Saiba tudo sobre Hackers do Bem em 10 perguntas e respostas

Se você não é um grande conhecedor de informática e nem leu nosso post sobre “O que é um hacker? Quais mitos e verdades sobre o assunto?”, é bem provável que imagine que esse estereotipado personagem dos filmes de Hollywood seja sempre algum tipo de “marginal digital”, o que já adiantamos que não é incorreto supor!

Inclusive crescem no mundo todo e no Brasil, iniciativas que visam explorar o lado positivo dessa atividade, como o programa Hackers do Bem e que pretende ser o ponto de partida para pessoas que queiram ingressar em uma das áreas mais promissoras do mercado de trabalho, que é a segurança cibernética.

Interessou-se? Então vem com a gente descobrir se você será mais um dos talentos que esse programa está formando e esclarecer as dúvidas mais comuns a respeito.

O que é o programa Hackers do Bem?

O programa Hackers do Bem foi lançado oficialmente em janeiro de 2024 pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) do Brasil. A iniciativa visa capacitar profissionais em cibersegurança e suprir a demanda do mercado nessa área, além de conectar talentos a oportunidades de emprego, por meio de um currículo que vai do básico ao avançado.

O programa é uma iniciativa da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), Softex (dentro do PPI – Programa Prioritário em Informática) e do SENAI-SP, com apoio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), com recursos da Lei no 8.248, de 23 de outubro de 1991.

Ou seja, o Hackers do Bem pretende formar os chamados "chapéus brancos" (white hats) e que são os especialistas em cibersegurança, mas com postura ética e, portanto, que usam os seus conhecimentos e habilidades de hacking para identificar e corrigir falhas e vulnerabilidades, protegendo os sistemas informáticos em vez de atacá-los e contribuindo para um ambiente digital mais seguro no Brasil.

Mais do que “apenas” dar uma qualificação profissional, o programa visa suprir uma carência importante, visto que no mundo todo há escassez de bons profissionais nessa área. Só no Brasil, as estimativas apontam para uma demanda de cerca de 750 profissionais especializados em segurança cibernética.

Ou seja, o cenário brasileiro e global, reflete uma imensa lacuna decorrente da rápida digitalização das empresas, mas que não é acompanhada na mesma velocidade pela formação de mão de obra qualificada.

Conhecendo o programa Hackers do Bem em 10 perguntas e respostas

Se você é uma das milhares de pessoas que se interessaram por conhecer melhor esse programa inovador, a seguir você encontrará respostas para as dúvidas mais comuns sobre o programa Hackers do Bem e quem sabe iniciar uma carreira promissora.

1. Quais os requisitos para participar do programa?

Não há pré-requisitos específicos para participar e tampouco, exige formação técnica prévia, sendo que os requisitos mínimos são, estar cursando ou ter concluído o Ensino Médio, ter mais de 18 anos de idade e ter muita vontade de aprender.

Estudantes do ensino técnico, médio ou da universidade, profissionais da área de TI que procuram se especializar e até quem quer migrar de área de conhecimento, podem se inscrever ou qualquer pessoa interessada em TI/cibersegurança.

As formações oferecem vagas para iniciantes do zero, ou seja, aqueles que não dispõem de nenhum conhecimento na área.

Quem já tem algum conhecimento sobre o assunto, necessariamente precisa cumprir os módulos iniciais.

2. Como funciona o curso?

O Hackers do Bem é uma jornada de aprendizado e é composto por 5 diferentes módulos. Aqueles que optarem por percorrer todo o caminho, sairão de uma base zero de conhecimento até uma experiência prática para ingresso no mercado de trabalho.

O tempo total depende muito do seu ritmo e da abertura das janelas de cada módulo.

Estima-se que sejam necessários de 12 a 18 meses para percorrer todos os níveis teóricos até chegar à conclusão.

  • Os dois primeiros módulos (Nivelamento e Básico), são essencialmente ministrados com aulas gravadas (aulas assíncronas) e, portanto, permitem o acompanhamento a qualquer dia e horário;

  • Como os módulos superiores (Fundamental e Especializado) dependem de turmas com aulas ao vivo (aulas síncronas), o cronograma segue "ondas" de oferta lançadas pelo programa ao longo do ano;

  • Por fim, a passagem de um módulo para o outro não é automática. Você precisa concluir o anterior com aproveitamento mínimo (nota mínima) e, para os níveis mais avançados (Fundamental em diante), participar de processos seletivos ou ranqueamentos por nota, pois as vagas são limitadas.

3. Quanto custa para participar?

Diferentemente de muitos cursos de formação, o programa Hackers do Bem é 100% gratuito em todas as suas etapas. Não há taxa de inscrição, matrícula, mensalidades ou cobrança pela emissão dos certificados de cada módulo.

O programa é financiado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e executado pela RNP (Rede Nacional de Ensino e Pesquisa) em parceria com o SENAI-SP.

Embora o curso não custe dinheiro, ele exige outros investimentos importantes:

  • Tempo e dedicação – a carga horária total ultrapassa as 320 horas. O módulo de Nivelamento, que é o módulo inicial, por exemplo, exige cerca de 80 horas de aulas;

  • Desempenho – para avançar do Nivelamento para os módulos seguintes (Básico, Fundamental, etc.), você precisa de boas notas e, portanto, além do acompanhamento às aulas, é necessário tempo adicional de estudo. Como as vagas nos módulos avançados são limitadas, as melhores notas têm prioridade;

  • Equipamento – como os módulos iniciais são com participação remota, você precisará de um computador com acesso à Internet para assistir às aulas e realizar as atividades nos simuladores e laboratórios virtuais;

  • Envolvimento – conforme mencionamos no tópico “desempenho”, não basta assistir às aulas, você precisa realizar atividades no AVA (Ambiente Virtual de Aprendizagem) e muitas vezes participar do ranking de gamificação para conseguir vaga nos módulos síncronos (aulas ao vivo);

  • Participação presencial – a participação presencial é restrita apenas ao módulo 5 (Residência Tecnológica), onde algumas residências podem ocorrer nos escritórios da RNP (Rede Nacional de Ensino e Pesquisa), cujos principais centros de operação ficam em Brasília (DF), Campinas (SP) e Rio de Janeiro (RJ), o que pode exigir deslocamentos, mas como o programa visa inserir alunos no mercado, algumas residências podem acontecer em empresas parceiras ou instituições ligadas ao SENAI-SP espalhadas pelo país;

  • Remoto total – vale destacar que devido à natureza da área de TI, muitas vagas de Residência também são oferecidas no formato 100% home office, permitindo que alunos de outros estados participem sem precisar viajar;

  • Eventos extras (Hackathons e CTFs) – o programa costuma organizar eventos presenciais pontuais para integração e competição (como os chamados Capture The Flag – CTF). Em 2025 e início de 2026, ocorreram eventos em cidades como São Paulo (USP), Belém (PA) e Foz do Iguaçu (PR). No entanto, esses eventos são opcionais e não impedem a conclusão do curso se você não puder ir;

  • Bolsa auxílio – na última etapa (Residência), os alunos selecionados podem inclusive receber uma bolsa-auxílio (limitada a um número de alunos selecionados por mérito/vagas) para colocar o conhecimento em prática em projetos reais.

4. Qual o conhecimento vou adquirir?

Ao concluir a trilha do Hackers do Bem, você terá percorrido um caminho que vai desde o "be-a-bá" da computação até a capacidade de enfrentar ataques cibernéticos reais.

O conhecimento é dividido em três grandes pilares: Fundamentos, Defesa e Ataque.

Veja o que você aprenderá em cada fase:

  1. A Base Técnica (Módulos Nivelamento e Básico) – aqui você adquire os conhecimentos que servirão de alicerce para o que vem depois. Sem isso, ninguém vira hacker. Alguns dos principais conteúdos, são:

  1. Defesa Cibernética (Módulo Fundamental) – nessa etapa, você aprende a "trancar as portas" e vigiar / monitorar o sistema.

    • Segurança de redes – configuração de Firewalls e sistemas de detecção de intrusão (IDS/IPS);

    • Segurança em nuvem (Cloud Computing) – como proteger dados no Google Cloud, AWS ou Azure;

    • Gestão de vulnerabilidades – aprender a identificar as possíveis vulnerabilidades de um sistema, antes que um invasor descubra;

    • Resposta a incidentes – o que fazer quando a empresa sofre um ataque (conter o dano e recuperar dados).

  1. Especialização e "Mão na Massa" (Módulos Especializado e Residência) – nessas etapas finais, você escolhe seu "personagem" no mercado de trabalho:

    • Blue Team (Defesa) – foco total em monitoramento, perícia digital (forense) e proteção de infraestruturas críticas;

    • Red Team (Ataque Ético) – você aprende técnicas de Pentest (teste de penetração / invasão). Aprende a atacar sistemas (de forma legal e ética) para encontrar falhas;

    • GRC (Governança, Risco e Conformidade) – foco em leis como a LGPD, normas ISO e como criar políticas de segurança para empresas.

Além das ferramentas técnicas, o curso desenvolve algo que o mercado valoriza muito:

  • Ética profissional – ter ciência dos limites legais e éticos de suas ações;

  • Pensamento analítico – desenvolver a capacidade de analisar um erro e identificar a causa raiz;

  • Resiliência – aprender a lidar com sistemas complexos que mudam o tempo todo.

A ideia é de transformar o mas curioso leigo no assunto, em alguém que sai sabendo configurar redes seguras, identificar invasões, realizar testes de penetração e gerenciar a privacidade de dados de acordo com a legislação e a realidade brasileira.

5. O programa dá uma boa qualificação?

Sim, a qualificação é de altíssimo nível, mas ela tem uma proposta muito específica que você precisa entender para tirar o melhor proveito.

Não é apenas um "cursinho de Internet".

Aqui estão os motivos pelos quais o mercado respeita essa formação:

  • O "Selo de Ouro" das Instituições – o programa não é formulado ou conduzido por amadores ou empresas sem reputação no mercado. Ele é fruto da parceria entre:

    • RNP (Rede Nacional de Ensino e Pesquisa) – é nada menos do que a instituição que cuida da infraestrutura de Internet de todas as universidades e centros de pesquisa do Brasil. Eles são a elite da rede brasileira;

    • SENAI-SP – referência nacional em formação profissional e técnica;

    • MCTI – o apoio e suporte do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação garante que o currículo esteja alinhado com a Estratégia Nacional de Segurança Cibernética.

  • Teoria com "Mão na Massa" (Labs) – diferentemente dos cursos que só entregam PDFs e vídeos, o Hackers do Bem utiliza simuladores e laboratórios virtuais. A partir do módulo Fundamental e no Especializado, você não apenas lê sobre ataques, mas entra em ambientes controlados para configurar firewalls e investigar invasões reais. Isso gera o que o mercado chama de experiência simulada;

  • Foco em Empregabilidade (O Hub) – a qualificação não termina no certificado. O programa possui um “Hub de Oportunidades”. As empresas parceiras sabem exatamente o que foi ensinado em cada módulo, o que facilita muito a sua entrada em processos seletivos, já que o RH não precisa adivinhar o que você sabe;

  • A Residência (O grande diferencial) – a maioria dos cursos te deixa por conta própria após o diploma. O Hackers do Bem oferece a “Residência Tecnológica”. Ter no currículo que você fez uma residência na RNP ou em uma grande empresa parceira equivale a um estágio qualificado ou um primeiro emprego de alto impacto.

Além de oferecer uma sólida base técnica, o programa capacita aqueles que o concluírem, a se especializarem ainda mais, abrindo as portas para uma carreira extremamente promissora em uma área com elevada demanda por bons profissionais.

6. Como ingressar e participar?

Em fevereiro de 2026, o programa abriu 25 mil novas vagas e o processo de ingresso é contínuo para os módulos iniciais, porém é importante ficar atento, pois a procura é grande, o que significa que essas vagas podem se esgotar a qualquer momento!

O fluxo para você se tornar um "Hacker do Bem" segue um passo a passo simples e bem definido.

  1. Cadastro no Portal Oficial – o primeiro passo é acessar o site oficial do programa: hackersdobem.org.br.

    • Clique no botão de "Inscreva-se";

    • Você precisará criar uma conta utilizando seus dados básicos (Nome, CPF, e-mail, etc);

    • Importante – informe um endereço de e-mail que você utiliza regularmente, pois os comunicados e as convocações para os módulos seguintes, são por meio da conta informada.

  1. Inscrição no Módulo de Nivelamento – diferentemente do que costuma ser em uma faculdade tradicional, você não se inscreve no curso inteiro de uma vez. Você se inscreve por etapas:

    • Após logar, procure pelo Módulo 1 – Nivelamento;

    • Como este módulo é gravado, a entrada costuma ser imediata ou com janelas de abertura muito frequentes;

    • Você receberá o acesso ao Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA).

  1. Participação e Engajamento – uma vez dentro da plataforma:

    • Assista aos vídeos e leia os materiais – o conteúdo é dividido em unidades temáticas com diferentes materiais didáticos;

    • Faça os exercícios – ao final de cada tópico, existem pequenos testes para fixação dos conceitos ensinados, o que é essencial para as avaliações e avançar aos próximos módulos;

    • Atenção ao ranking – o programa utiliza elementos de gamificação. Ter uma boa pontuação e completar as atividades dentro do prazo ajuda muito na hora de pleitear uma vaga para o Módulo 2 (Básico).

  1. Critérios para permanecer e evoluir – ingressar é fácil e o desafio é avançar. Para passar de um módulo para o outro, você precisa:

    • Conclusão total – ter assistido 100% das aulas do módulo atual e fazer os exercícios de fixação;

    • Nota mínima – geralmente é exigido aproveitamento de 70% (nota 7,0) nas avaliações de cada módulo;

    • Vagas limitadas – enquanto o Nivelamento e o Básico aceitam milhares de alunos, os módulos Fundamental e Especializado possuem um número limitado de vagas (turmas com professores ao vivo). Os alunos com melhores notas e maior engajamento no sistema têm prioridade na seleção.

  1. Recursos essenciais – para participar com qualidade, certifique-se de ter:

    • Computador – um PC ou Notebook (Windows, Linux ou Mac) é essencial. Tablets e celulares ajudam a ver as aulas, mas os laboratórios práticos exigem teclado e tela de computador;

    • Internet estável – uma conexão estável e de boa velocidade é fundamental para carregar os vídeos e acessar as máquinas virtuais dos laboratórios;

    • Tempo – reserve pelo menos 5 a 10 horas por semana se quiser concluir o Nivelamento em um mês.

7. Como funcionam as avaliações e a seleção para os módulos seguintes?

Ao contrário da maioria dos cursos tradicionais, a progressão no Hackers do Bem combina desempenho acadêmico com engajamento. Para avançar, você precisa ficar atento a três pilares:

  • Exames de módulo – ao final de cada unidade e de cada módulo (como o Nivelamento), há avaliações de múltipla escolha. Geralmente, exige-se um aproveitamento mínimo de 70% para obter o certificado do módulo e estar apto a seguir;

  • O sistema de gamificação (Ranking) – a plataforma utiliza um ranking que distribui pontos por atividades concluídas, tempo de estudo e participação. Como as vagas para os módulos Fundamental e Especializado (que têm aulas ao vivo) são limitadas, os alunos melhor posicionados no ranking e com as melhores notas têm prioridade na convocação;

  • Janelas de seleção – o programa trabalha com "ondas". Quando uma nova turma do módulo seguinte é aberta, o sistema seleciona os alunos que já concluíram o nível anterior com os critérios de nota e engajamento exigidos naquele edital específico, lembrando que a comunicação é feita por e-mail.

Ou seja, não deixe para fazer tudo na última hora. O engajamento constante na plataforma conta pontos extras na gamificação e pode ser o diferencial para você garantir sua vaga nos módulos e nas turmas com instrutores ao vivo (aulas síncronas).

8. Já sou da área de TI, posso pular o Nivelamento?

Não. O programa é uma trilha sequencial obrigatória.

Mesmo os profissionais experientes devem concluir os módulos iniciais e realizar as avaliações para garantir a vaga nos níveis avançados.

Ao “obrigar” todos a cumprirem todo o conteúdo e avaliar os participantes quanto à fixação, o programa consegue garantir uniformidade e igualdade no processo educativo.

9. O certificado tem validade oficial?

Sim. Os certificados são emitidos pela RNP e pelo SENAI-SP, possuindo validade em todo o território nacional como curso de extensão / capacitação profissional, sendo amplamente aceitos em currículos e perfis do LinkedIn.

10. Existe algum limite de idade máxima?

Não! O programa, tal como outras iniciativas governamentais, pretende ser inclusivo.

Desde que o participante tenha a idade mínima (18 anos ou 16 com autorização) e o ensino médio (cursando ou concluído), não há limite de idade para se tornar um Hacker do Bem.

Conclusão

O Hackers do Bem é a oportunidade de ouro para quem busca uma carreira sólida, gratuita e com o selo de instituições como RNP e SENAI-SP. Seja você um iniciante ou alguém em transição de carreira, o caminho está traçado: basta dedicação e foco na trilha. Não perca tempo, as vagas para 2026 já estão abertas. Prepare seu setup e comece sua jornada agora mesmo!

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