Cuidado com os crimes virtuais de fim de ano!

Elas acontecem em qualquer época, mas costumam se intensificar às vésperas de datas festivas em que o comércio tem elevações de vendas. Estamos falando dos crimes virtuais, os quais têm constituído um problema sério para o consumidor, que se não adotar certas precauções, ao invés de fazer um bom negócio, pode ter severas perdas financeiras. Para não ser o próximo alvo, é importante contar com informações e cuidados para evitar as fraudes ou crimes virtuais.

Por que os crimes virtuais aumentam no final de ano?

Historicamente, o Natal sempre foi a data que concentrou o maior aumento de vendas no comércio varejista, tendo o dia das mães como o segundo lugar. No entanto, desde que começou a ser praticado no Brasil em 2012, o Black Friday tem atraído o interesse das pessoas, como uma oportunidade de fazer um bom negócio e de se ter aquele tão desejado bem de consumo, que sem o desconto praticado, não seria acessível financeiramente.

Hoje a data já ocupa o segundo posto, tendo ultrapassado as vendas do dia das mães. Os números de 2018 correspondem a mais de 2,6 bilhões de reais em compras online, feitas por mais de 2,4 milhões de consumidores únicos. São mais de 4 milhões de pedidos, com um ticket médio de mais de R$ 600,00.

É muita gente comprando e em meio a tantas transações, bem como ofertas dos mais diferentes produtos, o clima de euforia que geralmente toma conta do consumidor, faz com ele que acabe se descuidando de aspectos básicos de segurança e sendo enganado.

Aliado a esses fatores, já é bastante normal que o consumidor faça compras online dos mais diversos produtos, em qualquer época do ano. Segundo dados do site E-Commerce Brasil, as expectativas para 2019, são de 265 milhões de compras, com um ticket médio superior a R$ 300,00 e totalizando um faturamento de quase 80 bilhões. Ou seja, ao contrário do que aconteceu no passado, é cada dia menor a desconfiança quanto às operações comerciais online.

Por fim, quando ocorre o Black Friday os consumidores já receberam a primeira parcela do 13º salário e por ocasião do Natal, a segunda parcela. Sendo assim, o aumento do volume de dinheiro nas mãos dos consumidores e o hábito de gastá-lo nas compras de final de ano, melhoram as chances de obtenção de maiores “lucros” nas operações fraudadas.

É baseado nestes três aspectos, que alguns criminosos fundamentam suas ações. O retorno obtido baseado nas condições da época, costuma ser mais vantajoso e o comportamento do consumidor, é mais propício. Soma-se a isso o fato de que registrar um domínio, criar uma loja virtual e hospedar o site correspondente, é extremamente barato, fácil e rápido.

Como ocorrem os crimes?

Há muitas formas de ludibriar o consumidor para obter vantagens indevidas, mas a forma mais comum, se dá por meio de sites fraudulentos, tendo como primeiro princípio, a já disseminada confiança do consumidor em fazer compras online dos mais diversos tipos de produtos e de empresas dos mais diferentes portes e segmentos de atuação.

Embora existam sites que teoricamente podem vender qualquer coisa, o mais comum seja a venda de produtos eletrônicos e de maior valor unitário, que é a situação em que o ganho também é maior.

Basicamente consiste de vender algo e não entregar. O site é uma fachada de algo que não existe. Não existe a empresa, não existem os produtos. O cliente faz uma compra, paga por ela, mas nunca receberá nada.

Geralmente após alguns dias, nem mesmo o site estará mais acessível e é quando o consumidor acaba descobrindo que foi enganado, já que transcorrido o prazo estipulado para o recebimento da mercadoria comprada, ele ainda não a recebeu e vai procurar um telefone de contato ou alguma forma de atendimento e não tem para quem reclamar.

Há ainda uma variação deste golpe, em que um site de uma empresa conhecida, é falsificado. Neste caso, o objetivo é fazer o consumidor pensar que está no site verdadeiro da empresa e ao realizar a compra, acaba por fornecer seus dados e os do cartão de crédito, possibilitando assim que o fraudador crie um cartão clonado e que será usado para compras, também lesando o consumidor.

No entanto, esta forma de fraude tem ocorrido cada vez com menor frequência, visto que demanda mais trabalho, tanto em termos de falsificar um site idôneo, como trazer visitantes e ainda realizar as compras usando os dados dos consumidores, que é a forma de obtenção de valores.

Como evitar os crimes virtuais?

Embora existam variações na forma que os crimes virtuais são aplicados, há alguns aspectos em comum a maior parte deles e que permitem rapidamente diferenciar uma operação legítima e segura, de uma fraude virtual:

  • Se você não conhece a empresa / site por trás da loja virtual ou site de comércio eletrônico onde pretende efetuar a compra, faça a pesquisa de whois do domínio. Além de saber a empresa associada ao site, domínios registrados há pouco tempo, podem indicar que o site foi criado apenas com a finalidade de aplicar crimes ou fraudes virtuais;

  • Sempre observe aspectos de segurança do site, como uso de https / SSL e site blindado. Os certificados SSL mais avançados, inclusive requerem verificações rigorosas das empresas relacionadas, o que um site falso não consegue atender;

  • Busque no próprio site, informações sobre a localização física da empresa e telefone de contato. Muitos sites falsos ou não fornecem tais dados, ou no endereço físico fornecido não está localizada a empresa mencionada. No caso dos números telefônicos, caso exista atendimento, procure conversar com o atendente e obtenha informações da empresa. Geralmente o fraudador não consegue transmitir um comportamento padrão que se observa em empresas formalmente constituídas;

  • Pesquise em sites de reclamações, site do Procon e até nas redes sociais, informações da empresa, reclamações e denúncias. É raro que uma empresa que atua no segmento, não tenha um histórico, o que pode indicar uma vida comercial muito breve ou inexistente;

  • Desconfie de preços muito abaixo dos praticados no mercado, mesmo diante das esperadas promoções da Black Friday. Este costuma ser um dos principais atrativos visando ludibriar o consumidor. Use sites que comparam preços para saber o máximo e o mínimo praticado para o item de interesse;

  • É comum que este tipo de site ofereça como únicas formas de pagamento, boleto bancário e depósito em conta. As operadoras de cartão de crédito exigem o cumprimento de determinados requisitos, que inviabilizam uma operação comercial fraudada;

  • Quando receber e-mails de ofertas, ao invés de clicar no link contido no corpo da mensagem, opte por realizar o acesso direto ao site, digitando o domínio da loja virtual no navegador, evitando assim os crimes que utilizam sites falsificados e que normalmente usam domínios com grafia semelhante, mas diferente do original;

  • No caso de recebimento de e-mail Marketing, observe a correção gramatical e ortográfica. Não é raro erros nesse sentido e mesmo que não existam, não é garantia de que seja uma mensagem legítima;

  • As grandes lojas não fazem envios usando o WhatsApp. Sendo assim, desconfie de ofertas que cheguem por meio do aplicativo e que podem também ser crimes de falsificação de site;

  • Apesar de não ser regra, especialmente quando não se trata de uma grande empresa, as ofertas do Black Friday não costumam ser em cima de modelos recém lançados e de grande demanda. Ao contrário, o usual é justamente ofertar itens mais antigos e de grande disponibilidade em estoque;

Naturalmente que mesmo que sejam observados todos os aspectos acima, é possível que se esteja diante de uma fraude virtual, visto que o nível de sofisticação e realização dos crimes, as vezes torna difícil sua identificação. A regra de ouro é sempre desconfiar de negócios que parecem demasiadamente bons ou imperdíveis. Lembre-se que antes de mais nada empresas trabalham visando lucro e ninguém está disposto a abrir mão dele por uma oferta exageradamente tentadora.

Nos EUA – que é onde surgiu o Black Friday – é comum existirem ofertas realmente atraentes, visto que o objetivo é limpar os estoques de produtos antigos, a fim de receber os lançamentos para o Natal. No entanto, no Brasil não ocorre o mesmo e ao contrário, é comum se ver o que ficou popular como sendo ofertas da “metade do dobro”, ou seja, as empresas aumentam os preços antes do evento, para depois baixá-los, dando a falsa sensação de um bom negócio.

Conclusão

O habitual aumento de vendas no comércio no fim de ano, somado ao aumento do poder de compra decorrente do 13º salário e da popularização do comércio eletrônico, tem favorecido o crescimento dos crimes virtuais nesse período, o que exige cuidados por parte do consumidor, o qual consegue identificar na maioria dos casos uma ação maliciosa, observando alguns pontos em comum a maioria dos golpes.