Como aprender a programar do zero? Por onde começar?

Embora se diga que muitas Inteligências Artificiais sejam razoavelmente competentes na elaboração de trechos de código de programação, a realidade é que o profissional da área ainda é necessário em muitas situações, fazendo com que muitos queiram aprender a programar do zero e por conta própria.

A maioria dos que resolve seguir por esse caminho, costuma se perguntar: “É possível aprender sozinho?”, “Como eu aprendo a programar?” ou “Por onde eu devo começar?”.

Se você tem dúvidas desse tipo, as próximas linhas são para você. E já adiantamos que é mais fácil do que pode parecer, desde que você supere alguns mitos e cumpra alguns requisitos.

Vamos começar?

Para quem é esse conteúdo?

Antes de colocarmos a mão na massa, é importante fazermos um alerta. Esse bate-papo é exclusivamente para quem quer aprender por conta própria, pelos seguintes motivos:

  • Cursos de formação, seja em nível superior, seja de tecnólogo, sejam os técnicos ministrados por empresas especializadas, já têm uma grade e uma trilha de aprendizado;

  • Quem opta por esse caminho (aprender sozinho), geralmente vê os seguintes obstáculos nos cursos “prontos”:

    • Não dispõe do tempo necessário, seja em termos de conclusão, seja de carga horária dedicada;

    • Não tem ou não está disposto a investir os valores cobrados;

    • Quer um direcionamento diferente dos cursos disponíveis;

  • É autodidata e se julga capaz de aprender sozinho.

Mitos a serem superados

Outra questão que precisamos tratar, é dos mitos que existem quando o assunto é programação:

  • Ser um nerd – não, programadores não precisam ser nerds, tampouco gênios da matemática;

  • Equipamento caro – começar e evoluir em programação, não requer computadores caros e de última geração;

  • Ser antissocial – a área exige muita colaboração, comunicação e trabalho em equipe;

  • Fluência em inglês – existem sim muitos bons materiais exclusivamente em inglês e o conhecimento básico do idioma pode facilitar, mas também há ferramentas gratuitas online de tradução;

  • A melhor linguagem – não há a melhor linguagem, mas as mais adequadas para determinadas finalidades;

  • Aprender rápido – programação exige tempo, prática diária e, sobretudo, tem início mas não tem fim.

Programação vs Linguagem de Programação

Lembremos que aprender programação, é como aprender qualquer outra coisa. Assim como alguém que pretende ser piloto de automóveis, não vai para a pista antes de saber frear e mudar de marcha, o ideal é que o programador não aprenda uma linguagem de programação, antes de saber programar!

Sim, programar e linguagem são coisas diferentes. Um programador não se resume àquele que tem conhecimento de uma linguagem.

Sem discutir o mérito ou o propósito, alguns cursos ou treinamentos, ensinam programação por meio do ensino de uma linguagem de programação. É verdade que alguns “pilotos” conseguirão correr, mas muitas vezes as custas de várias derrapadas e muitos erros – alguns até fatais – em meio a poucos acertos.

Há que se ter em mente que existem dezenas de linguagens de programação e todas são ferramentas para um programador criar diferentes sistemas, que entregam diferentes resultados, para diferentes necessidades.

Linguagens novas surgem e outras morrem e independente disso, o programador deve continuar programando.

Um desenvolvedor tem que ser capaz de escolher cada ferramenta, para cada resultado que precisa apresentar e assim, aprender uma linguagem vem em um momento posterior e ao longo de toda a sua vida profissional.

Com isso em mente vamos aos passos para começar.

Os passos para aprender a programar

Ao chegarmos onde a maioria queria, uma última ressalva precisa ser feita.

Da mesma maneira que há quem aprenda a programar em paralelo a uma linguagem e consegue evoluir, não há uma jornada única. No entanto, os passos a seguir proporcionam um aprendizado mais consistente e orgânico:

  1. Lógica de programação – é o conjunto de regras e passos que ajudam a organizar o pensamento para resolver problemas de forma estruturada, usando instruções que o computador deve executar;

  2. Algoritmos – resumidamente, um algoritmo é uma sequência de regras e símbolos que lembram uma linguagem de programação, mas sem ser uma linguagem real e que serve para organizar o raciocínio e deixar claro o passo a passo da solução;

  1. Tipos de dados – conhecer os tipos de dados (variáveis, constantes, strings, etc) existentes e utilizados, é essencial e faz parte de toda linguagem;

  2. Estruturas de dados – as estruturas de dados (arrays, vetores, pilhas, listas, filas, etc) são outra classificação, relacionada à organização ou forma como os dados estão disponíveis e devem ser utilizados, sendo parte fundamental da programação;

  3. Estruturas de iteração e controle de dados – as estruturas (while, until, for, if, etc) também estão presentes em todas linguagens e servem para uma variedade de situações;

  4. Funções e procedimentos – ainda presentes em muitas linguagens, as funções e procedimentos são trechos de código com papeis especiais e que podem ser utilizadas e referenciadas diversas vezes;

  5. Orientação a Objeto (OO) – um paradigma de programação que organiza o código em torno de objetos, que combinam dados (atributos) e comportamentos (métodos). Essa abordagem facilita a modelagem de sistemas complexos, tornando o código mais modular, reutilizável e próximo da forma como pensamos o mundo real

Vale notar que a sequência acima é ordenada e leva em consideração que a cada etapa os conceitos aprendidos serão usados na etapa seguinte. Portanto, a assimilação de cada informação é fundamental para que o passo seguinte seja dado com sucesso.

É natural que exista ansiedade para ver resultados e colocar em prática o seu aprendizado, mas lembre-se que um cardiologista ou um oncologista ou um pediatra, antes estudam para serem médicos e só depois escolhem a sua especialização.

A dedicação à preparação e ao aprendizado e o que você vai entregar depois, é resultado do que faz agora.

Dica de ouro: você não precisa instalar nada complexo no seu computador imediatamente. Existem ferramentas online gratuitas, como o Portugol Webstudio, que permitem que você escreva e teste seus primeiros algoritmos direto no navegador. Isso ajuda a manter o foco no que importa agora, que é treinar o que aprendeu.

Segundos passos em programação

Os passos anteriormente apresentados, servem para preparar o desenvolvedor para o aprendizado de linguagens.

Em um segundo momento, há outros passos que são igualmente importantes quando você escolherá uma linguagem para exercitar e começar a criar as primeiras soluções:

  • Ambiente de desenvolvimento (IDE e ferramentas) – antes de mergulhar em projetos, é útil aprender a instalar e usar um editor de código (VS Code, PyCharm, Eclipse) e configurar o ambiente da linguagem escolhida. Isso evita frustrações técnicas e facilita o trabalho;

  • Versionamento de código (Git / GitHub) – mesmo para os iniciantes, entender o básico de salvar versões do código (Git) e compartilhar projetos é fundamental. Além disso, é uma forma de conecta o aprendiz com a comunidade, no caso do GitHub;

  • Depuração e testes – aprender a identificar erros, usar mensagens de log e criar testes simples ajuda a desenvolver a mentalidade de “resolver problemas” em vez de apenas escrever código;

  • Pequenos projetos práticos – depois de lógica de programação, estruturas e OO, é importante aplicar os conceitos em pequenos projetos utilizáveis, como uma calculadora, um jogo da forca, ou um pequeno app de lista de tarefas. Esse tipo de projeto ajuda a consolidar o aprendizado e entender os desafios;

  • Boas práticas de código – a introdução de conceitos como legibilidade, comentários úteis, nomes claros para variáveis e funções. Isso diferencia um iniciante que “sabe programar” de alguém que já pensa como desenvolvedor;

  • Paradigmas – além da OO, existem outros estilos de programação (funcional, declarativa) ajuda a abrir horizontes, mesmo que o foco inicial seja Orientação a Objeto.

Como obter melhores resultados?

O que você vai encontrar a seguir não é uma lista de exigências, sem as quais você não vai aprender, mas recomendações que se forem seguidas, as chances de resultados melhores, são bem maiores:

  • Se possível evite estudar em momentos que não possa ir até o fim de um assunto. Interrupções são improdutivas e aumentam o tempo necessário para compreensão de conceitos, sabendo que há muitos e que eles são as bases para muitas das coisas que você aprenderá;

  • Opte por ambientes tranquilos, silenciosos e nos quais você possa se concentrar. Tem relação com as mesmas razões do tópico acima. A não ser que seja a única possibilidade, não estude no trem, metrô, ônibus ou em algum lugar que você não desfrute de tranquilidade;

  • Não deixe dúvidas na sua sequência de aprendizado. Só avance se estiver convicto que compreendeu plenamente os conceitos de cada aula / tópico;

  • Procure ter meios para esclarecimento de dúvidas, como profissionais da área, sites especializados, etc;

  • Exercite exaustivamente. A prática em qualquer área, é o que leva a boa execução;

  • Reserve tempo para os estudos e aprendizado e seja rigoroso quanto ao seu cumprimento. Não ter uma agenda rígida de trabalho, pode levar a dificuldade de evolução e consequente desmotivação;

  • Estabeleça metas (prazos) de aprendizado e se possível monte um cronograma preciso com tudo que quer / precisa aprender.

Escolhendo a linguagem de programação

É bastante comum programadores experientes saberem mais de uma linguagem de programação, mas você tem que começar com uma. Qual linguagem aprender?

Nós já fornecemos um link para o post “Aprenda tudo sobre linguagem de programação e as mais populares”, que entre outras coisas, trata disso e que pode lhe ajudar a escolher, mas vamos dar algumas dicas que podem ajudar você nesta difícil tarefa:

  • Uma parte do processo de escolha da linguagem, consiste em responder no que você gostaria de atuar como programador. Lembra da escolha da sua especialização como médico? Pois é, chegou a hora. Quer fazer sites? Sistemas Operacionais? Aplicações para celulares? Internet das coisas? Robôs das indústrias? Realidade Virtual ou Realidade Aumentada? Cada uma é mais indicada para uma finalidade;

  • Saiba que a depender da área, outros conhecimentos associados são necessários. Por exemplo, no desenvolvimento Web, é aconselhável aprender HTML, CSS, JavaScript e PHP, ou Python. Já se o seu encanto está nos aplicativos mobile, terá que dedicar-se ao Java. Gosta da indústria? Programação CNC. Ou seja, sua decisão se baseia naquilo que você pretende fazer profissionalmente;

  • Se stiver na dúvida, o mercado costuma sugerir duas “portas de entrada” principais: o Python, por ter uma escrita muito próxima do inglês e ser excelente para iniciantes, ou o JavaScript, caso o seu desejo seja ver as coisas acontecendo rapidamente no navegador (web). Ambas possuem comunidades gigantescas no Brasil, o que facilita muito na hora de tirar dúvidas;

  • Pesquise sobre como anda a manutenção e desenvolvimento da linguagem, quanto às versões, frameworks, e bibliotecas, pois esse é um indicativo da continuidade da linguagem, bem como do seu poder e facilidade no desenvolvimento;

  • Verifique a quantidade e variedade de fontes de informação, fóruns e grupos de profissionais que programam na linguagem desejada, pois podem ser bastante úteis no aprendizado;

  • Cuidado com o excesso de informação. É fácil se perder em milhares de tutoriais. Escolha uma única trilha e vá até o fim. É melhor dominar o básico de uma fonte do que saber “quase nada” de dez fontes diferente

  • Além disso, é muito indicado ir além do aspecto essencialmente técnico e observar a atividade profissional como parte de um todo e para isso, você deve ficar atento também aos seguintes aspectos antes de se decidir:

    • Colete informações sobre a atividade e o dia a dia com profissionais que já atuam no segmento pretendido;

    • Procure saber como está o mercado (empresas e consumidores) e perspectivas de crescimento para os próximos anos, a fim de que não escolha um segmento com pouca oferta de trabalho;

    • Avalie possibilidades de promoções e crescimento profissional na área pretendida;

    • Surgimento de novas tecnologias, que podem amplificar o segmento ou que podem substituir as atuais, pondo fim ou limitando o desenvolvimento;

    • Analise as possibilidades de remuneração para cada segmento;

    • Investimentos na área e políticas públicas e privadas de desenvolvimento do setor.

Percebe quais e quantas são as escolhas que você deve fazer, mas que são essenciais para que seu futuro profissional seja consistente e promissor? Bom trabalho!

Conclusão

Aprender a programar é uma maratona, não um sprint. O segredo do autodidata de sucesso não é a genialidade, mas a consistência em dominar a lógica antes de se cobrar pela sintaxe perfeita. Com as ferramentas certas e o foco nos fundamentos, você transforma a curiosidade em uma carreira sólida. O primeiro código é apenas o começo; o aprendizado contínuo será seu maior diferencial. Sucesso!

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