Governança corporativa, o que é e a importância para PMEs

Já não é de hoje que administrar uma empresa exige muito mais do que apenas se preocupar em “manter as portas abertas”. Para que o negócio seja sustentável e valioso a longo prazo, a gestão precisa ser baseada em processos claros e princípios sólidos. Ou seja, não é suficiente garantir a sobrevivência da empresa, mas cuidar para que seja a melhor que for possível.

Nessa busca, um conjunto de princípios que tem se mostrado bastante eficiente e confiável, a governança corporativa.

Quer saber o que é e por quais razões as empresas precisam se basear nos seus conceitos? Então acompanhe o conteúdo desse post.

O que é Governança Corporativa?

Muito resumidamente, a governança corporativa consiste de basear a administração da empresa em princípios que garantam que o negócio se desenvolva de modo sustentável progressivamente.

Essa definição pode parecer um tanto vaga, mas ao avaliarmos quais são esses princípios, fica mais claro do que consiste esse conceito:

  • Integridade – costuma-se dizer que este é o alicerce de tudo. É fazer a coisa certa, ou se preferir, ser ético, mesmo quando ninguém está olhando. Na prática, significa cumprir o que foi acordado e prometido aos clientes, fornecedores, parceiros e colaboradores. É ter contratos claros, honrar compromissos e assumir erros. Uma empresa íntegra conquista o seu fundamento mais valioso, a confiança;

  • Transparência – aqui, o “segredo” é não ter segredos. Não confunda com revelar as estratégias essenciais para o sucesso, mas de se comunicar com clareza com todos os envolvidos. A transparência reduz incertezas, alinha as expectativas e evita conflitos desnecessários:

    • Para a sua equipe – por que fazemos e o que queremos?

    • Para os sócios – como estão os resultados e quais são as perspectivas?

    • Para o mercado – o que a marca defende?

  • Equidade – esse princípio garante que todos os envolvidos com a empresa (sócios majoritários e minoritários, colaboradores, clientes, etc) sejam tratados de forma justa e com respeito. Na rotina de uma startup, por exemplo, isso pode significar definir direitos e deveres claros entre os fundadores, criar políticas de premiação equitativas e colher feedbacks de todos os níveis da empresa;

  • Responsabilização – é a questão da prestação de contas. Quem decide, deve se responsabilizar por suas decisões. Em um negócio pequeno, é crucial definir quem é responsável por cada área (finanças, operações, vendas). Quando algo dá certo, sabe-se quem recebe os créditos. Quando algo sai do plano, sabemos com quem conversar para corrigir a rota. Isso cria uma cultura de soluções bem refletidas;

  • Sustentabilidade – não se resume à proteção ambiental, a qual também é importante. No âmbito da governança, trata-se da longevidade do negócio. É tomar decisões que não gerem lucro apenas no curto prazo, mas que assegurem o desenvolvimento da empresa nos próximos anos. Isso envolve cuidar das finanças (reservas para emergências), das pessoas (ambiente saudável) e do seu impacto na sociedade e no meio ambiente.

Portanto, quando se administra um negócio estritamente de acordo com esses princípios, é natural que os resultados obtidos sejam melhores, haja equilíbrio entre os interesses de todos os envolvidos, direta e indiretamente, contribuindo positivamente para a sociedade da qual a empresa faz parte.

A relação da Governança Corporativa com a pauta ESG

A governança corporativa é parte do tripé da chamada pauta ou agenda ESG, que se refere à sigla em inglês para Environmental, Social and Governance, que traduzida para o português, significa ambiental, social e governança. Ou seja, é pautar tudo na condução de uma organização com base em preocupação ambiental, na responsabilidade social e na governança corporativa.

Como vimos, o pilar da Governança (o "G" do ESG) é justamente o conjunto de princípios que detalhamos logo acima.

segundo pilar, a pauta ambiental, consiste do conjunto de diretrizes que colocam o meio ambiente no centro das decisões operacionais. Isso se traduz em ações como:

  • A operação da empresa deve garantir a preservação ambiental;

  • Adotar métodos sustentáveis de produção, que evitem agressões ou promovam compensações;

  • Gerenciar com responsabilidade a produção e o descarte, especialmente de resíduos como o lixo eletrônico (e-lixo);

  • Preocupar-se com a procedência dos recursos, sejam minerais ou vegetais.

Logo, a ideia é que a sobrevivência e o crescimento do negócio são intimamente relacionados à saúde do planeta. Ignorar as consequências climáticas e os impactos ambientais não é mais uma opção para empresas que visam o longo prazo, mas uma obrigação.

Já o terceiro pilar, a agenda social, refere-se ao conjunto de políticas que objetivam prover condições dignas e humanas, igualitárias e de bem-estar geral. Isso vale tanto internamente, para os colaboradores da corporação (responsabilidade social corporativa), quanto externamente, para a comunidade e a sociedade ao seu redor (responsabilidade social empresarial).

Responsabilidade social deixou de ser apenas papel do Estado e cada vez mais se exige que as organizações privadas façam parte desse compromisso, seja diretamente por resultado das suas ações e políticas, seja indiretamente por resultado dos seus fornecedores e parceiros de negócio.

Governança Corporativa é para pequenas empresas?

Há quem pense que governança corporativa é "coisa de empresa grande", ou que nada mais é do que um conjunto de regras complexas para corporações com milhares de funcionários e acionistas.

Se você pensou algo do tipo, saiba que não é bem assim!

Na verdade, introduzir esses princípios desde cedo é uma das decisões mais estratégicas que um empreendedor, um pequeno empresário à frente de uma startup, pode tomar.

A governança pode sim envolver alguma complexidade e ser uma exigência nas grandes corporações, mas independente do porte, deve ser encarada como uma filosofia que apoia e que prepara o seu negócio para crescer de forma saudável e consistente.

Em termos práticos, há benefícios inegáveis para diferentes empresas de todos os portes e modelos de negócios:

1. Atrai investimentos e parcerias legítimas

Investidores (anjos, fundos de venture capital, etc) e parceiros estratégicos não avaliam apenas uma boa ideia.

Acima de tudo, eles buscam confiança e profissionalismo. Uma empresa que já opera com transparência, responsabilização clara e processos documentados, demonstra seriedade e reduz o "risco percebido".

Portanto, a governança facilita a captação de recursos e abre portas para parcerias autênticas e valiosas.

2. Profissionalização de empresas familiares

Entre os desafios mais comuns de toda empresa familiar, a profissionalização da gestão é dos mais frequentes.

Nessa classe de empresas, a instituição de um modelo de governança obriga que a profissionalização ocorra de modo sistematizado e garante que o processo sucessório se dê de modo mais eficiente.

3. Previne conflitos entre sócios

Muitas startups nascem de parcerias entre amigos ou familiares. No começo, tudo é empolgação e trabalho em equipe. Mas o que acontece quando surgem divergências sobre divisão de lucros, novas contribuições de capital ou direção estratégica?

A governança, por meio de acordos bem definidos entre sócios e do princípio da equidade, estabelece as "regras do jogo" desde o início. Isso protege o negócio e, muitas vezes, também os relacionamentos pessoais.

4. Melhor tomada de decisões

Nas pequenas empresas, é comum que o dono centralize todas as decisões, o que pode criar um gargalo e levar à exaustão.

Ao distribuir responsabilidades com base no princípio da responsabilização e criar processos simples para discussões, como reuniões periódicas de direção, a tomada de decisão se torna mais ágil, coletiva e fundamentada, liberando o líder para pensar em questões mais estratégicas com olho no futuro.

5. Contribui para a cultura empresarial

A cultura da empresa é moldada desde os primeiros passos e por meio dos primeiros colaboradores. Agir com integridade e transparência desde o primeiro dia, favorece um ambiente de confiança, atrai talentos alinhados a esses valores e aumenta a retenção.

Uma cultura forte e bem definida, é um ativo intangível que impulsiona o crescimento sustentável.

6. Garante longevidade e valor

O princípio da sustentabilidade lembra ao empreendedor que o sucesso não se mede apenas pelo lucro do mês, mas depende fundamentalmente da preocupação em construir uma empresa que sobreviva ao seu fundador, que se adapte a mudanças e que tenha um legado consistente e próspero.

Uma empresa bem governada se torna um ativo valioso, seja para uma futura venda, seja para a sucessão, seja para uma eventual abertura de capital.

Em outras palavras, na pequena empresa, a governança corporativa é uma ferramenta prática de gestão que aumenta as chances de sucesso, evita problemas difíceis de solucionar e constrói as fundações para um crescimento com baixa imprevisibilidade.

Começar de forma simples, com os princípios em mente, já coloca seu negócio em um caminho muito mais profissional e planejado.

A governança não precisa nascer complexa, mas precisa nascer certa, pois a sua ausência é uma das maiores causas de mortalidade de empresas que tinham tudo para dar certo. Sendo assim, se você sente que sua empresa está pronta para esse passo importante, o apoio de uma consultoria de empresas especializada pode ser o atalho ideal para organizar tudo que é essencial e sem surpresas que você não sabe como lidar.

Conclusão

Governança corporativa não é luxo ou filosofia de grandes negócios, mas um alicerce para crescer com segurança. Implementar os seus princípios, mesmo de forma simples, profissionaliza a gestão e protege o futuro do negócio. Se você busca longevidade e valor, o momento de organizar a casa é agora. Comece pequeno, mas pense longe!

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