Distribuições Linux: as mais populares e as “melhores”

Em um mundo cada vez mais competitivo, nada mais natural do que variedade. E se há algo que pode-se ficar até em dúvida diante de tantas opções de escolha, esse é o caso das distribuições Linux. Mas enfim, o que é uma distribuição Linux? Por que há tantas? Qual a melhor? Quais as mais populares? Se você tem perguntas como estas, é para você que este artigo foi feito.

O que é uma distribuição ou distro Linux?

Se é o que você imagina, distro significa o mesmo que distribuição e uma forma “íntima” de nomear a mesma coisa. E o que é um ou o outro?

Desde que o Linux foi criado e ao longo de toda a sua evolução, dois aspectos principais o caracterizaram: o licenciamento ser open source e o desenvolvimento compartilhado ou coletivo, em que vários programadores ao redor do mundo colaboram nas melhorias, nas correções e na criação de novos recursos.

Decorre destes dois fatos, que qualquer programador ou grupo deles, tem a possibilidade de conhecer seu código fonte, alterá-lo e distribui-lo exatamente da mesma forma como o obteve. Mais que isso, podem criar recursos ou mudar os existentes de acordo com seus interesses e desejos, ou mesmo para atender necessidades específicas de quaisquer pessoas e isso tem sido a marca mais evidente do Linux.

É quase como brincar de Lego, em que você usa as peças do “brinquedo” criado por outra pessoa, para criar o seu. De fato, há hoje uma série de sistemas operacionais que derivam do Linux ou surgiram a partir do seu kernel ou núcleo e alguns nem mais levam o seu nome, sendo que possivelmente o exemplo mais conhecido, você carrega no seu bolso, que é o sistema Android do seu smartphone, desenvolvido pelo Google e que da mesma forma que o Linux, é personalizado por cada fabricante de aparelho.

A liberdade do acesso ao código do sistema operacional, a liberdade de modificá-lo e a liberdade de distribui-lo a qualquer um, tudo isso ao acesso de todos e para atender os mais diversos interesses, possibilitou a existência de tantas distribuições Linux quantas se queira.

Há uma variedade para atender propósitos diversos. Há distros que foram criadas para serem usadas em computadores pessoais, outras têm recursos para gerenciamento de servidores Web ou empresariais, há as que são mais apropriadas para aplicações científicas e já tivemos até mesmo algumas distribuições brasileiras, com destaque para o Kurumin e o Conectiva, que fundiu com o Mandrake (distro francesa), gerando o Mandriva Linux. Ambas foram descontinuadas.

A lista de distribuições é muito grande e dinâmica. No início de fevereiro de 2019, o site DistroWatch, que contém um acervo imenso de informações sobre distribuições Linux, listava mais de 300 distribuições mais populares.

Qual a melhor distribuição Linux?

Embora seja comum depararmo-nos com esta pergunta, não há uma resposta fácil. Na verdade, o correto é devolver a pergunta com outras: Qual a utilização? Qual o conhecimento do usuário? Em que equipamento será utilizado?

Estas e outras perguntas, têm como objetivo saber qual o conjunto de necessidades de quem vai usar o sistema operacional, pois com tantas distribuições, é possível escolher aquela que se encaixe melhor com o que o usuário faz no seu dia a dia. Outro ponto, é que há alguns aspectos subjetivos que podem agradar mais a uns em uma determinada distribuição e mais a outros, em uma segunda.

Há aquelas que privilegiam o desempenho e são mais indicadas para hardware mais antigo, outras têm recursos visuais mais sofisticados e demandam um hardware melhor. Esses são exemplos de condições que interferem decisivamente na avaliação que cada usuário faz das diferentes distros e assim, classificar a melhor, é algo que tem um componente subjetivo importante e, portanto, impede-nos de fazer uma lista isenta quanto à esse critério.

Quais as distros mais populares?

Não há um medidor ou um índice que seja exatamente confiável. Com tantas distribuições e mesmo tantas formas diferentes de se obter cada uma, é impraticável se obter números precisos relativos à utilização de cada distribuição. O que existe são estimativas, como a do site DistroWatch, com base nas visualizações das informações de cada uma das distros listadas no site.

Como é impraticável fazermos um ranking, vamos abordar algumas distribuições com fundamentação essencialmente empírica, ou seja, resultante de nossa experimentação ao longo dos anos, no quão duradoura cada uma tem sido, bem como no trabalho que há por trás de cada distro.

A ordem em que as distros constam a seguir, não tem relação com importância, popularidade ou qualidade. Outro ponto que vale destacar, é que não temos como propósito indicar “A” ou “B”, mas comentar algumas opções que são interessantes, as que são quase consensualmente bem avaliadas e que tem um papel histórico e técnico relevante. As eventuais ausências, por razões óbvias, não significa que não sejam tão boas alternativas como quaisquer outras.

Por fim, mas não menos importante, privilegiamos as distros orientadas ao usuário doméstico e que normalmente tem mais dificuldades em migrar a partir de outros sistemas operacionais e ao mesmo tempo, têm um perfil mais genérico. A exceção fica por conta da Red Hat, devido à sua importância em toda a evolução do Linux.

Ubuntu

É uma das distribuições mais longevas entre todas, já que existe desde 2004. Mas não é o fato de ser antiga, que a torna popular, mas alguns dos aspectos que a caracterizam.

É mantida pela empresa sul africana Canonical, que nasceu junto com o Ubuntu e que tem por papel disseminar software livre como meio de ajudar as pessoas. Esse conceito se faz presente até mesmo no nome que no dialeto local pode significar “humanidade com os outros" ou "sou o que sou pelo que nós somos".

Soma-se ao caráter social, o que a distribuição é como sistema operacional, tendo sido uma das primeiras a quebrar o estigma de que Linux é um sistema apenas para experts. Desde a instalação, até o uso diário, sempre teve a facilidade como ponto alto e mostrou-se uma boa opção de sistema operacional para desktops.

Com o passar do tempo, surgiram versões específicas para determinados fins, como o Edubuntu, que é uma versão orientada ao ambiente educacional, o Ubuntu Server como o nome sugere, é destinada à servidores e até mesmo para Internet das Coisas (IoT) e para Cloud.

O leque de opções disponíveis e associadas ao nome Ubuntu, o tempo em que tem estado no mercado como uma alternativa confiável e de qualidade em termos de distribuição e a constante evolução que se vê no lançamento de duas versões por ano, fazem do Ubuntu uma das mais populares distros Linux da atualidade.

Red Hat

Assim como o Ubuntu tem sido uma opção importante em distros para desktop e o nome Red Hat praticamente é sinônimo de distribuições Linux para ambiente empresarial. Foi uma empresa pioneira ao criar uma distribuição que atendia o que era mais importante em termos de TI dentro de uma organização.

Mas um ponto chamou atenção, que foi o foco no suporte que era necessário, principalmente em uma época em que o Linux não era tão popular como é hoje. E por este suporte, meio que na contramão de outras distros, a Red Hat oferecia versões pagas.

Como resultado deste expertise, boa parte das distribuições orientadas para servidores de aplicações, servidores Web e ambiente corporativo em geral, baseiam-se no Red Hat. Exemplos de distribuições derivadas que são amplamente adotadas em servidores, principalmente servidores de aplicações Web, são o CentOS e o CloudLinux.

Fedora

Esta distro tem a mesma origem do Red Hat, porém com enfoque em desktops. Nascida em 2003, em função da desvinculação com o projeto Red Hat, o Fedora é mantido pela comunidade, como tem sido habitual em muitas das distribuições existentes, porém conta com patrocínio da Red Hat.

Desde sua criação conta com elevada popularidade e alto índice de adoção por parte dos usuários, por ser uma distribuição estável, confiável, com bom desempenho. Não é das distribuições mais simples e fáceis de usar e recomenda-se que aqueles que forem instalá-la, já tenham alguma familiaridade com o sistema operacional.

Debian

Entre todas as distribuições que temos ainda hoje, é das mais antigas e hoje encontra-se amparado por pessoas e organizações ao redor de todo o mundo. O Projeto Debian é responsável por manter e atualizar aquela que ao longo de muito tempo, consta como uma das mais populares entre todas as distribuições.

A principal preocupação do Debian, é manter versões antigas e estáveis, privilegiando a segurança e o funcionamento dos sistemas. Esta característica fez com que várias distribuições de sucesso fossem baseadas no Debian, sendo que a mais conhecida certamente é certamente o Ubuntu.

OpenSUSE

Também uma versão bastante antiga e que nasceu na Alemanha como uma alternativa dentro do ambiente universitário e que na época era nomeada como S.u.S.E Linux. Uma década depois, uma conhecida empresa no segmento de tecnologia de redes e internet, a Novell, adquiriu a SUSE e abriu o projeto para colaboração global, como sempre foi característica de muitas distros, e a partir de então tornou-se OpenSUSE, sendo que “open” é aberto em inglês.

Se boa parte das distribuições que temos baseiam-se em dois grandes grupos que tem origens no Red Hat e Debian, o OpenSUSE representa uma terceira via ou alternativa. É um sistema operacional que tem uma boa infraestrutura de repositórios para instalação do que for necessário no sistema, um sistema de gerenciamento próprio, inovador e descomplicado, para controlar tudo no sistema operacional e provê uma boa experiência para o usuário final.

Linux Mint

Vem figurando nos últimos anos como uma das que conta com maior número de downloads, o que sugere que muita gente usa essa distro irlandesa e que nas palavras de seus desenvolvedores pretende ser “um sistema operacional moderno, elegante e confortável, que seja poderoso e fácil de usar

De fato logo que se instala o Mint, através de um processo simples e rápido, o que se tem no desktop, lembra bastante aqueles que estão familiarizados com o Windows. Não é exatamente igual e nem pretende ser, mas os usuários que migram do sistema da Microsoft, não devem estranhar muito a mudança.

Manjaro

Entre todas as mais populares, é a mais nova. A primeira versão disponível, é de apenas 2011, mas o pouco tempo no mercado não foi empecilho para que a Manjaro atingisse o status de uma das mais populares da atualidade.

Os pontos que provavelmente explicam o seu sucesso, é o visual simples, quase minimalista e por usar como base de desenvolvimento outra distro anterior que era muito bem conceituada pelos utilizadores, que foi a Arch Linux. Entre as características mais importantes, consta a simplicidade de uso, que faz dela uma excelente opção para aqueles que vão usar o Linux pela primeira vez e o controle total do hardware por parte do sistema operacional.

Elementary

Mais uma das opções mais recentes e que surgiu na mesma época do Manjaro, o Elementary tem a pretensão de ser o substituto open source para o Windows e MacOS, porém com desempenho superior e com uma política de privacidade robusta, o que é um fator de excelência nos dias de hoje.

Ele herda as mesmas qualidades das distros baseadas no Debian, como estabilidade, mas vai além em aspectos de segurança. Alia ainda uma estética moderna, leve e sujeita a pouca manutenção. Entre as distros mais atuais, é a que mais se assemelha aos sistemas Android, o que deve ser um ponto de conforto e facilidade para quem quer migrar de outros sistemas e não quer ter problemas de adaptação.

Conclusão

O universo Linux é capaz de produzir uma quantidade de alternativas muito grande de distribuições, cada qual orientada a um conjunto de necessidades. Encontrar aquela que é adequada às suas demandas, por paradoxal que pareça, pode ser difícil pelo número de alternativas disponíveis, mas ao mesmo tempo muito simples, afinal pelas mesmas razões que  escolhemos diferentes roupas, carros e tudo o mais em nossas vidas, por que o sistema operacional deveria ser sempre o mesmo?