O que são metas, qual sua importância e como defini-las?
Muitas palavras são utilizadas no dia a dia sem que as pessoas se deem conta do seu completo significado e alcance e, por conta disso, não produzem os desdobramentos possíveis, como é o caso da palavra meta no contexto profissional.
Você consegue dar uma definição precisa, clara e abrangente do que é uma meta? É capaz de listar os benefícios de ter metas? Sabe como estipulá-las de modo refletido e prático?
Caso você tenha hesitado em dar essas e outras respostas relacionadas, este conteúdo vai ajudar a mudar isso!
O que é uma meta?
Uma meta é um resultado relevante e específico que se pretende atingir, mas que também seja alcançável e mensurável por algum critério, em um prazo previamente determinado.
Note que há palavras-chave que fazem parte dessa curta definição, que são essenciais para compreendermos o seu poder e para que seja realmente verificável (comprovado como verdadeiro por meio de evidências, fatos ou dados):
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Específico – o resultado precisa ser direto e exato, estabelecendo “o quê” e “como”;
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Mensurável – o resultado deve ser quantificável / mensurável, estipulando um número ou um algo que permita avaliações sem subjetividade;
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Alcançável – o resultado tem que ser viável, realizável, atingível com os recursos disponíveis no momento;
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Relevante – o resultado necessita ter valor, importância ou influenciar o todo ou o contexto;
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Prazo – o resultado requer cumprimento em um prazo previamente definido (temporal).
Os mais atentos talvez tenham percebido que em nossa definição do que é uma meta, está embutido um conceito que mais adiante utilizaremos para estabelecê-las com critério e equilíbrio – o método SMART.
Outro caminho para compreender o que é uma meta, é recorrer a uma das possíveis definições de dicionário: “Meta é o marco que assinala o ponto-final de uma corrida (de cavalos, pedestres etc.)”.
Por conta disso, em uma atividade esportiva – como a corrida, por exemplo – os participantes têm todos uma mesma meta a ser cumprida, mas somente aquele que a atinge primeiro, é considerado o melhor, o vencedor.
Seguindo na linha esportiva, podemos lembrar do "guardameta", o termo em espanhol para se referir ao goleiro no futebol. No português do Brasil, a palavra também existe sob a forma guarda-metas, embora tenha caído em desuso, funcionando como um sinônimo que uns poucos narradores de futebol usam ocasionalmente. O termo surgiu da tradução literal do equivalente em inglês “goalkeeper” (goal = meta e keeper = aquele que guarda).
Seja no primeiro exemplo, seja no segundo, a meta é:
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Critério |
Corrida |
Futebol |
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Específica |
Chegar à frente dos demais competidores |
Fazer mais gols que o adversário ou fazer um placar específico |
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Mensurável |
Concluir o percurso abaixo do tempo dos concorrentes |
Obter saldo de gols positivo ao fim da partida |
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Alcançável |
Manter o ritmo e conseguir percorrer todo o percurso planejado |
Criar oportunidades de gol, convertê-las e impedir gols adversários |
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Relevante |
Conquistar a maior premiação e atrair patrocinadores |
Subir na classificação do campeonato e aumentar o saldo de gols |
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Temporal |
Desempenhar o esforço dentro da duração da prova |
Finalizar a meta no tempo regulamentar da partida |
Qual a diferença entre metas e objetivos?
Para alguns, fazer a pergunta acima pode parecer apenas um truque retórico, mas não é!
No dia a dia, na conversa entre amigos e em vários contextos, ambas palavras são intercambiáveis sem maiores consequências. Em termos linguísticos, inclusive é comum considerar “metas” e “objetivos” como sendo sinônimos.
Entretanto, o gestor que tem a estratégia como aliada, que conhece o poder da comunicação interna e que exerce liderança comportamental com eficiência, sabe que há uma diferença sutil mas fundamental.
A confusão é compreensível, afinal um objetivo, é aquilo que é colocado à frente dos olhos e que para o que a pessoa dirige a sua atenção. Em outras palavras, um objetivo serve para orientar, para direcionar e ajudar a dar um porquê, um propósito.
Para nos ajudar a enxergar a diferença, voltemos ao exemplo esportivo, mais especificamente uma maratona. O objetivo de alguns corredores podem ser de “apenas” concluir os 42 quilômetros da prova. Cruzar a linha de chegada basta e serve para mostrar que eles capacidade de superar essa grande distância. Para outros, concluir em tempo inferior ao da sua participação anterior, não importando a classificação final, é suficiente para saberem que evoluíram.
Ou seja, objetivos são mais genéricos (sem muita especificidade), com baixa preocupação em termos dos resultados finais (pouca mensurabilidade e viabilidade), ainda que sejam razoavelmente importantes para quem os persegue (relevância).
Por conta disso, podemos afirmar que objetivos representam resultados ou ganhos qualitativos. Já as metas, além da maior qualidade, também implicam ganhos quantitativos. Sendo assim, “perder peso” é objetivo, mas “perder 10 Kg, em 6 meses, a contar de hoje”, é meta.
Por que é importante ter metas?
Há muitas pessoas que vivem sem metas. Algumas até vivem bem, são felizes e satisfeitas dessa maneira, mas em geral, essa não é a regra. Também a simples existência de metas, não é requisito suficiente para garantir o sucesso e a realização pessoal e profissional daqueles que as têm.
A primeira justificativa da importância de estabelecer metas, é não andar ou viver a esmo, sem destino e propósito.
Você pode dizer a si mesmo que vai estudar, crescer, trabalhar, constituir família e assim por diante. Isso não é nem mesmo um objetivo, já que é assim que acontece com muita gente e a não ser que ocorram fatores excepcionais, tudo isso tende a acontecer em algum momento da vida.
Mas agora que você entende melhor os conceitos de objetivos e metas, pode ir além:
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Objetivos – fazer a empresa crescer, aumentar a carteira de clientes e melhorar o faturamento;
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Metas – aumentar o faturamento em 15% até o 4º trimestre, conquistando 20 novos clientes recorrentes no segmento X, mantendo o custo de aquisição (CAC) abaixo de R$ 500,00.
Visto dessa forma, para se concretizar, uma meta requer um planejamento bem estudado e detalhado, definindo o que fazer, como fazer, quando fazer e quais os recursos necessários para fazer.
Em resumo, metas são importantes porque:
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Dão sentido e propósito ao que é feito, justificando cada ação;
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Norteiam cada passo dado, servindo quase como uma bússola;
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Aumentam a previsibilidade e preparam para as dificuldades, ao considerar os eventuais obstáculos;
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Servem como referência de onde e quando se quer chegar;
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Contribuem para o desenvolvimento pessoal e profissional;
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Ajudam no autoconhecimento e a extrair o melhor de si;
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Funcionam como combustível psicológico, aumentando a disciplina, o foco e a motivação;
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Servem como indicadores de desempenho (KPIs), mostrando o aquém e o além do estipulado;
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Ensinam como tirar proveito dos recursos (orçamento e tempo disponível) e aproveitar as oportunidades.
Voltando a competição esportiva, as metas são a mola que impulsiona os vencedores. Entre muitos exemplos conhecidos, podemos citar Usain Bolt, cujas metas certamente foram conquistar medalhas em provas diversas, por meio do atingimento de tempos que ele tinha conhecimento preciso, por meio de planejamento do treinamento, de superação das suas deficiências e do aperfeiçoamento das suas qualidades, do estudo dos seus adversários, etc. Certamente ele não queria apenas ser mais um corredor de 100 metros rasos.
Nas empresas, no ambiente corporativo, as metas funcionam como o catalisador que transforma cada estratégia em resultado concreto. Sem elas, em vez de times perseguindo resultados comuns e vitórias importantes, temos só um monte de gente correndo desordenadamente atrás de uma bola.
Agora que entendemos por que metas são essenciais, o próximo passo é aprender a defini-las corretamente e, é aí que entra o método SMART.
Como estipular metas?
Estipular metas é uma das tarefas mais desafiadoras. Não porque seja difícil definir números, mas porque errar na dose, na escolha deles, pode ser quase tão desastroso quanto não ter meta alguma.
Muitas empresas, por exemplo, estipulam metas de vendas apenas com base nos resultados que gostariam de alcançar em faturamento, sem considerar se esses números são viáveis, realistas ou compatíveis com o momento, com o mercado e até mesmo fatores como infraestrutura, treinamento, produto e valores. O resultado? Equipes desmotivadas, que já iniciam o desafio sabendo que dificilmente conseguirão atingir o que foi proposto.
O oposto também é prejudicial, ou seja, metas fáceis demais podem gerar uma falsa sensação de excelência. Em geral, não são as vitórias que ensinam, mas sim os obstáculos e os desafios.
Neste ponto, deve estar evidente que o que se deve buscar, é o equilíbrio, o bom senso e saber dosar os avanços para que as melhorias venham de forma duradoura e consistente.
Em vez de pensar em uma rampa ascendente, prefira a escada. É para isso que ela foi feita, ou seja, permitir que se suba aos poucos e se necessário, parar em algum degrau para descansar e poder prosseguir depois. Cada degrau funciona como uma meta intermediária.
O método SMART na determinação das metas
Para evitar erros e tornar metas mais coerentes, uma das ferramentas mais utilizadas é o método SMART. Ele ajuda a transformar boas intenções em resultados concretos. Cada letra representa um critério essencial conforme já havíamos antecipado:
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Specific (Específica) – a meta deve ser clara e direta, sem espaço para interpretações subjetivas ou ambiguidade;
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Measurable (Mensurável) – precisa ter indicadores numéricos ou critérios objetivos que permitam acompanhar o progresso;
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Achievable (Alcançável) – deve ser viável com os recursos disponíveis, sem ser inalcançável nem facilmente realizável;
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Relevant (Relevante) – precisa fazer sentido dentro do contexto maior, alinhada aos objetivos do negócio e às estratégias da empresa;
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Time-bound (Temporal) – deve ter prazo definido para conclusão, evitando que se arraste indefinidamente.
Dicas práticas
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Parta de números conhecidos – use o histórico e dados reais como base, e acrescente incrementos possíveis com esforço adicional;
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Mantenha flexibilidade – ajuste quando perceber que o degrau foi mal calculado ou alto demais. Acrescente pequenos incrementos que se imaginam possíveis com pequenos investimentos de trabalho, treino, esforço;
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Reconheça além e aquém da meta – valorize quem chega perto (95%) e quem supera (105%), assim como no pódio olímpico, onde não apenas o ouro é celebrado.
Que aprendizado tirar das metas?
Usain Bolt não conquistou apenas medalhas de ouro. Sua trajetória foi marcada por planejamento, disciplina, apoio de equipe e infraestrutura, todos orientados por metas claras e possíveis. O mesmo vale para empresas, ou seja, não é preciso ser um “Bolt dos negócios” para alcançar resultados expressivos, mas é indispensável entender seu valor e utilidade.
No mundo das PMEs, as metas funcionam como ferramentas de gestão que transformam esforço em direção. Sem elas, corre-se o risco de trabalhar muito e avançar pouco. Com elas, cada passo é dado com propósito.
Lições práticas para o gestor de PME:
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Clareza de direção – metas evitam que a empresa “corra sem saber para onde”, garantindo foco nos resultados que realmente importam;
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Envolvimento da equipe – colaboradores se motivam mais quando sabem exatamente o que se espera deles e como o sucesso será medido;
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Planejamento realista – metas bem estipuladas consideram recursos, mercado e contexto, evitando frustrações e desmotivação;
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Resiliência diante de obstáculos – como na corrida de rua, nem sempre o terreno é favorável. Metas ajudam a se preparar para imprevistos e ajustar a rota;
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Crescimento sustentável – ao definir metas intermediárias, a empresa sobe “degrau por degrau”, consolidando avanços sem se desgastar e sem perder “competidores”;
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Cultura de melhoria contínua – perseguir metas estimula aprendizado, inovação e evolução constante, tanto individual quanto coletiva.
A grande lição é que uma meta não deve ser vista apenas como um número, mas um instrumento de auto-conhecimento e reconhecimento, de unidade e comprometimento, de superação e crescimento, de consciência e consistência. No final das contas, quando sabiamente utilizadas, tiram o gestor da condição de observador e colocam-no como participante das vitórias do seu time.
E se você quer ir mais a fundo, recomendamos ler o post “Metas pessoais e profissionais: guia para o sucesso!”.
Conclusão
Definir metas não é sobre prever o futuro ou suprir desejos e necessidades da empresa, mas sobre construir um caminho seguro. Ao aplicar o método SMART e focar no avanço sustentável, degrau por degrau, você usa instrumentos reais de crescimento. Que tal tentar, revisando as suas métricas, propondo metas SMART desafiadoras, que engajam e alavancam o seu negócio hoje mesmo?


