Servidor Bare Metal, o que é, vantagens e desvantagens?
Quando se fala em computação empresarial e em especial quando é preciso contar com uma solução que extraia o máximo do seu potencial e atenda a requisitos bem específicos, uma alternativa possível é o Servidor Bare Metal.
Se você chegou a esse post, é bem provável que queira entender melhor o que é, quais as suas características e diferenças para outras soluções, as vantagens e por consequência, se realmente é a solução que atenderá suficientemente bem as necessidades de infraestrutura computacional do seu negócio.
Se é isso, então vem com a gente, porque no bate-papo de hoje vamos esclarecer as dúvidas mais comuns a esse respeito.
O que é servidor bare metal?
Em tradução literal, servidor bare metal significa “servidor em metal nu”, o que convenhamos não é muito esclarecedor, não é mesmo?
Acontece que diferentemente do que acontece quando se contrata um servidor “comum” em um data center ou em um provedor de hospedagem, essa solução de computação consiste apenas do hardware, ou seja, nenhum software – nem mesmo o sistema operacional – está incluso.
Fica mais fácil compreender o porquê dessa nomenclatura, quando fazemos uma breve volta ao passado da computação.
Por volta da década de 1990, era comum ao comprar um computador, adquirir apenas o hardware, mais especificamente o gabinete e dentro dele os componentes (placa-mãe, processador, memórias, fonte, placas, etc) necessários ao seu funcionamento.
Não era comum que viesse o sistema operacional pré-instalado, juntamente com diversos aplicativos ou até o monte de bloatware que alguns fabricantes incluem atualmente. Nem mesmo teclado, mouse, monitor e outros periféricos costumavam estar inclusos.
Nessa época, os gabinetes eram de metal e assim, uma máquina “bare metal” (metal nu) se referia apenas à unidade central mínima necessária. Todo o restante – periféricos e software – era escolhido e adquirido separadamente.
A ideia era que um gabinete poderia servir a diferentes perfis de usuário, os quais podiam personalizar o seu equipamento de acordo com as suas preferências e necessidades pessoais.
Portanto, hoje em dia quando se fala em servidor bare metal, o conceito é o mesmo, ou seja, o hardware é isolado tanto em termos lógicos, quanto físicos, de modo que ele possa ser personalizado para uma grande variedade de usos e exigências.
Quais as características do Servidor Bare Metal?
Por conta da explicação do que é esse tipo de servidor, já é possível imaginar algumas das suas características, mas é importante listarmos as principais, pois isso ajudará logo mais na compreensão das vantagens comparativamente a outras soluções.
-
Hardware dedicado – 100% do hardware (CPU, RAM, unidades de armazenamento, placas, etc) é físico e exclusivo para um único cliente / inquilino;
-
Especificações – as especificações técnicas dos componentes do hardware são determinadas pelo inquilino;
-
Independência – o hardware (gabinete) é independente fisicamente dos hardwares que compõem o restante da infraestrutura de hospedagem, ainda que possa compartilhar um mesmo rack, por exemplo;
-
Gerenciamento – o gerenciamento do equipamento e sistemas instalados, é completo, permitindo a escolha e a configuração plena de tudo que a máquina terá;
-
Acesso – o acesso ao equipamento e aos sistemas costuma ficar a cargo do inquilino. Nesses casos, utiliza-se uma placa específica de acesso remoto ao hardware (BMC – Baseboard Management Controller), que permite que o administrador acesse o servidor como se estivesse fisicamente presente;
-
Isolamento – o equipamento está fisicamente isolado e sem camadas de software desnecessárias, como por exemplo, hipervisor ou camada de virtualização. Naturalmente que o servidor bare metal é parte da infraestrutura e de uma rede de computadores (servidores), mas não tem os mesmos vínculos físicos e lógicos que um servidor VPS, por exemplo.
Quais as vantagens do Servidor Bare Metal?
Conforme antecipamos e pelo fato de que é uma opção viável e útil para muitas empresas, é de se imaginar que seja uma solução vantajosa para muitos casos.
1. Desempenho
Diferentemente de outras opções, como por exemplo, um VPS, em que existe um sistema de virtualização e que consiste de uma camada ou um sistema intermediário entre o hardware e o sistema operacional e, portanto, consome parte dos recursos (processamento, memória, etc), no bare metal server, o hardware está 100% disponível para que toda a demanda seja integralmente atendida, seja pelo sistema operacional, seja por qualquer natureza de serviço disponível.
Obviamente que muitos usuários optam pelo bare metal justamente para instalar seu próprio hipervisor (como Proxmox ou VMware) e criar sua própria nuvem privada ou doméstica e nesses casos, o diferencial é que são eles quem controlam essa camada, em vez do provedor.
O desempenho também é favorecido pelo fato de que o inquilino só instala o que de fato é necessário para atender suas demandas e para garantir o próximo benefício.
2. Segurança
A questão de segurança é uma das grandes vantagens desse tipo de servidor, pelas seguintes razões:
-
A superfície de ataque é reduzida ao dispensar uma camada de virtualização – ou outras presentes em ambientes de hospedagem compartilhada – que possa ser potencialmente explorada;
-
Não está suscetível aos possíveis comprometimentos do ambiente acarretados por outros usuários, que são situações possíveis em ambientes compartilhados;
-
O isolamento físico (nível do hardware) e lógico (nível do software) acaba constituindo um reforço importante na segurança, ao diminuir sensivelmente a suscetibilidade a ataques à rede compartilhada e aos componentes nela presentes;
-
Devido ao gerenciamento próprio do hardware e dos softwares, é possível selecionar e administrar todos os elementos de acordo com critérios e necessidades próprias;
-
Devido à autonomia nas decisões sobre o ambiente (hardware e software), é possível implantar as próprias políticas de segurança (permissões, privilégios, etc), bem como garantir o devido cumprimento;
-
Ao ter controle total (próximo benefício) do hardware e software, o administrador tem melhores condições de encontrar vulnerabilidades, indícios de comprometimentos e verificar usos e acessos, favorecendo a segurança.
3. Controle
Autonomia implica também pleno controle sobre hardware e software.
Na prática o administrador dispõe de amplo controle para diferentes situações:
-
Total acesso aos logs dos diferentes sistemas;
-
Ler sensores do equipamento (temperatura, voltagem, status de ventiladores, saúde de discos (SMART), etc);
-
Implantar políticas de acesso, definindo quem pode fazer o quê (permissões e privilégios);
-
Estipular usos e cargas de trabalho específicas (banco de dados, ERP crítico, máquinas virtuais, etc);
-
Oferta de recursos na medida exata da sua necessidade, pois conhece a demanda por parte dos usuários.
4. Confiabilidade
A confiabilidade do ambiente computacional é decorrente das três vantagens anteriores (desempenho, segurança e controle), mas também porque o administrador tem acesso permanente e em tempo real ao gabinete e sistemas, podendo efetuar a manutenção e as alterações que precisar, sem dependência da intervenção de terceiros que prestem suporte e manutenção.
Outro fator que contribui para a confiabilidade, é o fato do hardware estar sob exclusivo uso dos próprios sistemas e usuários, em vez de submetida a demandas variáveis e problemas de terceiros – conhecido como “efeito do vizinho barulhento” – que são incontroláveis e imprevisíveis em quaisquer infraestruturas compartilhadas.
5. Custos
Os custos podem ser menores (não necessariamente) pelas seguintes razões:
-
Desempenho – como o desempenho tende a ser superior, o equipamento pode abrigar mais sistemas e performar melhor, favorecendo a produtividade;
-
Segurança – um ambiente mais seguro diminui os custos decorrentes de ameaças e incidentes cibernéticos que podem ser bastante severos, como um ataque DDoS, vazamento de dados ou um ataque de ransomware;
-
Licenciamento de software – autonomia para escolher os tipos de licenciamento mais adequados, mas também por não ter que arcar com custos de licenças presentes em sistemas compartilhados;
-
Previsibilidade – diferente das nuvens públicas (ex: AWS ou Azure), onde a conta pode vir com surpresas devido ao tráfego de saída ou uso de API, o bare metal geralmente tem um custo mensal fixo e conhecido. Isso é essencial para o planejamento financeiro;
-
Sem "Taxa de Virtualização" – em servidores virtuais, você paga pelo recurso que o hipervisor consome. No bare metal, cada centavo investido vai para o processamento real da sua aplicação.

Quais as desvatagens do servidor bare metal?
Mas nem tudo são flores. Da mesma forma que há uma lista de vantagens, há alguns aspectos que devem ser considerados a fim de que a adoção de um modelo de hospedagem como esse não se transforme em um problema, em vez de uma solução:
-
Administração – é essencial haver um administrador com a devida capacitação técnica, seja para gerenciar o hardware da forma correta e mais otimizada, seja para configurar e otimizar os sistemas embarcados, de modo a conseguir tirar o melhor proveito da solução (desempenho), mantê-la segura e disponível;
-
Dimensionamento – se a solução não for dimensionada adequadamente, tendo em mente os picos de demanda, o servidor bare metal pode não suportar apropriadamente as necessidades de uso, justamente quando mais se precisa, que são as situações críticas;
-
Ociosidade – na contramão da situação acima, se o hardware for superdimensionado, pode-se estar investindo mais do que o necessário, sem a contrapartida desejável;
-
Escalabilidade – embora a escalabilidade seja possível de promover, ou seja, a realização de upgrades para atender aumentos não previstos de demanda, ela não costuma ocorrer na mesma velocidade que modelos baseados em Cloud Computing, por exemplo, bem como ser facilmente reversível, impactando também nos custos. Nesse sentido, é uma solução mais indicada para demandas estáticas ou com pouca variação ao longo do tempo;
-
Disponibilidade – disponibilidade dos recursos para administração própria (o administrador do servidor, tempo, conhecimento, sistemas e licenças, etc), do contrário deve-se considerar a terceirização da administração do ambiente para profissionais habilitados. Seja em um caso ou no outro, o custo associado deve ser considerado e comparado de acordo com a realidade do cliente e de planos de médio prazo.
Bare Metal é o mesmo que servidor dedicado?
Todo servidor bare metal é um servidor dedicado se levarmos em consideração que não há outros inquilinos e tampouco compartilhamento de quaisquer recursos.
No entanto, o inverso não necessariamente é verdade, pois geralmente o fornecimento de servidores dedicados não oferece toda a autonomia e flexibilidade na escolha dos sistemas operacionais, dos softwares e serviços, na implantação de políticas próprias e na personalização do hardware.
Além disso, alguns provedores, especialmente os menores, podem vender uma VM (máquina virtual) com recursos 100% reservados e garantidos (CPU, RAM) como um "servidor dedicado virtual" ou "cloud dedicado". É dedicado em performance, mas não é bare metal, pois há um hipervisor por baixo.
Na prática, o cliente geralmente não nota a diferença entre um e outro, desde que não precise contar as características exclusivas do bare metal.
Para quem o Servidor Bare Metal é indicado?
Depois de entender as vantagens técnicas, você deve estar se perguntando: "Minha empresa realmente ganha ao escolher um servidor bare metal em vez de uma nuvem comum?".
A seguir listamos alguns exemplos de casos de uso, nos quais essa solução realmente se destaca:
-
Bancos de dados de alta performance – aplicações que exigem milhares de operações de leitura e escrita por segundo (IOPS), como grandes e-commerces ou sistemas ERP pesados, se beneficiam do acesso direto ao disco e memória sem latência de virtualização;
-
Machine Learning e IA – o treinamento de modelos de Inteligência Artificial exige um esforço bruto de processamento (frequentemente usando GPUs). No bare metal, você garante que todo esse poder está focado na tarefa, sem dividir recursos com outros inquilinos;
-
Aplicações que exigem muito processamento – processos que consomem muita CPU e GPU por longos períodos encontram no hardware dedicado a estabilidade necessária para evitar gargalos ou problemas de desempenho;
-
Conformidade e segurança de dados (Compliance) – algumas regulamentações de setores como o financeiro ou de saúde exigem que os dados sejam processados em hardware fisicamente isolado. Essa é uma solução que elimina o risco de "vizinhança compartilhada", facilitando auditorias;
-
Nuvem própria / privada – muitas empresas de tecnologia utilizam o bare metal como a fundação para instalar seus próprios hipervisores e gerenciar suas próprias máquinas virtuais com total autonomia e controle.
Independente da sua necessidade, note que em todos esses cenários o ponto comum é a necessidade de previsibilidade. Se o seu sistema não pode oscilar de performance em momentos de pico, o servidor bare metal é o seu caminho.
Conclusão
Escolher o servidor Bare Metal significa ter controle total, segurança robusta e performance máxima para suas aplicações mais críticas. É a base ideal para quem busca eficiência, previsibilidade e um ambiente feito sob medida para suas demandas mais exigentes. Analise suas necessidades e descubra o poder do Bare Metal!


