que sugere que por aqui seja encarado como patologia - é um trabalho realizado pelo Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (IPq – HCFMUSP), que através do site Dependência de Internet, pode-se fazer uma triagem inicial para possíveis dependentes.

Nos casos em que não se tem acesso a programas como o da USP, é prudente buscar orientação de profissionais antes de se fazer um diagnóstico por contra própria, pois as medidas e tratamentos precisam ser apropriadas.

Conclusão

A dependência digital e a nomofobia são males provenientes do uso inadequado da tecnologia, particularmente dos meios digitais, mas mais do que isso, da inabilidade de dissociar a vida digital, da vida real e em muitas das situações, as pessoas envolvidas, trocam a segunda pela primeira, pela simples incapacidade de abdicar ou mesmo usar de forma moderada a Internet e tudo que a ela está associado. Aceitar que consistem de problemas reais e identificá-las como tais, é o primeiro passo para devolver ao indivíduo sua condição original.